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Safra de cana 2026/2027 em Minas Gerais deve crescer 11,6% e atingir 83,3 milhões de toneladas

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A safra de cana em Minas Gerais para o ciclo 2026/2027 deve registrar crescimento expressivo, consolidando o estado como um dos principais polos da bioenergia no país. A produção está estimada em 83,3 milhões de toneladas, avanço de 11,6% em relação à safra anterior, que somou 74,7 milhões de toneladas.

Os dados foram divulgados pela SIAMIG Bioenergia durante a 9ª Abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol, realizada pela CMAA, em Uberaba (MG).

Crescimento é puxado por produtividade e leve expansão de área

O avanço da safra está diretamente ligado à melhora nos indicadores agrícolas. A produtividade média deve subir 10%, passando de 72,1 para 79,4 toneladas por hectare, impulsionada por condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo.

A área destinada à moagem também apresenta leve crescimento:

  • Área de moagem: 1,05 milhão de hectares (alta de 1%)
  • Área total de cana: crescimento de 3%

O desempenho no campo reforça a recuperação do setor após ciclos anteriores mais desafiadores.

Qualidade da matéria-prima melhora com avanço do ATR

Outro destaque da safra é a melhora na qualidade da cana. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) deve atingir média de 139,4 kg por tonelada, avanço de 1,4%.

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Esse indicador é fundamental para a rentabilidade da indústria, pois impacta diretamente a produção de açúcar e etanol.

Produção industrial acompanha crescimento da moagem

No setor industrial, a produção total de ATR está estimada em 11,6 milhões de toneladas, crescimento de 13,2% na comparação anual.

O mix produtivo — divisão entre açúcar e etanol — segue como fator estratégico e dependerá das condições de mercado e do ambiente regulatório.

Cenário base mantém equilíbrio entre açúcar e etanol

No cenário considerado mais provável, a distribuição da produção deve permanecer próxima à da safra anterior:

  • Açúcar: 6,1 milhões de toneladas (alta de 13,2%)
  • Etanol total: 3,04 milhões de m³ (alta de 13,0%)
  • Mix: cerca de 55% da cana destinada ao açúcar

O crescimento ocorre de forma equilibrada entre etanol anidro e hidratado.

Etanol pode ganhar espaço com mudança no ambiente de mercado

Em um cenário alternativo, com medidas que ampliem a competitividade do etanol hidratado em Minas Gerais, o setor pode registrar mudanças relevantes:

  • Mix com redução do açúcar para cerca de 51%
  • Produção de etanol: 3,34 milhões de m³ (alta de 24,2%)
  • Etanol hidratado: 2,23 milhões de m³ (alta de 39,8%)
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Nesse contexto, a produção de açúcar teria crescimento mais moderado, alcançando 5,65 milhões de toneladas (alta de 4,6%).

Perspectivas: flexibilidade industrial e mercado definem o rumo

O desempenho projetado para a safra de cana em Minas Gerais reflete a recuperação dos principais indicadores agrícolas, como área, produtividade e ATR, além da elevada flexibilidade industrial do setor sucroenergético.

A definição final do mix produtivo dependerá principalmente de fatores como preços internacionais do açúcar, competitividade do etanol e políticas públicas voltadas ao biocombustível.

Com cenário favorável no campo e capacidade de adaptação nas usinas, Minas Gerais se posiciona para mais um ciclo de crescimento relevante na produção de açúcar e etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Semana decisiva para juros globais pressiona mercados e eleva incertezas para o agronegócio

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A semana é considerada crucial para os mercados globais e para o agronegócio, com decisões de política monetária em diversas economias e aumento das tensões geopolíticas influenciando preços, câmbio e expectativas econômicas. Relatório do Rabobank aponta que o ambiente externo segue instável, com reflexos diretos sobre inflação, juros e custos de produção.

Conflito no Oriente Médio eleva risco global

O cenário internacional continua pressionado pela crise no Oriente Médio. Apesar da prorrogação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz permanece fechado, mantendo elevado o risco sobre o abastecimento global de petróleo.

Como consequência, o preço do barril do petróleo tipo Brent ultrapassa os US$ 100, o que impacta diretamente combustíveis, fertilizantes e logística — fatores críticos para o agronegócio.

Além disso, persistem incertezas relacionadas ao comércio global, com tensões tarifárias e desaceleração das principais economias.

Decisões de juros no radar

No centro das atenções está a política monetária. Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% pelo Federal Reserve.

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve dar sequência ao ciclo de flexibilização, com previsão de corte da taxa Selic para 14,50% ao ano.

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Apesar disso, o cenário exige cautela. A combinação de inflação pressionada, crescimento mais fraco e riscos externos elevados pode limitar a intensidade das reduções nos juros ao longo de 2026.

Inflação segue pressionada

Os dados recentes mostram que a inflação continua surpreendendo para cima. Os aumentos nos preços de combustíveis e alimentos já refletem os impactos do conflito internacional, com destaque para diesel, gasolina e itens básicos.

As expectativas inflacionárias seguem desancoradas:

  • 2026: 4,9%
  • 2027: 4,0%
  • 2028: 3,6%

Esse cenário reforça a necessidade de uma política monetária mais cautelosa, mesmo diante da desaceleração da atividade econômica.

Contas externas e investimentos

No setor externo, o Brasil mantém déficit em transações correntes de US$ 64,3 bilhões em 12 meses (2,7% do PIB).

Por outro lado, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) segue robusto, com entrada de US$ 75,7 bilhões no mesmo período, ajudando a financiar o déficit externo.

A balança comercial continua positiva, sustentada por exportações fortes, embora as importações permaneçam elevadas.

Câmbio e commodities em foco

O dólar encerrou a última semana próximo de R$ 4,98, com leve desvalorização do real.

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Para 2026, a projeção é de câmbio em torno de R$ 5,55, refletindo:

  • menor diferencial de juros entre Brasil e exterior
  • possível fortalecimento global do dólar

No mercado de commodities, o destaque é a alta da energia, enquanto produtos agrícolas apresentam desempenho misto.

Impactos diretos no agronegócio

O conjunto de fatores — juros, câmbio, petróleo e inflação — gera efeitos diretos sobre o agronegócio brasileiro:

  • Custos de produção mais altos, com pressão sobre diesel, fertilizantes e insumos
  • Frete mais caro, afetando a competitividade das exportações
  • Volatilidade cambial, impactando margens e planejamento
  • Crédito rural mais sensível, diante de juros ainda elevados

Mesmo com o Brasil se beneficiando parcialmente por ser exportador de commodities, o ambiente segue desafiador.

Perspectivas

O cenário para os próximos meses permanece marcado por incertezas. A evolução do conflito no Oriente Médio, o comportamento da inflação global e as decisões dos bancos centrais serão determinantes para o rumo da economia.

Para o produtor rural e agentes do setor, o momento exige atenção redobrada à gestão de custos, proteção financeira e estratégias de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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