AGRONEGÓCIO
Semana decisiva para juros globais pressiona mercados e eleva incertezas para o agronegócio
Publicado em
29 de abril de 2026por
Da Redação
A semana é considerada crucial para os mercados globais e para o agronegócio, com decisões de política monetária em diversas economias e aumento das tensões geopolíticas influenciando preços, câmbio e expectativas econômicas. Relatório do Rabobank aponta que o ambiente externo segue instável, com reflexos diretos sobre inflação, juros e custos de produção.
Conflito no Oriente Médio eleva risco global
O cenário internacional continua pressionado pela crise no Oriente Médio. Apesar da prorrogação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz permanece fechado, mantendo elevado o risco sobre o abastecimento global de petróleo.
Como consequência, o preço do barril do petróleo tipo Brent ultrapassa os US$ 100, o que impacta diretamente combustíveis, fertilizantes e logística — fatores críticos para o agronegócio.
Além disso, persistem incertezas relacionadas ao comércio global, com tensões tarifárias e desaceleração das principais economias.
Decisões de juros no radar
No centro das atenções está a política monetária. Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% pelo Federal Reserve.
Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve dar sequência ao ciclo de flexibilização, com previsão de corte da taxa Selic para 14,50% ao ano.
Apesar disso, o cenário exige cautela. A combinação de inflação pressionada, crescimento mais fraco e riscos externos elevados pode limitar a intensidade das reduções nos juros ao longo de 2026.
Inflação segue pressionada
Os dados recentes mostram que a inflação continua surpreendendo para cima. Os aumentos nos preços de combustíveis e alimentos já refletem os impactos do conflito internacional, com destaque para diesel, gasolina e itens básicos.
As expectativas inflacionárias seguem desancoradas:
- 2026: 4,9%
- 2027: 4,0%
- 2028: 3,6%
Esse cenário reforça a necessidade de uma política monetária mais cautelosa, mesmo diante da desaceleração da atividade econômica.
Contas externas e investimentos
No setor externo, o Brasil mantém déficit em transações correntes de US$ 64,3 bilhões em 12 meses (2,7% do PIB).
Por outro lado, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) segue robusto, com entrada de US$ 75,7 bilhões no mesmo período, ajudando a financiar o déficit externo.
A balança comercial continua positiva, sustentada por exportações fortes, embora as importações permaneçam elevadas.
Câmbio e commodities em foco
O dólar encerrou a última semana próximo de R$ 4,98, com leve desvalorização do real.
Para 2026, a projeção é de câmbio em torno de R$ 5,55, refletindo:
- menor diferencial de juros entre Brasil e exterior
- possível fortalecimento global do dólar
No mercado de commodities, o destaque é a alta da energia, enquanto produtos agrícolas apresentam desempenho misto.
Impactos diretos no agronegócio
O conjunto de fatores — juros, câmbio, petróleo e inflação — gera efeitos diretos sobre o agronegócio brasileiro:
- Custos de produção mais altos, com pressão sobre diesel, fertilizantes e insumos
- Frete mais caro, afetando a competitividade das exportações
- Volatilidade cambial, impactando margens e planejamento
- Crédito rural mais sensível, diante de juros ainda elevados
Mesmo com o Brasil se beneficiando parcialmente por ser exportador de commodities, o ambiente segue desafiador.
Perspectivas
O cenário para os próximos meses permanece marcado por incertezas. A evolução do conflito no Oriente Médio, o comportamento da inflação global e as decisões dos bancos centrais serão determinantes para o rumo da economia.
Para o produtor rural e agentes do setor, o momento exige atenção redobrada à gestão de custos, proteção financeira e estratégias de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
Published
6 horas agoon
27 de agosto de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
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