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Dólar recua em meio à expectativa de medidas do Banco Central

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O dólar abriu em queda na manhã desta quinta-feira (19), após encerrar o dia anterior com uma valorização de 2,82%, atingindo o recorde histórico de R$ 6,26. A baixa ocorre em meio à expectativa pelo leilão de venda de dólares à vista, promovido pelo Banco Central (BC) para conter a volatilidade no mercado cambial.

Além da ação do BC, investidores seguem atentos ao cenário fiscal brasileiro, em especial às medidas de contenção de despesas do governo federal, e ao Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo BC.

Cenário fiscal gera incertezas

A apresentação do parecer do relator Isnaldo Bulhões (MDB-AL) na Câmara dos Deputados trouxe modificações importantes ao pacote de cortes de gastos do governo. Entre as mudanças, foram amenizadas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e excluídas alterações no reajuste do Fundo Constitucional do Distrito Federal, o que reduz a projeção inicial de contenção de despesas.

O governo busca zerar o déficit público em 2024 e 2025, com expectativa de superávit a partir de 2026. Contudo, analistas de mercado permanecem céticos quanto à eficácia das medidas propostas para controlar o endividamento público. Declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçaram a percepção de que ajustes mais profundos, como na Previdência e nos pisos de investimento em saúde e educação, não estão no horizonte.

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Relatório de inflação e desdobramentos internacionais

O BC reconheceu oficialmente que a meta de inflação de 2024, fixada em 3%, não será cumprida pelo terceiro ano consecutivo. O intervalo permitido, entre 1,5% e 4,5%, não deve ser suficiente para ajustar a trajetória inflacionária.

No cenário externo, os mercados ainda repercutem a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de cortar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano. Embora esperada, a medida reflete incertezas quanto ao impacto da política econômica do presidente reeleito Donald Trump, cujo protecionismo pode pressionar a inflação global.

Cotações e desempenho do mercado

Às 09h02, o dólar recuava 0,33%, cotado a R$ 6,2464. Na véspera, a moeda acumulou alta semanal de 3,85% e avanço anual de 29,15%.

O Ibovespa, principal índice da B3, inicia suas operações às 10h, após registrar queda de 3,15% no dia anterior, encerrando aos 120.772 pontos. No acumulado do ano, o índice apresenta retração de 10%.

Próximos passos

O mercado segue monitorando a tramitação do pacote de cortes no Congresso e os desdobramentos das ações do Banco Central. Há expectativa de que novas votações sobre medidas fiscais ocorram ainda hoje, enquanto investidores aguardam sinais mais consistentes de controle fiscal e estabilidade econômica para os próximos meses.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño pode ampliar crise do crédito rural e pressionar agronegócio com mais de R$ 800 bilhões em dívidas

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A possibilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 acende um novo alerta para o agronegócio brasileiro. De acordo com projeções divulgadas por órgãos oficiais de monitoramento climático, há cerca de 60% de probabilidade de consolidação do evento nos próximos meses, cenário que pode intensificar os desafios enfrentados pelos produtores rurais em um momento marcado por elevado endividamento e restrição ao crédito.

A preocupação ganha relevância diante das estimativas discutidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que apontam para mais de R$ 800 bilhões em dívidas consideradas estressadas no setor agropecuário. Caso o fenômeno provoque perdas de produtividade e redução de renda nas propriedades rurais, especialistas avaliam que haverá aumento da demanda por prorrogação e renegociação de financiamentos rurais.

Fenômeno climático pode afetar produção em diferentes regiões

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando o comportamento das chuvas em diversas regiões do planeta. No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a localização.

Historicamente, a Região Sul registra volumes de chuva acima da média durante a atuação do fenômeno, enquanto áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem, veranicos prolongados e temperaturas mais elevadas.

A expectativa é que os impactos climáticos possam se estender até os primeiros meses de 2027, influenciando diretamente o desenvolvimento das lavouras e o desempenho econômico das atividades agropecuárias.

Excesso ou falta de chuva pode comprometer rentabilidade

Os reflexos do El Niño vão além das mudanças climáticas. No Sul do país, o excesso de precipitações pode prejudicar a colheita de culturas como trigo, café e cana-de-açúcar, além de favorecer o surgimento de doenças fúngicas e dificultar a operação de máquinas agrícolas.

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Em importantes regiões produtoras de soja e milho, a irregularidade das chuvas durante o plantio pode comprometer a germinação e o desenvolvimento inicial das lavouras, reduzindo o potencial produtivo e impactando diretamente a geração de receita nas propriedades.

Para muitos produtores, o momento é considerado delicado. Nos últimos anos, o setor acumulou perdas causadas por eventos climáticos extremos, enfrentou queda nos preços das commodities agrícolas, aumento dos custos de produção, elevação das taxas de juros e maior dificuldade de acesso ao crédito.

Legislação prevê prorrogação de financiamentos rurais

Segundo o advogado especialista em Direito do Agronegócio, Raphael Condado, o monitoramento das condições climáticas deve fazer parte da estratégia de gestão financeira das propriedades.

De acordo com o especialista, produtores que identificarem dificuldades para honrar compromissos financeiros em decorrência de perdas causadas por fenômenos climáticos devem buscar orientação e conhecer os mecanismos previstos na legislação para readequação das dívidas.

A possibilidade de prorrogação de operações de crédito rural está prevista no Manual de Crédito Rural (MCR), norma de cumprimento obrigatório pelas instituições financeiras e cooperativas de crédito que operam recursos destinados ao setor agropecuário.

O regulamento permite a extensão dos prazos de pagamento quando houver comprovação de dificuldades temporárias provocadas por fatores alheios à vontade do produtor, como frustração de safra decorrente de eventos climáticos adversos.

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A medida busca preservar a continuidade da atividade produtiva, evitando que problemas pontuais de fluxo de caixa se transformem em situações permanentes de inadimplência.

Atenção às renegociações oferecidas por instituições financeiras

Especialistas também recomendam cautela durante processos de renegociação de dívidas. Em alguns casos, produtores podem ser direcionados para modalidades de financiamento que não seguem as condições específicas previstas para o crédito rural.

Segundo Condado, a substituição inadequada de contratos rurais por operações bancárias convencionais pode resultar em encargos mais elevados e condições menos favoráveis ao produtor.

Nessas situações, a legislação prevê instrumentos para questionamento e eventual restabelecimento dos direitos garantidos pelas normas específicas do crédito rural.

Recuperações judiciais crescem e elevam cautela dos bancos

O aumento do endividamento também tem preocupado o sistema financeiro. Dados da Serasa Experian apontam que o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior número desde o início da série histórica.

O avanço das recuperações judiciais e dos índices de inadimplência tende a tornar bancos e cooperativas mais conservadores na concessão de novos financiamentos. Como consequência, a oferta de crédito pode ficar ainda mais restrita justamente em um setor altamente dependente de recursos financiados para custeio, investimento e comercialização da produção.

Diante desse cenário, a combinação entre riscos climáticos, elevado endividamento e crédito mais seletivo reforça a necessidade de planejamento financeiro e gestão de riscos por parte dos produtores rurais para a safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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