AGRONEGÓCIO

Caravana do Cipem reforça diálogo com o setor madeireiro no Noroeste de Mato Grosso

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Entre os dias 4 e 8 de agosto, o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem) promoveu a caravana “Cipem na Estrada – Do Manejo ao Mercado”, que percorreu os municípios de Cotriguaçu, Juruena, Brasnorte e Juína, na região Noroeste do estado. O presidente do Cipem, Ednei Blasius, liderou as visitas, dialogando diretamente com empresários e produtores para ouvir demandas e discutir os principais desafios do setor madeireiro.

Sobretaxa dos EUA preocupa indústria madeireira

Um dos temas centrais das conversas foi a sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida preocupa especialmente pela incidência sobre itens como decks e pisos produzidos sob medida para o mercado norte-americano. A empresária Vanessa Turela, de Juruena, destacou que a manutenção dessa tarifa pode prejudicar gravemente as empresas locais. Segundo ela, “esse mercado é muito importante, pois compra produtos com valor agregado, feitos conforme as especificações dos EUA. Sem essa demanda, é difícil redirecionar esses produtos para outros mercados.”

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Apelo por ação diplomática do governo brasileiro

Ednei Blasius defendeu uma postura firme do governo federal para reverter a sobretaxa. “Estamos diante de uma situação que impacta todo o país. O governo precisa superar divergências políticas e atuar diplomaticamente para suspender o mais rápido possível essa medida”, afirmou o presidente do Cipem.

Dificuldades na emissão de autorizações de exploração florestal

Outro ponto de preocupação levantado durante a caravana foi a demora na emissão das Autorizações de Exploração Florestal (Autex), que tem atrasado o início da safra de madeira. Como o manejo precisa ocorrer no período seco, os atrasos comprometem o planejamento das empresas. João Paulino, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras e Moveleiras do Noroeste de Mato Grosso (Simno), que acompanhou a caravana, pediu a desburocratização dos processos de licenciamento e autorização.

Condições precárias da rodovia MT-170

A situação da rodovia MT-170 também foi debatida. Sob responsabilidade do governo estadual, a estrada apresenta trechos com buracos, asfalto de baixa qualidade e partes sem pavimentação. Ednei Blasius visitou os pontos críticos e anunciou que vai protocolar um documento junto à Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) e órgãos competentes, cobrando soluções para os problemas. Ele lembrou que, apesar de ter sido federalizada para estadual, a rodovia é um dos principais acessos da região e rota estratégica para o escoamento da produção local.

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Participação na Expo Juína 2025

Durante a visita, o Cipem marcou presença na Expo Juína, maior feira de exposição do Noroeste de Mato Grosso, organizada pelo Sindicato Rural de Juína. O evento reuniu negócios, tecnologia e entretenimento, fortalecendo o relacionamento entre o setor produtivo e a comunidade local.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Regra que cruza desmatamento e crédito gera nova disputa no STF e acende alerta no agro

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A mudança nas regras do crédito rural, que passou a incorporar dados de monitoramento por satélite na análise de financiamento, levou o setor produtivo ao Supremo Tribunal Federal (STF) e abriu um novo flanco de disputa entre política ambiental e política agrícola.

A mudança foi publicada pelo portal Pensar Agro no último dia 9, leia aqui.

Nesta quarta-feira (15.04) a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil encontrou com ação questionando resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) que determinaram o uso de informações do sistema oficial de monitoramento do desmatamento (Prodes) como filtro nas operações de crédito para imóveis rurais acima de quatro módulos fiscais.

O ponto de conflito está na forma como a regra foi desenhada. Pelas normas, instituições financeiras devem considerar a existência de supressão vegetal apontada por satélite na análise de risco das operações. Na prática, isso introduz uma nova camada de verificação antes da liberação dos recursos.

Para o setor produtivo, o problema não está no monitoramento em si, mas na forma automática como a informação passa a impactar o crédito. O argumento é que o sistema não diferencia, de forma imediata, desmatamento ilegal de intervenções autorizadas, o que pode gerar bloqueios mesmo em propriedades regulares.

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Outro aspecto que pesa é o tempo de resposta. A ausência de prazos definidos para validação das informações e análise das justificativas apresentadas pelo produtor cria, segundo a entidade, um intervalo de incerteza em que o crédito simplesmente não chega. Em um setor dependente de calendário, esse atraso pode significar perda de janela de plantio ou redução de escala.

A discussão ganha relevância em um momento de maior restrição financeira no campo. Com juros elevados e avanço do endividamento, o crédito rural já opera com maior seletividade. A introdução de um novo filtro, ainda sujeito a inconsistências técnicas, tende a ampliar esse efeito.

Na leitura de agentes do mercado, a medida altera a lógica tradicional da política de crédito, que historicamente combina análise financeira com critérios produtivos. Ao incorporar um indicador ambiental como elemento de bloqueio prévio, a regra desloca parte do risco regulatório para dentro da operação.

A CNA sustenta que o modelo atual cria uma presunção de irregularidade antes da análise individual de cada caso, o que, na prática, transfere ao produtor o ônus de comprovar sua regularidade após a negativa de crédito. Para a entidade, isso contraria princípios básicos do direito administrativo e compromete a previsibilidade necessária ao financiamento da produção.

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O governo, por sua vez, vê a medida como instrumento de alinhamento entre crédito público e compromissos ambientais, em linha com exigências de mercado e acordos internacionais. A avaliação é de que o sistema contribui para coibir irregularidades e dar maior transparência às operações.

O desfecho da disputa deve definir o alcance dessa nova lógica. Caso o STF suspenda as resoluções, o crédito tende a voltar ao modelo anterior. Se mantidas, as regras devem consolidar um novo padrão, em que variáveis ambientais passam a ter peso direto na liberação de financiamento.

Para o produtor, o efeito é imediato: mais do que custo, o crédito passa a depender também da leitura de dados remotos e da capacidade de comprovar regularidade em tempo hábil. Em um setor guiado por janela de plantio e fluxo de caixa, essa variável pode fazer diferença entre produzir ou reduzir área na próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

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