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Agricultura regenerativa avança na Fazenda Paiaguás (MT) com projeto-piloto da RTRS

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A Fazenda Paiaguás, da SLC Agrícola, no Mato Grosso, se tornou referência no avanço da agricultura regenerativa no Brasil. A iniciativa faz parte do projeto-piloto da Round Table on Responsible Soy, que busca avaliar a adoção de práticas regenerativas em sistemas de produção de soja e coletar experiências para aprimorar o protocolo piloto da organização.

Fazenda Paiaguás: histórico e relevância na agricultura familiar e empresarial

Integrada à operação da SLC Agrícola desde 2000, a Fazenda Paiaguás possui 28.038 hectares de área própria e mais de 63 mil hectares plantados em rotação de soja, milho e algodão. A estrutura inclui infraestrutura completa e projetos sociais voltados às comunidades do entorno.

Em 2025, a unidade reportou 31.589 hectares e mais de 120 mil toneladas de soja certificada RTRS, consolidando-se como estratégica dentro do portfólio da companhia, tanto pelo desempenho produtivo quanto pela adoção de tecnologias e boas práticas de manejo.

Projeto-piloto da RTRS: métricas e práticas aplicadas em larga escala

Segundo Tiago Agne, gerente de Sustentabilidade da SLC Agrícola, a Fazenda Paiaguás é fundamental para testar os indicadores do protocolo em escala real. “A unidade gera dados consistentes que ajudam a calibrar indicadores e baselines mais realistas por região e por sistema produtivo”, explica.

A participação no piloto também organiza a gestão interna, permitindo que práticas regenerativas sejam avaliadas por indicadores de solo, clima, biodiversidade e água, transformando dados em planos de ação objetivos.

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Principais práticas de agricultura regenerativa adotadas

No campo, as práticas centrais já fazem parte da rotina operacional da Fazenda Paiaguás:

  • Plantio direto em praticamente 100% das áreas, sem revolvimento do solo
  • Rotação de culturas entre soja, milho e algodão, que reduz pragas e melhora a ciclagem de nutrientes
  • Manutenção de palhada, contribuindo para conservação de umidade e adaptação ao estresse hídrico
  • Uso de inoculantes em todas as fazendas e bioinsumos representando cerca de 16,7% do total de defensivos

Rafael Bellé, gerente da Fazenda, destaca que a combinação dessas práticas proporciona estabilidade produtiva e previsibilidade de resultados, reduzindo riscos climáticos e permitindo decisões mais assertivas com base em dados de solo e desempenho agronômico.

Aprimoramento do protocolo RTRS com base na realidade produtiva

A participação da Fazenda Paiaguás ajudou a aprimorar o protocolo de agricultura regenerativa da RTRS, integrando fatores técnicos e de mercado. Ana Laura Andreani, gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, afirma que a experiência da fazenda evidencia como a rotação com algodão influencia os resultados.

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Helen Estima Lazzari, consultora externa da RTRS, complementa que a avaliação não pode ser dissociada das condições econômicas e comerciais que impactam decisões de manejo. “Considerar essas variáveis é essencial para construir indicadores aplicáveis à realidade do produtor”, ressalta.

Certificação RTRS: base para evolução regenerativa

A SLC Agrícola tornou-se membro da RTRS em 2007, com certificação das primeiras unidades em 2011, sendo pioneira na América Latina. A Fazenda Paiaguás integra o programa desde 2015, mantendo a certificação de soja responsável.

Para Agne, a certificação estrutura processos, fortalece rastreabilidade e consolida disciplina operacional, criando base sólida para avançar na agenda regenerativa. Bellé acrescenta que o projeto-piloto amplia o foco para resultados em solo, clima, água e biodiversidade, conectando práticas ao impacto ambiental mensurável.

O gerente conclui: “Transformar práticas consolidadas em indicadores mensuráveis marca um novo estágio da produção responsável de soja no Brasil: da conformidade socioambiental à geração comprovada de impacto positivo em escala”.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Queda no preço do querosene de aviação anima setor agrícola, mas impacto deve ser gradual

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A redução de 14,2% no preço médio do querosene de aviação (QAV) anunciada pela Petrobras para junho foi recebida com otimismo pelo setor de aviação agrícola. No entanto, representantes da atividade avaliam que os efeitos positivos sobre os custos operacionais devem ocorrer de forma gradual, com reflexos mais consistentes no médio e no longo prazo.

A estatal informou uma diminuição equivalente a R$ 0,93 por litro no valor de venda do combustível para as distribuidoras. A medida ocorre após meses de forte pressão sobre os preços dos derivados de petróleo, influenciados principalmente pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelas oscilações do mercado internacional de energia.

Para a aviação agrícola, responsável por operações fundamentais no campo, como pulverização, semeadura, combate a incêndios e aplicação de insumos, o custo do combustível é um dos principais componentes das despesas operacionais.

Combustível representa parcela relevante dos custos da aviação agrícola

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), o querosene de aviação é utilizado por cerca de 30% da frota aeroagrícola brasileira e possui participação significativa nos custos das empresas do setor.

De acordo com o economista e diretor operacional do Sindag, Claudio Junior Oliveira, as aeronaves movidas a querosene de aviação Jet A-1 concentram grande parte das operações devido à elevada demanda de trabalho e à eficiência desse tipo de combustível.

A importância do insumo para a atividade faz com que qualquer oscilação nos preços tenha reflexos diretos sobre os custos da prestação de serviços ao agronegócio e, consequentemente, sobre a cadeia de produção de alimentos.

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Alta acumulada ainda pesa sobre o setor

Apesar do recente anúncio de redução, o setor ainda enfrenta os efeitos da forte valorização acumulada nos últimos meses.

Dados do Sindag apontam que o querosene de aviação registrou inflação de 51,6% em abril, alcançando preço médio de R$ 8,46 por litro. A entidade atribui esse movimento principalmente às incertezas geopolíticas internacionais e às oscilações no mercado global de petróleo.

A Petrobras também informou que, mesmo após o corte anunciado para junho, o combustível acumula alta de 54,5% em relação aos valores praticados em dezembro de 2025, o que representa um aumento de R$ 1,98 por litro no período.

Esse cenário tem pressionado especialmente as operações aeroagrícolas concentradas no Centro-Oeste, região que reúne importantes polos de produção de grãos, fibras e bioenergia.

Expectativa de melhora está no médio prazo

Embora a redução anunciada seja considerada positiva, o setor avalia que os efeitos não serão imediatos.

Segundo Claudio Oliveira, a expectativa é de que os benefícios cheguem gradualmente ao mercado, à medida que a redução seja incorporada pela cadeia de distribuição e reflita efetivamente nos custos operacionais das empresas.

A avaliação é de que o ambiente ainda permanece desafiador, principalmente devido à influência dos preços internacionais sobre o mercado brasileiro de combustíveis.

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Oriente Médio segue no radar do mercado

Mesmo com parte do abastecimento nacional não dependendo diretamente das rotas marítimas afetadas pelos conflitos internacionais, os preços praticados no Brasil continuam acompanhando as referências globais do petróleo.

Nesse contexto, o setor mantém atenção especial à situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o transporte mundial de petróleo e derivados.

Qualquer interrupção ou restrição ao fluxo de navios na região pode provocar novas pressões sobre os preços internacionais da energia e comprometer a trajetória de redução observada neste início de junho.

Custos seguem como desafio para o agronegócio

A redução do preço do querosene de aviação representa um sinal positivo para a aviação agrícola e para o agronegócio brasileiro, mas ainda não é suficiente para neutralizar o impacto das altas acumuladas nos últimos meses.

Com custos de produção elevados, juros ainda em patamares restritivos e um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas, o setor continua acompanhando de perto os movimentos do mercado de energia.

Para as empresas de aviação agrícola, a expectativa é que a queda anunciada pela Petrobras seja o início de um processo mais amplo de acomodação dos preços, contribuindo para melhorar a competitividade das operações que apoiam diretamente a produção agropecuária nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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