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Acordo Mercosul-União Europeia Cria Novas Oportunidades, mas Impõe Desafios ao Agronegócio de Goiás, Aponta Especialista

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A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia promete transformar o cenário do agronegócio brasileiro — especialmente em Goiás, um dos estados com maior peso na produção de carnes, grãos e na agroindústria.

De acordo com a advogada Márcia de Alcântara, especialista em Direito Agrário e Agronegócio do escritório Celso Cândido de Souza Advogados, o tratado cria um novo ambiente regulatório que exigirá preparo jurídico e estratégico dos produtores rurais.

O acordo ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e do Congresso Nacional. “A expectativa é que o Congresso brasileiro aprove o tratado até julho de 2026, permitindo que o regime de livre comércio comece a valer no segundo semestre do mesmo ano”, explica Márcia.

Segundo ela, o pacto estabelece regras mais integradas em áreas como sanidade animal, meio ambiente, aduana e propriedade intelectual, o que exigirá adaptação por parte do setor agropecuário goiano.

Redução de Tarifas Deve Aumentar Competitividade do Agro Goiano na Europa

Entre os principais benefícios do acordo, está a redução tarifária sobre produtos agropecuários, fator que tende a aumentar a competitividade das exportações goianas.

“No caso da carne bovina, por exemplo, a cota com tarifa reduzida favorece a posição do produto goiano frente a concorrentes internacionais”, destaca Márcia.

A especialista também vê potencial de crescimento em produtos de maior valor agregado, como carnes processadas, laticínios premium, derivados de soja e etanol de milho — este último em franca expansão na indústria goiana.

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Indicações Geográficas Fortalecem Produtos Típicos de Goiás

Outro ponto estratégico do acordo é o reconhecimento mútuo de indicações geográficas (IGs), instrumento que valoriza a origem e autenticidade de produtos regionais.

Márcia cita exemplos como a Cachaça de Orizona e o Açafrão de Mara Rosa, que poderão competir no mercado europeu com proteção jurídica contra falsificações e concorrência desleal. “Esses produtos passam a ser valorizados não apenas pelo preço, mas pela história, cultura e qualidade associadas ao território”, reforça.

Importação de Máquinas e Insumos Deve Baratear Custos e Acelerar Modernização Tecnológica

O tratado também promete reduzir custos de produção com a diminuição das tarifas sobre importação de máquinas, equipamentos e insumos veterinários europeus.

Segundo Márcia, essa abertura pode impulsionar a modernização tecnológica do campo, especialmente em atividades mecanizadas e na pecuária intensiva. “Tratores, colheitadeiras, medicamentos e vacinas devem ficar mais acessíveis, aumentando a produtividade. Mas será essencial atenção às regras de origem, garantias técnicas e estrutura contratual nas importações”, alerta.

Desafios Ambientais e Trabalhistas São os Maiores Obstáculos para o Agro Brasileiro

Apesar das oportunidades, a especialista alerta que o cumprimento das exigências ambientais, de rastreabilidade e trabalhistas impostas pela União Europeia representa um grande desafio.

“O Brasil já possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, com o Código Florestal e o Cadastro Ambiental Rural (CAR). O risco está em a Europa criar parâmetros próprios, que não dialoguem com a legislação nacional”, explica.

Outro ponto sensível são as salvaguardas aprovadas pelo Parlamento Europeu, que permitem suspender benefícios tarifários em caso de descumprimento de critérios. “Esses mecanismos não são arbitrários, mas introduzem risco regulatório que pode afetar o planejamento de longo prazo, especialmente em carnes, açúcar e etanol”, observa Márcia.

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Para mitigar esses riscos, ela recomenda contratos internacionais mais robustos, com cláusulas que prevejam repartição de riscos, revisão regulatória e definição clara de responsabilidades.

Pequenos e Médios Produtores Também Podem se Beneficiar — se Estiverem Preparados

Embora os grandes grupos e cooperativas estejam mais prontos para atender às exigências sanitárias e ambientais, Márcia acredita que médios e pequenos produtores também podem aproveitar o acordo.

“O acesso ao mercado europeu não será automático, mas é possível para quem estiver regularizado e inserido em cadeias exportadoras estruturadas, especialmente nos segmentos de maior valor agregado”, afirma.

Conclusão: Oportunidade Histórica para Quem Se Preparar Agora

Na avaliação da especialista, o acordo Mercosul-União Europeia não deve ser encarado como ameaça, mas como uma oportunidade estratégica para quem agir com antecedência.

“O tratado é um divisor de águas. Quem se organizar juridicamente, ambientalmente e comercialmente nos próximos anos poderá acessar um mercado exigente, mas com alto poder de compra. Já quem não se preparar, corre o risco de ficar para trás”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural: notificação prévia e provas técnicas são essenciais para garantir indenização ao produtor

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Com o avanço da colheita das lavouras de verão, especialmente da soja, produtores rurais devem redobrar a atenção aos procedimentos exigidos no seguro rural para garantir o direito à indenização em caso de perdas.

Em regiões afetadas por estiagem, como áreas do Sul do país, a recomendação central é clara: ao identificar prejuízos na lavoura, o produtor deve comunicar imediatamente a seguradora antes de iniciar a colheita.

Notificação prévia é obrigatória para vistoria

A comunicação do sinistro é condição indispensável para que a seguradora realize a vistoria técnica nas áreas atingidas. Sem esse aviso prévio, o produtor pode comprometer o processo de indenização.

Durante a vistoria, é fundamental que o produtor esteja acompanhado por um assistente técnico, que possa avaliar os laudos apresentados pela seguradora e evitar concordância automática em caso de divergências.

Segundo o advogado Roberto Bastos Ghigino, a produção de provas independentes é uma estratégia essencial para resguardar direitos.

Produção de provas próprias fortalece defesa do produtor

A orientação é que o produtor elabore um laudo agronômico próprio e mantenha todos os registros que comprovem os investimentos realizados na lavoura, como notas fiscais, contratos e relatórios técnicos.

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Essa documentação se torna ainda mais relevante em situações em que, por necessidade operacional, a colheita precisa ser iniciada antes da vistoria da seguradora.

Os registros podem ser decisivos em eventuais disputas administrativas ou judiciais, inclusive para demonstrar que não houve falhas de manejo.

Prazos legais devem ser observados

A legislação estabelece prazos importantes no processo de seguro rural:

  • A seguradora tem até 30 dias para se manifestar após o aviso de sinistro
  • Caso não haja resposta, pode perder o direito de recusar a indenização
  • Após o reconhecimento da cobertura, o pagamento deve ocorrer em até 30 dias

Em caso de negativa, a decisão deve ser formal e devidamente justificada. O produtor pode contestar, inclusive na Justiça.

Os prazos para ação judicial são:

  • Produtor segurado: até 1 ano após a negativa
  • Terceiros ou beneficiários: até 3 anos a partir do fato gerador
  • Código de Defesa do Consumidor pode favorecer o produtor

Decisões judiciais têm reconhecido a aplicação do Código de Defesa do Consumidor nos contratos de seguro rural, o que pode permitir a inversão do ônus da prova em determinadas situações.

Esse entendimento tende a favorecer o produtor em disputas com seguradoras, especialmente quando há divergência na avaliação dos danos.

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Principais motivos de negativa exigem atenção no campo

Entre os fatores mais comuns utilizados por seguradoras para negar indenizações estão:

  • Plantio fora do zoneamento agrícola
  • Descumprimento de exigências técnicas
  • Falta de documentação comprobatória

Por isso, manter controle rigoroso de todas as etapas da produção é fundamental para evitar problemas.

Áreas irrigadas exigem comprovação técnica adicional

Para lavouras irrigadas, a recomendação é ainda mais criteriosa. O produtor deve apresentar cálculos de capacidade hídrica ao longo do ciclo produtivo, comprovando que eventuais perdas ocorreram por fatores externos, e não por falhas de planejamento.

Orientação: prevenção e organização são decisivas

O seguro rural é uma ferramenta essencial de gestão de risco no agronegócio, mas sua eficácia depende diretamente do cumprimento das regras contratuais e da organização documental do produtor.

A adoção de boas práticas, como notificação imediata, acompanhamento técnico e produção de provas, é determinante para garantir o acesso à indenização e reduzir prejuízos no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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