AGRONEGÓCIO
Transformação da Cafeicultura Brasileira: O Impacto da Irrigação por Gotejamento no Setor
Publicado em
19 de março de 2025por
Da Redação
O mercado cafeeiro brasileiro de 2025 vive uma fase de transformação, impulsionada por uma demanda global crescente e pelas adversidades climáticas que impactam diretamente a produção. Neste contexto, a irrigação por gotejamento tem se consolidado como uma solução inovadora, oferecendo aos cafeicultores a possibilidade de aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e promover práticas mais sustentáveis.
Murilo Tosta, especialista agronômico da Netafim, destaca que a alta nos preços do café tem incentivado os produtores a buscar novas tecnologias. “O aumento nos preços tem motivado os cafeicultores a modernizar suas lavouras, adotando práticas mais eficientes. A irrigação, por exemplo, proporciona uma produção mais estável e de alta qualidade, independentemente das variações climáticas”, afirma Tosta.
Retorno do Investimento e Aumento da Produtividade
Investir em irrigação por gotejamento, de acordo com Tosta, traz retorno financeiro entre dois e quatro anos, dependendo de fatores como o tamanho da propriedade, as condições climáticas e o manejo adotado. “Um produtor do Cerrado Mineiro que dobrou sua produtividade, passando de 25 sacas por hectare para 50, e passou a comercializar como ‘café especial’, obteve retorno financeiro em cerca de dois anos”, explica o especialista.
Além de aumentar a produtividade, o sistema de irrigação por gotejamento oferece maior previsibilidade da colheita, permitindo aos produtores negociar melhores preços e mitigar riscos climáticos. “O grande diferencial da irrigação por gotejamento está na otimização da produção e na previsibilidade da colheita”, destaca Tosta.
Aumento da Produtividade e Qualidade
A irrigação por gotejamento pode dobrar ou até triplicar a produtividade do café. “Em áreas sem irrigação, a produtividade média varia entre 20 e 30 sacas por hectare. Com o gotejamento e um manejo adequado, esse número pode chegar a 50, 60 ou até 80 sacas por hectare”, explica Tosta. Além disso, a tecnologia reduz a bienalidade da produção, garantindo maior estabilidade ao longo dos anos.
A qualidade também é um ponto de destaque. O gotejamento mantém a umidade do solo em níveis ideais, o que resulta em uma florada mais homogênea e uma maturação uniforme dos frutos. “Com a água e os nutrientes no momento certo, a incidência de grãos verdes ou mal formados diminui, melhorando a qualidade da bebida e aumentando o percentual de grãos peneira alta”, afirma o especialista.
Sustentabilidade e Eficiência no Uso da Água
O sistema de irrigação por gotejamento se destaca pela sua eficiência no uso da água, essencial para a cafeicultura moderna e para a resiliência diante das mudanças climáticas. Em uma fazenda de Minas Gerais, por exemplo, a adoção do gotejamento reduziu significativamente o consumo de água, eliminou a erosão do solo e melhorou a saúde das plantas, reduzindo a necessidade de fertilizantes e defensivos. “A irrigação por gotejamento não só economiza água, mas também promove práticas agrícolas mais sustentáveis, preservando o solo e protegendo os recursos hídricos”, explica Tosta.
Casos de Sucesso no Brasil
Regiões cafeeiras do Brasil, como Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Espírito Santo e Oeste da Bahia, têm adotado com sucesso a irrigação por gotejamento. “No Cerrado Mineiro, onde a estação seca é bem definida, o gotejamento garante um suprimento hídrico contínuo, essencial para o pegamento da florada e o enchimento dos grãos”, afirma Tosta. No Espírito Santo, onde predomina o café conilon, a irrigação por gotejamento é fundamental devido à alta demanda hídrica dessa variedade.
Os resultados obtidos nessas regiões confirmam que, independentemente das condições climáticas, a irrigação por gotejamento se tornou uma ferramenta indispensável para garantir a produtividade e sustentabilidade da cafeicultura no Brasil.
Parceria Estratégica para o Futuro da Cafeicultura
A Netafim, pioneira em soluções de irrigação por gotejamento, tem se destacado como uma grande parceira dos cafeicultores brasileiros. A empresa oferece soluções completas, desde o projeto e instalação até o suporte técnico na operação dos sistemas de irrigação. “Entendemos que cada região e cada lavoura possuem suas particularidades, por isso trabalhamos com tecnologia de ponta e consultoria especializada para garantir máxima eficiência no uso da água e dos fertilizantes”, explica Tosta.
Com a crescente adoção do gotejamento na cafeicultura, a Netafim está ampliando sua presença e suporte técnico, assegurando que cada produtor tenha o acompanhamento necessário para aproveitar ao máximo os benefícios dessa tecnologia.
Para os produtores ainda hesitantes, Tosta é enfático: “Hoje, a imprevisibilidade climática é uma das maiores ameaças à produtividade e à qualidade do café. O gotejamento permite um controle preciso da água, e para quem já adotou essa tecnologia, a mudança foi definitiva. Com os preços do café em alta, este é o momento ideal para investir.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Published
19 horas agoon
18 de agosto de 2026By
Da Redação
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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