AGRONEGÓCIO
Supermercados enfrentam queda nas margens mesmo com lojas cheias e alta no fluxo de consumidores
Publicado em
19 de maio de 2026por
Da Redação
Os supermercados brasileiros vivem um cenário cada vez mais desafiador em 2026. Apesar do aumento no fluxo de consumidores nas lojas, o volume vendido por cliente diminuiu, pressionando as margens e exigindo mudanças rápidas na gestão do varejo alimentar.
O consumidor continua frequentando os supermercados, mas passou a comprar menos itens, priorizar produtos essenciais, substituir marcas tradicionais por opções mais baratas e fracionar as compras ao longo do mês. O comportamento já impacta diretamente o faturamento e a previsibilidade operacional das redes.
A inflação dos alimentos segue como um dos principais fatores por trás dessa mudança. Em março, o grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 1,56%, segundo dados do IBGE, influenciando de forma significativa o avanço do IPCA. Produtos como tomate, cebola, leite longa vida e carnes tiveram aumento nos preços e ampliaram a pressão sobre o orçamento das famílias.
Consumidor muda hábitos e reduz consumo de maior valor agregado
De acordo com Márcio Goulart, especialista em gestão supermercadista e porta-voz da Meta Contabilidade, o impacto vai além da inflação observada nas gôndolas.
Segundo ele, a perda do poder de compra faz com que os consumidores reduzam volumes, troquem marcas e priorizem apenas itens considerados essenciais. O reflexo imediato aparece na redução das vendas de produtos com maior valor agregado, o que compromete diretamente a rentabilidade das empresas.
O especialista destaca que, embora o fluxo nas lojas permaneça elevado, muitos supermercados registram crescimento nas vendas promocionais, mas com margens cada vez mais apertadas.
Outro movimento que ganha força é o fracionamento das compras. Famílias que antes realizavam grandes abastecimentos mensais passaram a dividir as compras em diferentes momentos do mês, acompanhando promoções e a entrada de renda. Para o varejista, isso dificulta o planejamento de estoque, reduz previsibilidade e aumenta os riscos operacionais.
Custos operacionais aumentam pressão sobre o setor supermercadista
Além da inflação dos alimentos, o varejo alimentar também enfrenta forte pressão nos custos operacionais. Despesas com energia elétrica, frete, embalagens e folha de pagamento continuam avançando e comprimindo ainda mais as margens.
O impacto é ainda maior nas redes regionais e supermercados de pequeno porte, que possuem menor escala de compra e menor poder de negociação frente aos grandes grupos do setor.
Dados acumulados do IBGE mostram que a inflação em 12 meses chegou a 4,14% até março, cenário que reduz a renda disponível das famílias e limita o consumo de produtos premium e categorias de maior valor agregado.
Supermercados reforçam marcas próprias e revisam estratégias
Diante desse ambiente mais competitivo, supermercados intensificam medidas para proteger a rentabilidade. Entre as principais estratégias adotadas estão o fortalecimento das marcas próprias, revisão do mix de produtos, foco em categorias de maior giro e controle mais rigoroso sobre desperdícios e rupturas.
O uso de indicadores internos também cresce dentro das operações. Redes supermercadistas passaram a acompanhar de forma mais detalhada a margem por categoria, desempenho de promoções e eficiência operacional.
Para especialistas do setor, o desafio do varejo alimentar em 2026 será equilibrar competitividade e rentabilidade em um ambiente de consumo mais cauteloso e extremamente sensível a preço.
A avaliação é de que o consumidor continua presente nas lojas, mas mudou profundamente seu comportamento de compra — exigindo respostas mais rápidas, estratégias mais eficientes e maior controle operacional das empresas supermercadistas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Published
38 minutos agoon
10 de setembro de 2026By
Da Redação
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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