AGRONEGÓCIO
Sistema produtivo criado pela RiceTec atinge alto potencial produtivo nas lavouras brasileiras
Publicado em
18 de abril de 2024por
Da RedaçãoDiante de uma demanda mundial crescente e uma cadeia produtiva com a necessidade de ser cada vez mais sustentável, tanto produtores de arroz quanto os desenvolvedores de tecnologias passam a ter mais responsabilidade com a qualidade e produtividade do grão, considerado o principal alimento da dieta mundial.
Por isso, técnicas agrícolas utilizadas pelos agricultores na produção de arroz como o preparo adequado do solo, o uso de sementes de qualidade, o controle de pragas e doenças, a irrigação, o manejo integrado de plantas daninhas e a rotação de culturas, são fundamentais para garantir uma produção eficiente e sustentável de arroz.
Nesse sentido, o planejamento antecipado e a escolha de sementes com alta qualidade genética têm importância fundamental no resultado e performance da lavoura. Para auxiliar nesse processo decisivo, a RiceTec – referência mundial em híbridos de arroz e melhoramento genético – mirou no mercado de desenvolvimento de tecnologias com tolerância a herbicidas em arroz e criou o sistema produtivo FullPage. A tecnologia marca uma nova geração de sementes com tolerância a herbicidas do grupo químico das Imidazolinonas (IMI) para semente de arroz.
Desenvolvida para oferecer maior segurança financeira e alimentar, a tecnologia FullPage vem sendo utilizada nas lavouras brasileiras nas últimas três safras do grão. Entre os destaques desse sistema produtivo está a cultivar XP117 FullPage, que apresenta como principais características o alto potencial produtivo, ciclo médio/longo entre 125 a 130 dias, qualidade industrial, tolerância ao acamamento e eficiente resposta a adubação.
Os híbridos FullPage mostram uma melhora acentuada na tolerância aos herbicidas IMI, melhorando a resposta da cultura durante condições adversas de desenvolvimento (luminosidade e temperaturas baixas), garantindo a expressão de seu potencial genético. Esta característica confere ao produtor o benefício de uma maior flexibilização da aplicação dos herbicidas bem como do início da irrigação da lavoura.
A cultivar XP117 é fruto de um longo trabalho de pesquisa e melhoramento genético, que começou em 2007, com o engenheiro agrônomo e doutor em melhoramento genético Clauber Mateus Priebe Bervald, que há quase duas décadas atua como melhorista de linhagens restauradoras da RiceTec. Aos 42 anos, filho e neto de produtores rurais que se dedicam ao cultivo de arroz e trigo, Clauber é apaixonado pelo que faz. “Fui duas vezes para a Índia e percebi que 2/3 da população tinha como cultura básica alimentar o arroz. Percebi que o que eu fazia ajudava a alimentar o mundo. Não existe melhor propósito numa profissão como este”, enfatiza Clauber.
A criação de uma nova variedade demanda um período longo de pesquisas, em média 12 a 15 anos, desde o processo inicial de cruzamento até a identificação do tipo de arroz que atende as necessidades dos diferentes segmentos da cadeia produtiva.
O XP117 foi o primeiro de uma nova geração de híbridos desenvolvidos pela equipe de pesquisa da RiceTec, com ênfase na heterose produtiva do híbrido. “Nossa missão era criar uma nova cultivar que tivesse qualidade industrial, tolerância ao acamamento, mas acima de tudo potencial produtivo, e isso os números de produtividade alcançados no campo com essa cultivar provam que o objetivo foi atingido”, explica o melhorista de linhagens da RiceTec.
A performance do híbrido nas lavouras brasileiras, sobretudo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina vem superando as expectativas, como destaca Jorge Iglesias, diretor da Granja 4 irmãos. “O híbrido XP117FP mostrou excelente produtividade, mais precoce que os materiais mais utilizados e com boa qualidade de grãos”. Localizada em Rio Grande (RS), a propriedade conta com mais de 60 anos dedicados ao cultivo da orizicultura, sendo uma das primeiras a testar a nova tecnologia. “Na safra passada, testamos o XP117 em uma área e já identificamos um resultado diferenciado no talhão utilizado. A qualidade foi muito boa, um grão sem barriga branca, sem gesso, baixo índice de defeitos e boa cocção. E tudo isso foi confirmado na safra 2023/24”, completa Iglesias.
Com sede em Houston, Texas (EUA), a RiceTec Inc. impulsiona a sustentabilidade da produção de alimentos por meio da tecnologia de sementes de arroz. No Brasil, a empresa está presente há mais de duas décadas com centro de pesquisa e desenvolvimento em Santa Maria e Capão de Leão (RS), respectivamente.
“A nossa missão é promover a sustentabilidade na produção de alimentos por meio de tecnologias presentes na semente do arroz. Neste sentido, a maior produtividade permite obter uma maior quantidade de arroz na mesma área e com a mesma quantidade de insumos, contribuindo desta forma com a ecoeficiência da cultura”, salienta José Plaza, diretor de operações da RiceTec para o Mercosul.
Fonte: AgroUrbano Comunicação
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Escassez de carne força recuo de Trump e abre nova oportunidade ao Brasil
Published
38 minutos agoon
23 de agosto de 2026By
Da Redação
A escassez de gado e a disparada do preço da carne nos Estados Unidos levaram Donald Trump a recuar temporariamente na política de proteção ao mercado interno. O presidente anunciou a abertura de uma cota adicional para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, sem a tarifa aplicada aos volumes que excedem os limites atuais, pelo prazo de 90 dias.
O volume equivale a mais do que toda a carne bovina vendida pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025. A medida, porém, ainda não representa uma venda garantida ao setor brasileiro. Trump não informou quais países fornecerão o produto e a ordem executiva que regulamentará a operação deverá ser assinada nas próximas duas semanas.
O Brasil aparece entre os principais candidatos a ocupar parte relevante dessa cota. O País tem escala de produção, frigoríficos habilitados e já é o segundo maior fornecedor externo de carne bovina ao mercado americano.
Em 2025, os Estados Unidos compraram 271,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, com receita equivalente a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, considerando a cotação atual de R$ 5,18. O mercado americano ficou atrás apenas da China entre os destinos do produto brasileiro.
O ritmo aumentou em 2026. Somente no primeiro semestre, o Brasil embarcou 205 mil toneladas para os Estados Unidos, alta de 13% sobre o mesmo período do ano passado. A receita avançou 29,8% e chegou ao equivalente a cerca de R$ 7 bilhões.
A importância da carne brasileira para os Estados Unidos não está apenas no volume. Grande parte dos embarques é formada por recortes bovinos magros e congelados usados pela indústria americana na produção de hambúrgueres e carne moída.
Os frigoríficos dos Estados Unidos misturam esses recortes importados com carne de maior teor de gordura obtida de animais terminados em confinamento. A combinação permite padronizar o percentual de gordura e aproveitar melhor a matéria-prima produzida no país.
Quando diminui o abate de vacas, também cai a oferta americana de carne magra destinada à moagem. É justamente nesse ponto que fornecedores como Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai se tornam necessários para a indústria.
O problema se agravou depois de anos de seca, aumento do custo da alimentação e redução do rebanho. Os Estados Unidos iniciaram 2026 com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor contingente em aproximadamente 75 anos. A recomposição não ocorre rapidamente, porque o pecuarista precisa reter fêmeas e esperar o nascimento e o desenvolvimento dos animais.
A oferta ficou ainda mais apertada com as restrições à entrada de gado mexicano por razões sanitárias e com o fechamento de unidades frigoríficas americanas. Ao mesmo tempo, o consumo permaneceu firme.
Em julho, o preço médio da carne moída nos Estados Unidos chegou ao equivalente a aproximadamente R$ 78,70 por quilo, alta de 10% em um ano. A inflação da proteína passou a pressionar o orçamento das famílias e ganhou peso político às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Trump afirmou que os fornecedores assumiram o compromisso de vender a carne abrangida pela medida com desconto de 25% sobre os preços de mercado. Ainda não está claro, porém, como essa redução será controlada nem quanto chegará efetivamente ao consumidor.
As 300 mil toneladas representam pouco mais de 2% do consumo anual de carne bovina dos Estados Unidos e cerca de 12% das importações projetadas para 2026. O volume pode aliviar a oferta de matéria-prima para a indústria, mas dificilmente resolverá sozinho o problema estrutural provocado pela redução do rebanho.
Para o produtor brasileiro, a abertura representa possibilidade de aumento da demanda por vacas, dianteiros e recortes destinados ao processamento. Se o Brasil conquistar parcela expressiva da cota, o movimento poderá melhorar o aproveitamento da carcaça, ampliar a procura dos frigoríficos habilitados e ajudar a sustentar o preço da arroba.
O benefício não será automático nem uniforme. O reflexo dependerá da participação reservada ao Brasil, das condições de venda, do número de plantas autorizadas e da margem dos frigoríficos. O compromisso de oferecer a carne com desconto também pode limitar o ganho obtido com a retirada da tarifa.
A oportunidade surge em momento importante para o setor. A China, maior compradora da carne brasileira, estabeleceu uma cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas, com sobretaxa de 55% para os volumes excedentes. A redução dos embarques chineses no segundo semestre aumentou a necessidade de encontrar destinos para parte da produção brasileira.
Os Estados Unidos podem absorver parte desse volume, mas o Brasil enfrentará concorrência de fornecedores que também produzem carne magra para processamento. A ausência de uma cota específica significa que preço, disponibilidade, logística e habilitação sanitária determinarão quem aproveitará a abertura.
A decisão também reforça a esperança de novos recuos sobre produtos brasileiros necessários à economia americana. O governo dos Estados Unidos já retirou ou reduziu tarifas de alimentos cuja produção doméstica é insuficiente, como café, sucos de frutas tropicais, cacau e especiarias, além de determinados fertilizantes.
O caso da carne mostra que, quando a tarifa encarece um produto indispensável e a oferta americana não consegue atender ao consumo, a proteção ao produtor local pode ceder lugar à necessidade de controlar a inflação. Esse argumento poderá fortalecer as negociações de outros setores brasileiros, embora cada redução dependa de uma decisão específica do governo americano.
Mais do que uma mudança definitiva na política comercial de Trump, o anúncio é uma resposta emergencial à falta de carne nos Estados Unidos. Para a pecuária brasileira, representa uma janela relevante de 90 dias, capaz de compensar parcialmente as restrições impostas pela China e ampliar a presença no segundo maior mercado comprador do País.
Fonte: Pensar Agro
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