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Semeadura de trigo avança lentamente no Paraná, apesar de preços atrativos

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Avanço lento da semeadura no norte do Paraná

A semeadura do trigo para a nova safra tem evoluído de forma gradual no norte do Paraná. De acordo com análise de pesquisadores do Cepea, embora os preços estejam em patamares considerados favoráveis aos produtores, o ritmo das atividades segue lento.

Incertezas sobre a área cultivada no Brasil

Mesmo com o cenário de preços atrativos, persistem dúvidas em relação à área que será efetivamente destinada ao cultivo do cereal no país. Esse ambiente de incerteza tem contribuído para a cautela dos produtores no planejamento da safra.

Instabilidade climática influencia decisão dos produtores

A instabilidade das condições climáticas, especialmente nas regiões Sul do Brasil, também tem influenciado as decisões dos agricultores. Muitos têm optado por priorizar outras culturas, em detrimento do trigo, na tentativa de reduzir riscos produtivos e financeiros.

Estimativas indicam redução na área plantada

Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), a área destinada ao cultivo de trigo no Paraná deve recuar 22% em comparação ao ciclo anterior, totalizando 886,7 mil hectares nesta temporada.

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Alta na produção impulsionada por ganhos de produtividade

Apesar da retração na área semeada, a expectativa é de crescimento na produção paranaense de trigo. O Deral projeta uma alta de 24% na colheita, alcançando 2,85 milhões de toneladas. Esse aumento está diretamente relacionado ao expressivo avanço na produtividade média, que deve crescer 56% em relação ao ano passado, atingindo 3,2 toneladas por hectare.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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