AGRONEGÓCIO
Paraná fortalece combate ao greening com união entre produtores, entidades e governo
Publicado em
24 de abril de 2025por
Da Redação
Estado de alerta: o greening ameaça os pomares paranaenses
Desde 2021, a citricultura do Paraná convive com o aumento da incidência do greening — também conhecido como Huanglongbing (HLB). A doença, altamente destrutiva, compromete plantações de laranja nas regiões Norte e Noroeste do Estado, levando à perda irreversível das árvores contaminadas. Diante do cenário preocupante, produtores rurais, o Sistema FAEP, entidades privadas e o poder público têm atuado de forma integrada para conter o avanço da praga.
O que é o greening
Causado pela bactéria Candidatus liberibacter e disseminado pelo inseto Diaphorina citri, o psilídeo, o greening é uma doença silenciosa, sem cura, e de difícil controle. O inseto vetor se alimenta de brotos e folhas novas das plantas cítricas. Quando os primeiros sintomas aparecem — folhas amareladas e frutos com manchas —, a planta já está gravemente comprometida e deixa de produzir.
“O greening representa um sério risco à citricultura paranaense. Por isso, o Sistema FAEP, junto a outras instituições públicas e privadas, está empenhado em orientar e apoiar os produtores na adoção das medidas necessárias para o enfrentamento da doença”, explica Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP.
Emergência fitossanitária decretada
Diante da gravidade do cenário, o governo estadual decretou, em dezembro de 2023, estado de emergência fitossanitária. A decisão visa ampliar os esforços de monitoramento e controle do HLB. De acordo com a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o greening já foi identificado em pomares de mais de 150 municípios. A principal preocupação é evitar que a doença avance para outras regiões produtoras.
“A planta infectada pode levar até um ano para manifestar sintomas. Quando os sinais aparecem, já é tarde para agir”, alerta Caroline Garbuio, responsável pelo Programa de Sanidade da Citricultura da Adapar. “Por isso, o foco deve estar na prevenção e no controle.”
Mobilização conjunta com criação de câmara setorial
Como resposta à crise, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) instituiu, por meio da Resolução 4/2024, a Câmara Setorial da Cadeia da Citricultura do Paraná. O colegiado reúne representantes da Adapar, IDR-Paraná, cooperativas, associações, consultorias, empresas do setor e o Sistema FAEP, com o objetivo de coordenar ações estratégicas contra a disseminação da doença.
“Houve uma mobilização efetiva entre produtores, técnicos, prefeituras e órgãos de fiscalização. O trabalho conjunto é essencial — nenhuma ação isolada seria suficiente para conter o avanço do greening”, destaca Elisangeles Souza, do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP.
Programa nacional e erradicação obrigatória
As ações adotadas no Paraná estão alinhadas ao Programa Nacional de Prevenção e Controle do HLB, instituído pela Portaria 317/2021 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Entre as diretrizes, destaca-se a erradicação obrigatória de plantas hospedeiras com até oito anos que apresentem sintomas da doença. As plantas devem ser eliminadas com corte rente ao solo, evitando a rebrota.
“Estamos erradicando todas as plantas infectadas em um raio de 4 km das áreas de produção comercial. Isso reduz o inóculo da doença e a população do inseto vetor”, explica Caroline Garbuio. Segundo ela, parcerias com prefeituras e secretarias municipais têm ampliado a efetividade das ações.
Resultados já aparecem no campo
As medidas adotadas começaram a apresentar resultados positivos. Foram realizadas operações denominadas Baixo Índice de Greening (BIG) Citrus em 24 municípios das regiões de Paranavaí, Maringá e Umuarama. Nessas operações, foram fiscalizados 300 pomares comerciais e 376 domésticos, com a erradicação de 57,1 mil plantas. Além disso, 254 comerciantes de mudas cítricas também foram fiscalizados.
Paraná como exemplo para outros estados
A experiência paranaense tem chamado a atenção de outros estados. Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde ainda não há registros da doença, solicitaram intercâmbio técnico para conhecer as práticas adotadas no Paraná. Técnicos desses estados serão enviados para aprender com as ações já implementadas.
Produtores relatam evolução no combate à doença
A engenheira agrônoma Marlene Fátima Calzavara, cuja família cultiva laranjas desde 1991 em Cruzeiro do Sul (PR), testemunhou a chegada do greening em 2006. Desde então, atua ativamente no enfrentamento à doença. Instrutora do Sistema FAEP e coordenadora da comissão de mulheres do Sindicato Rural de Paranavaí, ela relata que os surtos recentes trouxeram preocupação renovada.
“Foi desesperador ver as revoadas de insetos nos pomares. Mas o trabalho conjunto nos trouxe até aqui. Nunca imaginei que alcançaríamos esse nível de controle. As ações são um caminho sem volta”, declara. Marlene destaca ainda o apoio das prefeituras na fiscalização, o monitoramento dos psilídeos e o uso de inseticidas nas áreas contaminadas como fatores-chave no enfrentamento ao HLB.
Informação como ferramenta de combate
Para fortalecer a conscientização, o Sistema FAEP e a Adapar elaboraram um material gráfico educativo intitulado “Todos contra o greening”, que está sendo distribuído a citricultores, técnicos e servidores municipais. O folder, também disponível no site da FAEP, traz informações sobre identificação do psilídeo, sintomas da doença, estratégias de controle e boas práticas de manejo. Além disso, a publicação apresenta os endereços das Unidades Regionais de Sanidade (URS) da Adapar para denúncias e orientações.
“O alinhamento de esforços e a disseminação de informação técnica qualificada são fundamentais para conter o avanço da doença. O Sistema FAEP acredita que o conhecimento é uma arma poderosa nessa luta”, conclui Ágide Meneguette.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Festival da Pamonha mantém grande público e impulsiona economia na comunidade Rio dos Peixes
Published
2 horas agoon
20 de abril de 2026By
Da Redação
O penúltimo dia do 7º Festival da Pamonha da comunidade de Rio dos Peixes confirmou o impacto que o evento vem gerando na economia local e na valorização da cultura regional, reunindo milhares de visitantes e mantendo aquecida a cadeia produtiva do milho, principal base da festa. Com estimativa de até 5 mil pessoas por dia e o processamento de cerca de 40 toneladas ao longo da programação, o festival segue consolidado como uma vitrine para pequenos produtores e trabalhadores da região.
Neste terceiro dia, o movimento nas barracas reforçou o papel do evento como fonte de renda para dezenas de famílias. A estrutura ampliada e mais organizada foi percebida tanto por comerciantes quanto pelo público. A divisão dos espaços, separando pamonhas, lanches e doces, facilitou a circulação e melhorou a experiência de quem visita.
O secretário municipal de Agricultura, Vicente Falcão, avaliou o momento como positivo e destacou que o festival vem superando as expectativas em público e consumo. Segundo ele, o evento já ultrapassa o caráter local e ganha relevância estadual e até nacional, atraindo visitantes de diferentes regiões. “Os participantes são 100% moradores e pequenos produtores da comunidade, o que reforça o impacto direto na geração de renda”, pontuou.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fellipe Correa, destacou o papel estratégico do festival para o fortalecimento da economia local. “Além de gerar renda e valorizar a tradição, o Festival da Pamonha reforça a dimensão territorial e turística de Cuiabá, que se estende pela Estrada da Chapada até o Portão do Inferno. Toda essa região, incluindo os balneários e a comunidade de Rio dos Peixes, integra um circuito importante para o turismo da capital. Nesse contexto, o festival se consolida como uma referência do turismo gastronômico cuiabano”, afirmou.
Entre os expositores, a percepção também é de crescimento. O comerciante Rudnei dos Santos, que participa há quatro edições, classificou o dia como produtivo e destacou a organização como um dos diferenciais deste ano. Ele acredita que o fluxo ainda aumenta ao longo do dia e reforça que o festival é resultado de um trabalho coletivo. “A gente percebe que o público chega já sabendo onde encontrar o que quer, isso facilita muito”, afirmou. Experiente, ele também participa do concurso da melhor pamonha e atribui o sucesso ao cuidado com o preparo: “O segredo é fazer com amor”.
Para o público, a experiência vai além da gastronomia. O advogado Lucas Veloso, morador de Várzea Grande, retornou ao festival pela segunda vez e notou avanços na estrutura. “Eu já esperava algo bom, mas vi melhorias, principalmente na organização e na estrutura para comerciantes e visitantes. Isso incentiva a gente a voltar”, disse. Ele destacou ainda o interesse pelas apresentações culturais e a diversidade de sabores disponíveis.
A variedade, aliás, é um dos pontos mais comentados. De receitas tradicionais a versões mais criativas, como pamonha de pizza ou combinações com jiló e linguiça, o cardápio chama a atenção de quem chega. O professor Cláudio Vaz de Araújo, que conheceu o evento pela primeira vez durante uma viagem, elogiou tanto o sabor quanto a organização. “É fácil circular, escolher e experimentar. Dá vontade de voltar”, afirmou.
Apesar da avaliação positiva, algumas observações surgem como sugestões para as próximas edições. A conectividade foi um dos pontos citados por visitantes e comerciantes. A dificuldade de acesso à internet no local impacta principalmente pagamentos via Pix e a divulgação em tempo real nas redes sociais. O próprio secretário reconheceu a limitação, explicando que a alta demanda, com mais de 700 acessos simultâneos, sobrecarregou o sistema disponível. A prefeitura, segundo ele, já estuda melhorias para o próximo ano.
Outras sugestões envolvem aspectos pontuais da experiência gastronômica, como a manutenção da temperatura e frescor das pamonhas em determinados momentos de maior fluxo, sem comprometer a avaliação geral, que segue positiva.
Além da alimentação, o festival também conta com suporte na área da saúde. Equipes da Unidade de Saúde de Rio dos Peixes oferecem vacinação, atendimento odontológico, aferição de pressão arterial e testes de glicemia, sob coordenação da gerente Magda Oliveira. Paralelamente, socorristas e profissionais de enfermagem, coordenados pelo bombeiro civil Anderjan Santana, atuam com atendimentos emergenciais e serviços básicos, garantindo mais segurança ao público.
A programação segue até esta terça-feira (21), feriado de Tiradentes, quando será anunciado o resultado do Concurso da Melhor Pamonha. A expectativa é de que o último dia mantenha o alto fluxo de visitantes, encerrando mais uma edição marcada pela integração entre cultura, produção local e geração de renda.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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