AGRONEGÓCIO
Mercado de trigo trava no Sul do Brasil com impasse de preços e segue pressionado por cenário internacional em Chicago
Publicado em
7 de maio de 2026por
Da Redação
O mercado de trigo enfrenta um cenário de travamento nas negociações no Sul do Brasil, ao mesmo tempo em que acompanha a pressão baixista nas cotações internacionais na Bolsa de Chicago (CBOT). O descompasso entre preços pedidos por produtores e valores ofertados pela indústria, somado à baixa liquidez típica da entressafra, mantém o setor em ritmo lento e com poucas operações concluídas.
No ambiente externo, o avanço das condições das lavouras no Hemisfério Norte e a expectativa de maior oferta global continuam influenciando negativamente os contratos futuros, enquanto no mercado brasileiro a restrição de oferta ainda sustenta parcialmente os preços internos.
Impasse entre produtores e moinhos paralisa negociações no Sul
De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, o mercado de trigo no Rio Grande do Sul praticamente não avançou ao longo da semana. Produtores pedem cerca de R$ 1.350 por tonelada no interior, enquanto os moinhos alegam que os valores inviabilizam a operação industrial, principalmente diante da dificuldade de repasse no mercado de farinha.
Com estoques de maio já garantidos e parte de junho assegurada, a indústria reduziu a intensidade das compras para evitar maior pressão sobre os preços. O setor moageiro relata ainda dificuldades na comercialização da farinha, o que limita reajustes e mantém margens apertadas.
Na safra nova, foram registrados negócios pontuais em torno de R$ 1.250 CIF porto e CIF moinhos, com volume antecipado estimado em cerca de 40 mil toneladas entre operações industriais e exportação. O preço de balcão em Panambi permaneceu estável em R$ 62,04 por saca.
Santa Catarina e Paraná também registram baixa liquidez
Em Santa Catarina, o mercado segue lento e diretamente dependente do desempenho das vendas de farinha. As ofertas de trigo provenientes do Paraná e do Rio Grande do Sul avançaram para cerca de R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto o produto catarinense gira próximo de R$ 1.300 FOB.
No mercado de balcão, os preços permaneceram estáveis em algumas regiões, com altas pontuais em municípios como Chapecó, Joaçaba e Canoinhas.
Já no Paraná, a comercialização também ocorre em ritmo reduzido. Os moinhos trabalham com indicações entre R$ 1.370 e R$ 1.430 CIF para entregas em junho, enquanto vendedores seguem pedindo valores mais elevados. Para a safra nova, as ofertas de compra variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB para entrega em setembro.
Chicago recua com expectativa de maior oferta global
No cenário internacional, o trigo opera em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionado por expectativas de maior oferta global e condições favoráveis das lavouras de inverno nos Estados Unidos.
Por volta das 9h40 (horário de Brasília), os contratos futuros registravam quedas generalizadas: o vencimento maio/26 era negociado a US$ 5,97/bu, com recuo de 8 pontos; julho/26 a US$ 6,10/bu, queda de 6 pontos; setembro/26 a US$ 6,25/bu, baixa de 7 pontos; e dezembro/26 a US$ 6,47/bu, também com desvalorização de 7 pontos.
Além disso, o mercado internacional segue pressionado pela forte competitividade do trigo russo e de países da região do Mar Negro, que mantêm ampla oferta no comércio global. A valorização do dólar frente a outras moedas também reduz a competitividade do produto norte-americano nas exportações.
Mercado brasileiro ainda sustentado pela entressafra
Apesar da pressão externa, o mercado doméstico brasileiro segue relativamente sustentado pela oferta restrita típica do período de entressafra. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços do trigo em grão avançaram ao longo de abril devido à baixa disponibilidade e à postura cautelosa dos produtores, que aguardam melhores condições de venda.
Compradores com necessidade imediata acabam aceitando valores mais elevados, o que ajuda a sustentar as cotações internas, mesmo diante do cenário internacional negativo.
No segmento de derivados, o Cepea aponta pressão sobre o farelo de trigo, influenciado pela demanda mais fraca e pela concorrência com substitutos. Já os preços das farinhas apresentam maior estabilidade nas últimas semanas.
Perspectiva do mercado
O cenário atual indica um mercado de trigo dividido entre a pressão internacional de baixa e a sustentação interna causada pela oferta limitada no Brasil. No curto prazo, analistas apontam que a evolução da nova safra e o comportamento das importações serão determinantes para definir a direção dos preços no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra de café em Minas Gerais avança com expectativa de recuperação produtiva e pressão nos preços
Published
3 minutos agoon
13 de maio de 2026By
Da Redação
A safra de café 2026 em Minas Gerais avança com perspectiva de recuperação produtiva e melhora na qualidade dos grãos, segundo novo levantamento divulgado pelo Sistema Faemg Senar. Apesar do cenário mais positivo no campo, produtores seguem cautelosos diante da volatilidade do mercado internacional, da pressão sazonal da colheita e das incertezas climáticas para os próximos meses.
De acordo com o informativo de mercado do café referente a maio de 2026, a safra mineira está na fase preparatória para a colheita, embora algumas regiões já apresentem trabalhos bastante avançados.
Colheita de café avança no Cerrado Mineiro e Matas de Minas
Segundo os relatos de campo apresentados no levantamento, regiões como Matas de Minas e Cerrado Mineiro já registram avanço significativo da colheita devido à altitude, utilização de variedades mais precoces e aplicação de maturadores.
A expectativa do setor é de uma safra maior em relação ao ciclo anterior, com recuperação da produtividade e melhora na qualidade física dos grãos.
Os técnicos apontam que os cafés apresentam peneira maior e melhor formação, cenário que pode favorecer o rendimento industrial e ampliar o potencial para produção de cafés especiais em Minas Gerais.
Mercado futuro do café oscila com expectativa de maior oferta brasileira
No mercado internacional, os contratos futuros do café arábica negociados na ICE Futures US registraram forte volatilidade durante abril.
Segundo o relatório, o movimento refletiu ajustes técnicos provocados pela expectativa de avanço da colheita brasileira — fator considerado baixista — ao mesmo tempo em que preocupações climáticas e estoques globais ainda apertados ofereceram sustentação às cotações.
A média mensal do contrato maio/2026 ficou em US$ 3,00 por libra-peso, equivalente a aproximadamente R$ 1.996,70 por saca, retração de 3% frente ao mês anterior.
Mesmo com expectativa de safra maior no Brasil, o mercado ainda não trabalha com cenário confortável de oferta global, o que mantém a volatilidade elevada nas negociações internacionais.
Mercado físico do café em Minas Gerais registra queda nos preços
No mercado físico brasileiro, os preços também recuaram em abril, embora as negociações tenham permanecido relativamente sustentadas pela postura cautelosa dos produtores.
Segundo o levantamento, muitos cafeicultores seguem segurando parte das vendas à espera de preços mais atrativos.
O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada para café arábica tipo 6 bebida dura registrou média mensal de R$ 1.811,90 por saca, queda de 6,3% no período.
Entre as regiões produtoras de Minas Gerais, todas encerraram abril em baixa:
- Montanhas de Minas: queda de 7,2%, com média de R$ 1.685,50/sc;
- Chapada de Minas: retração de 2,8%, média de R$ 1.735,00/sc;
- Cerrado Mineiro: média de R$ 1.871,40/sc, queda de 4,5%;
- Sul de Minas: média de R$ 1.861,60/sc, baixa de 5,6%.
Clima e risco de geadas seguem no radar do setor cafeeiro
As condições climáticas continuam sendo um dos principais fatores de atenção para os produtores de café em Minas Gerais.
O relatório aponta que maio marca a transição entre o período úmido e o seco nas regiões cafeeiras do estado, com redução gradual das chuvas e temperaturas ainda acima da média.
No entanto, a entrada de frentes frias aumenta o risco de ocorrência de geadas, especialmente nas áreas produtoras de café arábica.
O setor acompanha de perto a evolução do clima, já que eventuais episódios de frio intenso podem afetar a produtividade e a qualidade das lavouras durante a fase de colheita e desenvolvimento final da safra.
Especialistas recomendam que os produtores monitorem simultaneamente o mercado físico, os contratos futuros e as previsões meteorológicas para melhorar a gestão comercial e reduzir riscos diante da volatilidade atual do setor cafeeiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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