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Manejo da resistência nas lavouras deve ser uma responsabilidade compartilhada

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Somente a atuação conjunta do setor produtivo, indústria, revendas, assistência técnica e órgãos governamentais conseguirá evitar o problema da resistência de pragas doenças e plantas daninhas nas lavouras de Mato Grosso. Essa é a opinião de especialistas que discutem o assunto durante o III Seminário Mato-grossense sobre Manejo de Resistência, que está sendo realizado no auditório Cloves Vettorato, em Cuiabá (MT), nos dias 31/10 e 01/11.

Durante o primeiro dia do evento, promovido pelo IMAmt, Fundação MT e Embrapa, o painel de abertura trouxe uma visão holística sobre a resistência. As causas do aumento da pressão de seleção de indivíduos resistência e as ferramentas disponíveis para evitar o problema foram apresentadas e discutidas pelos participantes.

A resistência surge por meio de processos de mutação gênica em populações de insetos, fungos ou plantas daninhas decorrentes do uso sucessivo de um mesmo princípio ativo, ou do uso de subdoses, e da falta de observação de cuidados recomendados, como o uso das áreas de refúgio, por exemplo. O cruzamento de indivíduos resistentes forma populações com resistência.

De acordo com Marcelo Lima, da Agbiotech, há mais de 8.000 casos de populações de pragas resistentes a algum princípio ativo no mundo. Somente no Brasil já foram identificadas mais de 300 populações resistentes.

Ramiro Ovejero, da Bayer, destacou que o desenvolvimento de novos produtos leva de 10 a 12 anos, não sendo possível contar somente com as inovações da indústria e com o controle químico como forma de conter o problema. De acordo com ele, são lançadas novas marcas, mas com os mesmos princípios ativos, o que não resolve o problema.

Da mesma forma, Goran Kuhar, da Crop Life Brasil, alertou que o tempo para desenvolvimento e aprovação de um evento transgênico é ainda maior, podendo superar os 16 anos.

Diante desse cenário, no qual não há uma única solução milagrosa, os palestrantes destacaram a necessidade de um esforço coletivo, no qual diferentes atores compartilham as responsabilidades.

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“Programa de manejo de resistência funciona melhor quando todo mundo participa. Não é uma questão que envolve apenas indústria e produtor”, disse Ramiro Ovejero citando o papel da pesquisa, do desenvolvimento industrial, da disponibilização de produtos no mercado, da regulamentação governamental, da extensão, dos programas educacionais e de treinamento e dos programas de benefícios.

Apresentando o elevado número de espécies de fungos, plantas daninhas, insetos e nematoides aos quais as plantas estão expostas, Goran Kuhar lembrou que cerca de 40% de danos já são previamente esperados em uma lavoura. Para reduzir as perdas, devem ser usados diferentes recursos, como a biotecnologia, os insumos biológicos, a rotação de moléculas e a capacitação das pessoas que fazem as aplicações.

Ele mencionou como nova oportunidade de prevenção de resistência o Programa Nacional de Habilitação de Aplicadores de Agrotóxicos, Aplicador Legal. O programa exigirá a capacitação de todos os profissionais que atuam na pulverização das lavouras, abrindo a possibilidade de se abordar a questão da resistência nos treinamentos e de melhor orientar sobre as boas práticas que contribuem para evitar a pressão de resistência.

O uso de bioinsumos também se mostra como uma estratégia de grande eficiência. De acordo com Marcelo Lima, os biológicos têm menor probabilidade de adquirir resistência, uma vez que possuem diferentes modos de ação. Pesquisas apresentadas por ele demonstram que também ainda não foram identificados casos de resistência cruzada com eventos Bt.

Refúgio

Outra estratégia de manejo de resistência com grande relevância é o uso de área de refúgio. Porém, os palestrantes destacaram o fato dessa estratégia estar sendo negligenciada no Brasil. De acordo com Goran Kuhar, levantamento feito pela Crop Life Brasil e ainda não publicado mostra que 90% dos produtores sabem o que é e para que serve o refúgio, mas menos de 10% deles afirmam fazê-lo. As justificativas são variadas, passando pela falta de insumos no mercado, dificuldade operacional e baixa percepção sobre a eficácia da medida.

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Renato Horikoshi, da Bayer, reforçou essas informações mostrando que a média de uso de soja com biotecnologia Bt vem crescendo no Brasil, chegando a 90% na última safra. Em alguns estados esse percentual supera os 95%. Números bem superiores aos 20% que deveriam ser dedicadas ao refúgio nesta cultura.

Áreas de refúgio são aquelas plantadas com cultivares sem a tecnologia Bt. Lagartas suscetíveis ao Bt conseguem sobreviver nessas áreas e cruzam com indivíduos que sofreram mutação e adquiriram resistência. Neste cruzamento há maior chance de gerar descendentes suscetíveis do que no cruzamento entre dois indivíduos resistentes.

Proposição de consórcio

Moderador do painel de abertura, o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Rafael Pitta aproveitou o evento, reunindo representantes de instituições de pesquisa, das indústrias, das empresas e de grandes grupos produtores, para propor a criação de um consórcio estadual de manejo de resistência, com participação de todos esses atores.

“Mato Grosso é o estado com maior produção agropecuária no país. Por que não ser pioneiro na formação de um consórcio anti-resistência? Seria um consórcio para promover ações de monitoramento regionalizadas, pesquisa e transferência de tecnologia. Um consórcio reunindo pesquisa, setor produtivo, indústrias e revendas”, sugeriu o pesquisador.

A ideia foi bem aceita pelos participantes e poderá ser mais discutida para viabilizar a implementação.

Seminário

Esta é a terceira edição do Seminário Mato-grossense sobre Manejo de Resistência. Assim como nas edições anteriores, o evento busca apresentar resultados de pesquisas realizadas no estado, discutir as estratégias de manejo e possibilitar a interação entre diferentes atores do setor produtivo.

A edição deste ano é promovida pelo IMAmt, Fundação MT e Embrapa. Conta com patrocínio da Abbiotech e da Sumitomo Chemical. Apoiam o evento a Bayer, a CropLife Brasil, Ihara, HracBR, Frac e Irac.

No segundo dia, os painéis discutirão a resistência em plantas daninhas e em doenças.

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril

Fonte: Portal do Agronegócio

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Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra

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Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.

O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.

O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.

A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.

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No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.

Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.

No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.

O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.

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Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.

A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.

Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.

Fonte: Pensar Agro

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