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Quais são os fatores de influência na dinâmica dos preços domésticos no Brasil? Confira análise da hEDGEpint

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Analisando dados diários de abril de 2008 a fevereiro de 2024, observa-se uma forte correlação positiva entre a arb NY-LN e o spread Ara-Con em USD/sc, influenciado pela dinâmica global de oferta e demanda de arábica e robusta. A correlação é mais fraca com o spread Ara-Con em BRL/sc devido às flutuações cambiais.

Examinando a evolução de 2022 a 2024, o spread em USD/sc está 30% abaixo da média histórica, favorecendo o arábica para os compradores internacionais, enquanto o spread em BRL/sc está 12% acima da média, favorecendo as vendas de conilon no mercado interno.

As correlações históricas enfrentaram interrupções em 2010 e mais significativamente entre 2016 e 2018, atribuídas à dinâmica fluida característica do mercado brasileiro e à recuperação do fenômeno El Niño.

Observamos que as tendências futuras podem depender da disponibilidade do conilon no ciclo 24/25, influenciadas pelas decisões de blend, produção e dinâmica de preços. O potencial para uma menor correlação entre os mercados interno e externo do Brasil é delineado, mas permanece incerto.

Neste relatório, a hEDGEpoint Global Markets aprofunda na relação entre a arbitragem NY-LN e o spread local entre os preços do arábica e do conilon no Brasil.

“Primeiro, vamos entender as séries que serão utilizadas para esta análise: i) a arbitragem diária (ou diferença) entre os preços do arábica em NY e os preços do robusta em LN, em c/lb, e ii) o spread entre os preços de referência locais do arábica (tipo 6, SP/MG) e conilon (13Up, Vit-ES), tanto em BRL/sc quanto em USD/sc, divulgados pelo Cepea”, explica Natália Gandolphi, analista de Café da hEDGEpoint.

“Primeiro, olhando para a distribuição diária usando dados de abril de 2008 a fevereiro de 2024, podemos observar que a arb NY-LN e o spread Ara-Con em USD/sc estão forte e positivamente correlacionados. Naturalmente, os S&D globais do arábica e do robusta terão impacto na arbitragem NY-LN, e essa dinâmica irá repercutir-se no maior produtor e exportador de café do mundo, o Brasil”, observa.

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E prossegue: “Portanto, é lógico que as duas séries se correlacionarão bem. A correlação com o spread Ara-Con BRL/sc é menor, com o impacto da moeda brasileira afetando a relação (a correlação histórica entre NY-LN Arb e spread Ara-Con em USD/sc é de 0,95, enquanto para BRL/sc é 0,67)”.

Agora, é preciso analisar os desenvolvimentos do spread Ara-Con. Considerando dados de 2002 a 2024, o spread em USD/sc atingiu o pico em 2011, enquanto o spread BRL/saca atingiu o pico em 2022, apesar de ambos apresentarem padrões muito semelhantes. Atualmente, o spread USD/saca está 30% abaixo da média histórica (32 USD/saca vs. 46 USD/saca), enquanto o spread BRL/saca está 12% acima da média histórica (160 BRL/saca vs. 143 BRL/saca).

Segundo Natália, “isto sugere, portanto, que atualmente há mais incentivos para os compradores internacionais escolherem o arábica em vez do conilon (já que a diferença entre os dois em dólares por saca é inferior à média). No mercado interno, porém, a diferença entre os preços favorece o conilon, embora a diferença seja mais estreita e, portanto, mais sujeita a alterações”.

Agora que as séries utilizadas nesta análise foram compreendidas, bem como seus próprios padrões, vejamos seus resultados de correlação versus a arbitragem NY-LN.

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Historicamente, o spread USD/sc tem uma correlação mais forte (conforme explicado anteriormente neste texto). Ainda assim, há dois momentos em que ambos perderam fortemente a correlação com o arb NY-LN. O primeiro momento foi em 2010, enquanto o segundo, mais substancial e que durou mais tempo, ocorreu entre 2016 e 2018.

“Isto aconteceu porque a arb NY-LN recebeu apoio, enquanto os spreads locais não seguiram o exemplo, devido à característica implícita observada no Brasil. Sendo este o maior produtor/exportador global, também um dos principais países em números de consumo: a decisão de exportar ou consumir um determinado tipo de café localmente é mais fluida do que em outras origens, que geralmente se concentram no arábica ou no robusta, também não têm uma classificação tão elevada quanto a do Brasil em termos de consumo”, pontua.

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Em 2016, o Brasil e o Vietnã foram ambos afetados pelo fenômeno El Niño – embora os dois países tenham eventualmente recuperado, especialmente no ciclo 18/19, e especialmente o Brasil. Demorou para que a correlação entre o mercado local no Brasil e os preços internacionais voltasse aos níveis normais.

“Atualmente, com uma dinâmica muito mais fluida entre o que é exportado e o que é consumido internamente no Brasil, e a mesma expectativa de uma taxa de recuperação mais rápida para o Brasil em comparação com o Vietnã, surge a questão: até que ponto a correlação pode reduzir entre a arbitragem NY-LN e os spreads locais no Brasil?”, pondera.

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Em última análise, dependerá fortemente da disponibilidade final do conilon no ciclo 24/25. As decisões combinadas – que se refletem nas exportações – estão vinculadas primeiro à disponibilidade total (produção + estoques) e, em segundo lugar, à dinâmica dos preços.

Neste ponto, o arábica parece ter sido menos afetado pelo El Niño quando comparado ao conilon, semelhante ao que aconteceu entre 14/15 e 16/17 (queda acumulada de 20% na produção de arábica, queda acumulada de 49% na produção de conilon), embora o impacto da quebra na colheita em si não é comparável.

Portanto, os ingredientes para uma menor correlação entre o mercado interno e externo no Brasil estão definidos, mas ainda é incerto se o mercado trará energia suficiente para a equação.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro argentino deve gerar US$ 36,1 bilhões em 2026 com avanço da soja e do milho, projeta Bolsa de Rosario

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O setor agropecuário da Argentina deve voltar a desempenhar papel decisivo na geração de dólares para a economia em 2026. A combinação entre aumento da produção de grãos e recuperação parcial dos preços internacionais elevou as projeções de exportação, em um momento em que o país segue altamente dependente da entrada de divisas externas para equilibrar suas contas.

Segundo estimativas divulgadas pela Bolsa de Comércio de Rosario, a liquidação de divisas do agronegócio argentino deve atingir US$ 36,111 bilhões em 2026. O valor representa um acréscimo de cerca de US$ 800 milhões em relação à projeção anterior e praticamente repete o desempenho estimado para 2025, mantendo o complexo agroexportador como principal fonte de dólares da economia argentina.

Soja e milho lideram revisão positiva da safra

A revisão para cima das projeções está diretamente relacionada ao desempenho esperado das principais culturas do país, especialmente soja e milho.

De acordo com a atualização do GEA-BCR, a produção de soja na safra 2025/26 foi estimada em 50 milhões de toneladas, um aumento de 2 milhões em relação à projeção anterior. Já o milho teve sua estimativa elevada para 68 milhões de toneladas, avanço de 1 milhão frente ao cálculo divulgado em abril.

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Com maior disponibilidade de grãos, o setor industrial argentino tende a ganhar fôlego ao longo do ciclo. A moagem de soja deve crescer cerca de 1 milhão de toneladas, sustentando o processamento local e ampliando a oferta de derivados. No comércio exterior, as exportações de farelo e óleo de soja também devem registrar expansão. No caso do milho, a projeção indica incremento de aproximadamente 500 mil toneladas nas vendas externas.

Cotações e fluxo de exportação sustentam receitas

Além do aumento da produção, o cenário internacional mais favorável também contribui para o reforço das receitas do agro argentino. A recuperação recente das cotações de diversas commodities agrícolas elevou o valor estimado das exportações, fortalecendo a entrada de divisas no país.

O cálculo da Bolsa de Rosario considera tanto as liquidações realizadas no Mercado Livre de Câmbio quanto as operações via Contado com Liquidação, mecanismo amplamente utilizado por exportadores argentinos.

Entrada de dólares ainda abaixo de 2025 no início do ano

Apesar da perspectiva positiva para o ano fechado, o fluxo de divisas nos primeiros meses de 2026 ainda apresenta desempenho inferior ao observado no mesmo período do ano anterior.

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Entre janeiro e abril, o setor agroexportador argentino aportou cerca de US$ 8,516 bilhões, abaixo dos mais de US$ 9 bilhões registrados no primeiro quadrimestre de 2025. Segundo analistas, a diferença está ligada a fatores como o efeito residual da redução temporária de retenções, antecipação de vendas no ciclo anterior e o ritmo mais lento da colheita em abril.

Ainda assim, o mercado projeta que a aceleração da safra ao longo dos próximos meses tende a compensar parcialmente esse atraso, consolidando o agro como pilar central da geração de divisas da Argentina em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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