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Hedgepoint atualiza estimativa de safra de cana 24/25 do Centro-Sul para 620Mt, mas reduz mix para 50,3%

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Nos últimos dias, os contratos do açúcar recuaram com força, especialmente refletindo um cenário mais positivo no Hemisfério Norte. As perspectivas de melhora da produção na Índia e na Tailândia trouxeram o contrato de outubro do açúcar bruto aos níveis mais baixos desde 3 de junho. No entanto, a demanda pelo adoçante segue firme, com o Brasil sendo o principal exportador para este período.

A Hedgepoint Global Markets discute mais detalhadamente a última atualização sobre a safra do Centro-Sul do Brasil. “O último relatório da Unica, divulgado em 11 de julho, destacou dois aspectos importantes da safra 24/25. Primeiro, o mix de açúcar permaneceu abaixo de 50% durante a segunda quinzena de junho, tornando extremamente difícil manter a expectativa de mais de 51% para a temporada. Em segundo lugar, é provável que o volume de cana seja maior”, diz Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da Hedgepoint.

“Com relação ao mix de açúcar, temos superestimado seu nível. Considerando essa tendência, parece razoável revisar nossas estimativas. Incorporando os números realizados, um valor mais próximo de 50,3% para o mix de açúcar no final da temporada está mais alinhado com os dados atuais. Observe que isso não se deve a uma mudança nas decisões de maximização de lucro das usinas, já que o etanol continua longe de ser uma ameaça ao açúcar”, ressalta a analista.

E continua: “Em vez disso, essa tendência é um resultado direto da cana de qualidade inferior – um sintoma do período de seca que afetou a janela de desenvolvimento da cultura no Centro-Sul – além da alta moagem, que também dificulta o alcance de níveis mais altos de mix!”.

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Com relação ao volume de cana, o Total de Cana por Hectare (TCH) ainda está mostrando força. Em comparação com a temporada passada, o índice acumulado atingiu 89,35 t/ha, apenas 3,5% menor. Esse nível também é 21,6% mais alto do que a média histórica, indicando que esperar uma “moagem média” seria irrealista.

Alguns poderiam argumentar que a falta de chuva favoreceu a moagem e poderia levar a uma colheita mais rápida com um final precoce (morte súbita).

“No entanto, é importante observar que as usinas começaram cedo. Não faria sentido colocar em risco o açúcar total recuperável (ATR), o TCH e o mix açúcar iniciando a colheita mais cedo quando não houve chuva suficiente para o desenvolvimento da cana, a menos que houvesse um volume maior de cana”, pondera.

“Não estamos descartando completamente o fato de que o clima favorável tenha impulsionado a moagem na fase inicial da safra, é claro que isso levou a um ritmo mais rápido. Entretanto, os números indicam um volume mais robusto do que nossa estimativa anterior”, observa.

Lívea destaca que, portanto, “enquanto aguardamos a confirmação do TCH realizado de junho, decidimos aumentar nossa estimativa de cana em quase 6 milhões de toneladas, elevando-a para 620 milhões de toneladas em 24/25. Esse novo volume está de acordo com uma queda de quase 9% no TCH acumulado e um aumento de 4,5% na área plantada”.

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“Combinando essas duas métricas e mantendo nosso ATR estável, em 139 kg/t, a produção total é revisada para baixo de 41,6 Mt para 41,3 Mt – um impacto marginal”, pontua.

Em termos de fluxos comerciais, a retirada de 300kt tem pouco impacto sobre o superávit geral esperado. Portanto, se as preocupações com a safra brasileira são hoje o principal suporte aos preços do adoçante, o mercado deve seguir baixista.

“Enquanto isso, conforme discutido em nosso relatório anterior, nossos fluxos comerciais consideram 1,5 Mt de exportações provenientes da Índia. Embora um excedente esteja sendo precificado, durante a entressafra brasileira, o mercado pode encontrar apoio na paridade de exportação indiana”, aponta.

Em resumo, discutimos a última atualização sobre a safra do Centro-Sul do Brasil, destacando que o mix açúcar permaneceu abaixo de 50% em junho, dificultando o cumprimento da expectativa de um mix acima de 51% em 24/25, enquanto o volume de cana deve ser maior. A superestimação do mix de açúcar levou a uma revisão para 50,3%, principalmente devido à cana de qualidade inferior decorrente de um período de seca. O total de cana por hectare (TCH) mostra força, apoiando a maior disponibilidade de matéria-prima.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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