AGRONEGÓCIO

Dólar salta 1% após surpresa para cima em dado de inflação dos EUA

Publicado em

O dólar passou a subir acentuadamente frente ao real nesta quarta-feira, depois que dados de inflação mais altos do que o esperado nos Estados Unidos elevaram o pessimismo sobre o espaço que o Federal Reserve terá para cortar juros este ano.

Às 10h30 (de Brasília), o dólar à vista subia 1,01%, a 5,0575 reais na venda, revertendo perdas iniciais. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,89%, a 5,063 reais.

Os preços ao consumidor nos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado em março, mostraram dados desta manhã, em meio a aumentos nos custos da gasolina e de moradia, lançando mais dúvidas sobre a possibilidade de o Federal Reserve começar a cortar a taxa de juros em junho.

O índice de preços ao consumidor aumentou 0,4% no mês passado, depois de avançar pela mesma margem em fevereiro, informou o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira. Nos 12 meses até março, o índice aumentou 3,5%. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice subiria 0,3% no mês e 3,4% na base anual.

Leia Também:  Alta do Dólar e Café em Nova York Impulsiona Negócios no Brasil

“Volta esse questionamento: será que vamos ter corte em junho ou (o Fed) vai postergar isso para julho ou para uma próxima reunião? Foi uma virada bem forte do mercado, negativa, depois da divulgação das inflações americanas”, disse Lucca Ramos, sócio da One Investimentos.

Já Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, disse que “a leitura de hoje certamente anda na direção contrária da necessidade de confiança extra no processo de convergência para a meta de inflação que vem sendo declarado pelos membros do Fed desde o início do ano”.

Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, disse não acreditar num arrefecimento do dólar nesta sessão, nem que haja sinais positivos na ata do último encontro do Fed, a ser publicada na parte da tarde.

“Acho que só vai reforçar a tendência de alta que já vinha acontecendo”, disse ele, acrescentando que o fator externo compensou o estímulo positivo que a alta nos preços de commodities como o minério de ferro vinha dando aos ativos brasileiros nos últimos dias.

Leia Também:  FAO integra Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza e liderará mecanismo de apoio em Roma

Quanto menos o Federal Reserve cortar os juros este ano, melhor para o dólar, que se torna mais atraente para investidores estrangeiros quando os rendimentos oferecidos pelo mercado norte-americano –já interessante por ser extremamente seguro– ficam mais altos.

No Brasil, a inflação desacelerou com força em março e atingiu o nível mais fraco em oito meses, com a taxa em 12 meses indo abaixo de 4% pela primeira vez desde julho do ano passado.

O IPCA subiu 0,16% em março, depois de uma alta de 0,83% em fevereiro, ficando abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,25% no mês e marcando o resultado mensal mais fraco desde julho de 2023.

Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 5,0067 reais na venda, em baixa de 0,50%.

Fonte: Reuters

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

Published

on

O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

Leia Também:  Prefeitura de Cuiabá realiza aula inaugural do curso de operação de máquinas agrícolas para mulheres

A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

Leia Também:  Escoteiros realizam ação de educação ambiental no Horto Florestal Tote Garcia

Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA