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Brasil busca alternativas frente a novas tarifas impostas pelos EUA

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva analisa estratégias para responder à nova tarifa de importação imposta pela administração de Donald Trump. A medida, que entra em vigor no próximo sábado (5), estabelece uma taxa de 10% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos. O Brasil não é o único afetado: outros países também foram alvo das novas políticas tarifárias do governo americano, sob a justificativa de fomentar a indústria e a geração de empregos nos EUA.

Especialistas apontam que o Brasil possui um instrumento poderoso para pressionar os Estados Unidos a uma negociação: a possibilidade de retaliação na área de propriedade intelectual. A recém-aprovada legislação no Congresso amplia os mecanismos de resposta do país a barreiras comerciais consideradas injustas, permitindo ações como a suspensão do pagamento de royalties a empresas americanas e a quebra de patentes em setores estratégicos, como o farmacêutico e o audiovisual.

Entretanto, analistas alertam que uma retaliação direta poderia desencadear uma escalada de sanções comerciais contra o Brasil, agravando a situação. Para Lucas Ferraz, coordenador do Centro de Estudos de Negócios Globais da Fundação Getulio Vargas (FGV), o ideal seria utilizar a ameaça de retaliação como uma ferramenta de negociação. Essa estratégia já foi empregada pelo Brasil em 2009, quando o país conseguiu autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC) para retaliar os EUA devido aos subsídios concedidos à produção de algodão. Na ocasião, o Brasil optou por negociar um acordo em vez de aplicar sanções.

Os Estados Unidos ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em nota oficial, o governo brasileiro lamentou a decisão de Trump, destacando que os EUA registraram um saldo positivo de US$ 43 bilhões na balança comercial bilateral nos últimos dez anos. Apesar disso, o superávit americano tem diminuído, e em 2023 ficou em apenas US$ 300 milhões. O Brasil reforçou sua intenção de buscar o diálogo com Washington, mas não descarta recorrer à OMC e acionar os dispositivos da nova legislação aprovada no Congresso para garantir a reciprocidade nas relações comerciais.

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A tarifa de 10% imposta ao Brasil ficou abaixo da aplicada a outros países, como China (34%), Índia (26%), Japão (24%) e União Europeia (20%). O argumento de Trump para justificar as medidas é a necessidade de estabelecer condições comerciais equilibradas, alegando que esses países impõem altas taxas sobre produtos americanos. “Se eles fazem isso conosco, faremos o mesmo com eles”, afirmou o republicano.

Críticos alertam que o aumento das tarifas poderá elevar os custos de produção nos Estados Unidos e desencadear uma guerra comercial global. Além disso, especialistas apontam que outras medidas de retaliação poderiam prejudicar a economia brasileira, encarecendo insumos essenciais importados dos EUA, como produtos farmacêuticos e componentes industriais.

Diante do cenário, o Brasil avalia outras possibilidades, como articular uma resposta conjunta com parceiros estratégicos, como México, Canadá e União Europeia, para aumentar seu poder de barganha nas negociações com os Estados Unidos. A nova rodada de tarifas de Trump soma-se à taxação de 25% sobre o aço e o alumínio importados dos EUA, em vigor desde março, atingindo um dos principais setores da pauta exportadora brasileira.

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Estudos apontam que, de fato, o Brasil aplica tarifas médias de importação mais altas sobre produtos americanos do que o contrário. No entanto, itens de grande volume comercial, como aeronaves, petróleo e gás natural, entram no Brasil com alíquota zero. Dados do Instituto Brasileiro de Economia da FGV indicam que, em 2022, a tarifa média simples brasileira sobre produtos dos EUA foi de 11,3%, contra 2,2% aplicados pelos americanos sobre mercadorias brasileiras. Contudo, ao considerar uma média ponderada pelo volume das importações, a diferença é menor: 4,7% no Brasil contra 1,3% nos EUA.

O governo brasileiro argumenta que a maioria das exportações americanas para o Brasil já ocorre sem tributação, e a tarifa média efetiva seria de apenas 2,7%. Em resposta às possíveis medidas de Trump, um estudo do Bradesco estimou que, caso os EUA igualassem suas tarifas às brasileiras, o impacto sobre a economia nacional poderia ser amenizado por uma nova desvalorização do real, com efeitos limitados sobre a inflação.

Diante da nova realidade comercial imposta pelos Estados Unidos, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar sua resposta para evitar prejuízos à economia nacional, enquanto busca soluções que preservem a competitividade de suas exportações e minimizem os impactos das tarifas impostas pelo governo Trump.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Reconstrução de vidas: HMC realiza 20 cirurgias reparadoras em pacientes com sequelas de queimaduras

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, realizou neste sábado (4), no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), um mutirão inédito de cirurgias reparadoras para pacientes com sequelas de queimaduras. A força-tarefa reuniu especialistas de diferentes regiões do país e possibilitou a realização de 20 procedimentos reconstrutivos em pessoas que aguardavam há anos pela oportunidade de recuperar movimentos, reduzir limitações e melhorar a qualidade de vida.

A ação mobilizou cerca de 100 profissionais, entre eles mais de 20 médicos, aproximadamente 50 enfermeiros, anestesistas, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem e demais integrantes da equipe multiprofissional. Entre os pacientes atendidos estavam sete crianças e adolescentes. As cirurgias contemplaram pessoas com sequelas provocadas por queimaduras elétricas e acidentes domésticos.

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que a iniciativa representa um avanço na oferta de procedimentos de alta complexidade pela rede municipal.

“Estamos falando de pessoas que aguardavam há muito tempo por uma cirurgia capaz de devolver movimentos, independência e qualidade de vida. Esse mutirão demonstra o compromisso da gestão do prefeito Abilio Brunini em ampliar o acesso a tratamentos especializados e oferecer uma assistência cada vez mais resolutiva para a população.”

O mutirão contou com a participação de nove cirurgiões plásticos do Complexo Hospitalar Municipal Souza Aguiar, do Rio de Janeiro, referência nacional no tratamento de queimados, que atuaram em conjunto com a equipe do Hospital Municipal de Cuiabá. A troca de experiências entre os profissionais permitiu a aplicação de técnicas avançadas de reconstrução e consolidou uma ação considerada inovadora no Brasil pela complexidade e pelo número de especialistas envolvidos exclusivamente no tratamento de sequelas de queimaduras.

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Responsável pelo Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do HMC, a cirurgiã plástica Dra. Adriana Baron explica que essas cirurgias vão muito além da reconstrução estética.

“O objetivo principal é devolver função. Muitos pacientes chegam com retrações cicatriciais que impedem movimentos simples, comprometem o trabalho, os estudos e até atividades básicas do dia a dia. Com esses procedimentos, conseguimos recuperar mobilidade, aliviar dores, corrigir deformidades e proporcionar uma nova perspectiva de vida para essas pessoas.”

Uma das pacientes atendidas foi Isabelly Cristiane Ventura, de 15 anos, moradora de Campo Verde. Há cerca de dois anos aguardando pela cirurgia, ela não escondia a ansiedade antes de entrar no centro cirúrgico.

“Estou muito ansiosa para fazer a cirurgia, poder restaurar meus movimentos e viver minha vida de novo.”

A mãe da adolescente, Elivania Coelho, afirmou que o mutirão representa uma oportunidade aguardada por muitas famílias.

“É um projeto muito bonito. Essas sequelas exigem um tratamento demorado, e esse mutirão ajuda muitas pessoas. Estamos muito ansiosas e felizes por essa oportunidade.”

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Quem também passou pelo procedimento foi o pequeno Pietro, morador de Barra do Garças. A mãe dele, Lídia Cristiane dos Santos, destacou o acolhimento recebido pela equipe do hospital e a importância da iniciativa para pacientes que enfrentam longas filas de espera.

“A gente só tem a agradecer. Sempre somos muito bem recebidos. A demanda é grande, mas com esse mutirão conseguimos realizar a cirurgia. Somos muito gratos por todo o atendimento.”

Para a diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby Oliveira, o sucesso da ação demonstra a capacidade técnica do Hospital Municipal de Cuiabá e o trabalho integrado das equipes envolvidas.

“Esse mutirão exigiu planejamento, estrutura e a união de profissionais altamente qualificados. Conseguimos reunir especialistas de diferentes estados em um único objetivo: transformar a vida de pacientes que aguardavam por essa oportunidade. É uma iniciativa que fortalece o Hospital Municipal de Cuiabá como referência no tratamento de queimados e em cirurgias reparadoras.”

O mutirão contou com o apoio da Sociedade Brasileira de Queimaduras, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso. A expectativa é que novas edições da iniciativa ampliem o acesso às cirurgias reparadoras e contribuam para reduzir a fila de pacientes que aguardam por esse tipo de procedimento especializado.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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