AGRONEGÓCIO
Atrasos na colheita de milho e soja na América do Sul devem impactar projeções do USDA
Publicado em
11 de fevereiro de 2025por
Da Redação
O relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), programado para ser divulgado nesta terça-feira, 11 de fevereiro, promete trazer dados que poderão impactar o mercado global de grãos, especialmente milho e soja. O clima adverso tem prejudicado o desenvolvimento das lavouras na América do Sul, com destaque para Brasil e Argentina, o que deve se refletir nas estimativas de produção dessas commodities.
A colheita da soja no Brasil enfrenta considerável atraso, especialmente no estado de Mato Grosso, o maior produtor do país. Esse atraso tem gerado reflexos no plantio da segunda safra de milho e também no cultivo do algodão. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelaram que, até o momento, 28,58% da área plantada foi colhida, um avanço de 16,38 pontos percentuais em relação à semana anterior. No entanto, o desempenho está bem abaixo dos 51% registrados no ano passado e da média de 39,6% das últimas cinco safras.
Da mesma forma, a semeadura da safrinha de milho no estado alcançou 23% da área, um avanço de seis pontos percentuais em relação à semana passada. Porém, esse progresso ainda está aquém da média dos últimos cinco anos, que foi de 36,1%, e do ano passado, de 42,14%. O plantio do algodão também está atrasado, com apenas 79,56% da área semeada, contra 98,87% do mesmo período do ano anterior.
Esses atrasos no plantio e na colheita aumentam as expectativas de ajustes nas estimativas do USDA para as safras de soja e milho tanto no Brasil quanto na Argentina. Para a soja, é esperado que o Brasil veja uma leve elevação na previsão de produção, com números que podem chegar a 169,9 milhões de toneladas, ligeiramente acima da projeção anterior de 169 milhões, com uma variação de 168 a 171 milhões de toneladas. Para a Argentina, a estimativa de produção de soja é de 50,6 milhões de toneladas, abaixo da previsão de 52 milhões no boletim de janeiro, com uma faixa de 49 a 52 milhões.
No caso do milho, as projeções são de quedas na produção em ambos os países. No Brasil, a estimativa de produção pode diminuir de 127 milhões para 126,74 milhões de toneladas, com intervalo entre 124 e 129 milhões de toneladas. Na Argentina, a produção de milho também deve ser revista para baixo, com números em torno de 49,5 milhões de toneladas, contra 51 milhões no boletim anterior.
Eduardo Vanin, analista do complexo soja da Agrinvest Commodities, comenta que o leve aumento na projeção para a soja faz sentido, uma vez que em estados como Goiás a safra se desenvolveu muito bem, enquanto os problemas ocorreram de forma pontual em estados como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
Para as exportações de milho, espera-se uma redução nas projeções brasileiras, ao passo que os números para os Estados Unidos podem ser elevados. Vanin destaca que o USDA ainda utiliza uma estimativa de consumo do Brasil muito abaixo da realidade, o que impacta diretamente nas projeções de exportação, que estão em 48 milhões de toneladas, enquanto o Brasil já consome cerca de 90 milhões.
Estoques globais e americanos
A expectativa para os estoques finais globais de soja é de uma redução, com números variando entre 126 e 131,2 milhões de toneladas, sendo a média estimada de 127 milhões, abaixo dos 128,37 milhões registrados em janeiro. Já para o milho, os estoques finais globais devem variar entre 291 e 295 milhões de toneladas, com uma média de 292,52 milhões, ligeiramente abaixo dos 293,34 milhões do mês anterior.
Para o trigo, os estoques globais também devem apresentar redução, com projeção entre 255,30 e 260,95 milhões de toneladas, e a média de 258,60 milhões, um pequeno ajuste em relação aos 258,82 milhões estimados no mês anterior.
Nos Estados Unidos, a previsão é de uma queda nos estoques finais de milho, com a estimativa variando entre 37,34 e 40,39 milhões de toneladas, e uma média de 38,76 milhões, ligeiramente abaixo dos 39,12 milhões registrados no ano passado. Para a soja, espera-se uma redução nas projeções de estoques, que devem ficar entre 9,25 e 11,02 milhões de toneladas, com média de 10,18 milhões, também abaixo do número de janeiro, que foi de 10,324 milhões.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Milho safrinha no Paraná enfrenta desafios climáticos, mas mantém potencial para produção recorde
Published
26 minutos agoon
18 de junho de 2026By
Da Redação
O início da colheita do milho safrinha no Paraná tem sido marcado por desafios climáticos e pela necessidade de monitoramento constante das lavouras. Apesar das adversidades registradas ao longo do ciclo, a expectativa segue positiva para a produção estadual, que pode alcançar 17,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral).
O Paraná registra nesta temporada uma área histórica destinada ao milho de segunda safra, com aproximadamente 2,9 milhões de hectares cultivados. De acordo com o boletim mais recente do Deral, cerca de 14 mil hectares já foram colhidos, volume que representa menos de 1% da área total plantada.
Desenvolvimento das primeiras lavouras ficou abaixo do esperado
As áreas semeadas logo na abertura da janela de plantio foram as mais impactadas pelas condições adversas enfrentadas durante o estabelecimento da cultura. Problemas climáticos e a elevada incidência de pragas, especialmente pulgões, afetaram o desenvolvimento inicial das plantas em algumas regiões produtoras.
Segundo especialistas do setor, as primeiras produtividades observadas estão ligeiramente abaixo da média esperada em determinadas áreas. No entanto, até o momento, não há registros de perdas significativas que comprometam o potencial produtivo estadual.
A tendência é de recuperação gradual nas lavouras que ainda se encontram em desenvolvimento, favorecidas pela melhora das condições climáticas observada nas últimas semanas.
Atualmente, mais de 24% da área cultivada no estado já se encontra em fase final de maturação, enquanto o restante das lavouras segue em etapas de enchimento de grãos e desenvolvimento vegetativo.
Chuvas e possível influência do El Niño preocupam produtores
O principal fator de atenção neste momento é o comportamento do clima durante a reta final da safra. O registro frequente de chuvas em diversas regiões produtoras acendeu o alerta para possíveis impactos na qualidade dos grãos e na operação de colheita.
Além disso, a consolidação do fenômeno El Niño pode reduzir os níveis de luminosidade necessários para o pleno desenvolvimento das lavouras, aumentando os riscos de perdas qualitativas e exigindo maior agilidade dos produtores para aproveitar as janelas de tempo firme.
Diante desse cenário, o acompanhamento técnico das áreas tem sido intensificado, especialmente nas regiões Norte, Oeste e Sudoeste do Paraná, consideradas os principais polos produtores de milho safrinha do estado.
Tecnologia ajuda a preservar a produtividade
Mesmo diante das oscilações climáticas, especialistas destacam que o elevado nível tecnológico empregado pelos produtores paranaenses tem sido fundamental para preservar o potencial produtivo das lavouras.
O uso de híbridos de alto desempenho, aliado ao manejo fitossanitário adequado e ao acompanhamento técnico constante, tem contribuído para reduzir os impactos provocados por pragas e estresses climáticos.
Segundo o diretor de Agronomia da divisão de sementes da Syngenta, Fabricio Passini, os investimentos realizados pelos agricultores em genética e manejo já começam a apresentar resultados positivos, mesmo em uma safra marcada por desafios.
De acordo com ele, produtores que adotaram tecnologias mais avançadas conseguiram proteger melhor o potencial produtivo das lavouras e minimizar os efeitos das condições adversas registradas no início do ciclo.
Circuito técnico acompanha situação das lavouras
A evolução da safra também vem sendo acompanhada por equipes técnicas que percorrem as principais regiões agrícolas do país. No Paraná, o roteiro teve início na região de Maringá e seguiu para o Oeste e Sudoeste do estado, reunindo especialistas, franqueados e produtores ligados às marcas NK e Nidera.
Após passar pelo Mato Grosso e pelo Paraná, o circuito técnico continuará nas próximas semanas por importantes estados produtores, incluindo Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, com foco na avaliação do desempenho das lavouras e das perspectivas para a colheita.
Apesar dos desafios climáticos enfrentados ao longo do ciclo, o Paraná mantém perspectivas favoráveis para a segunda safra de milho, reforçando sua posição entre os maiores produtores do cereal no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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