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Agro de Minas bate recorde e responde por quase metade das exportações do estado no 1º quadrimestre

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Minas Gerais registrou o melhor desempenho da história nas exportações agropecuárias para o período de janeiro a abril. O setor alcançou uma receita de US$ 6,5 bilhões, com 5 milhões de toneladas embarcadas, o que representa 46,8% do total das exportações do estado no quadrimestre.

Os dados fazem parte de um levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), que mostra ainda um crescimento de 26% na receita em comparação com o mesmo período de 2024. Apesar disso, o volume caiu 6,2%, reflexo de ajustes no mercado e fatores sazonais. A valorização do preço médio das commodities agropecuárias por tonelada foi de aproximadamente 34%.

Perspectiva positiva para 2025, mas com cautela

Com base no desempenho atual e nas tendências de preço, a estimativa é que Minas Gerais feche 2025 com exportações entre US$ 19,5 bilhões e US$ 20,5 bilhões, consolidando o estado como um dos maiores polos agroexportadores do Brasil.

O secretário de Agricultura, Thales Fernandes, ressalta, no entanto, a importância de aguardar os dados do primeiro semestre:

“Esse ponto de inflexão do calendário agrícola é decisivo para avaliar o comportamento das culturas durante a entressafra, bem como os impactos de variações climáticas extremas, logística portuária, conflitos geopolíticos e oscilações nos preços de insumos e de fretes internacionais”, explica.

Minas mantém 3ª posição no ranking nacional de exportações agropecuárias

Minas Gerais segue como o terceiro maior estado exportador de produtos agropecuários do país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. No primeiro quadrimestre de 2025, produtos mineiros chegaram a 160 destinos internacionais, com destaque para:

  • China (23% das exportações),
  • Estados Unidos (13%),
  • Alemanha (9%),
  • Itália (6%),
  • Japão (5%).
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Principais produtos exportados
Café lidera com folga, apesar da entressafra

O café continua sendo o carro-chefe das exportações do agronegócio mineiro, com US$ 3,9 bilhões em receita e 10 milhões de sacas comercializadas.

  • A receita aumentou 70% em relação ao mesmo período de 2024,
  • O volume teve uma leve redução de 3%, causada pelo período de entressafra.

Mesmo assim, o grão foi responsável por 60% da receita total do setor no estado.

Soja sente impacto de mercado, mas mostra sinais de recuperação

A soja, incluindo grãos, farelo e óleo, gerou US$ 1,1 bilhão com 2,9 milhões de toneladas exportadas.

  • Houve queda de 9% na receita
  • Crescimento de 0,7% no volume

Apesar da pressão nos preços, os dados de abril sugerem uma recuperação gradual, mesmo com o cenário internacional afetado pela guerra comercial entre EUA e China e o início do plantio nos Estados Unidos.

Exportação de ovos dispara com crise aviária nos EUA

Os ovos registraram crescimento expressivo:

  • 495% de aumento na receita, atingindo US$ 6,6 milhões
  • 278% de crescimento no volume, com 3 mil toneladas embarcadas

A alta é impulsionada pela demanda norte-americana, que enfrenta uma crise sanitária no setor avícola devido à influenza aviária.

Carnes em alta: aumento de receita e volume em todas as categorias

As exportações de carnes bovina, suína e de frango cresceram tanto em valor quanto em volume:

  • Receita total de US$ 533 milhões
  • 158 mil toneladas exportadas
  • Crescimento de 21,4% na receita global do segmento
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Carne bovina:

  • US$ 374 milhões em receita
  • 78 mil toneladas embarcadas
  • Alta de 19% na receita e 8% no volume
  • Destaque para os EUA, com aumento de até 195% nas compras

Carne suína:

  • US$ 24 milhões e 11 mil toneladas
  • Todos os destinos aumentaram suas aquisições
  • Filipinas, país estreante, já representa 10% dos embarques

Frango:

  • US$ 128 milhões e 66 mil toneladas
  • Crescimento de 17% na receita e 10% no volume
  • China e Países Baixos se destacaram entre os principais compradores
Outros produtos
  • Produtos florestais superam o setor sucroalcooleiro

Os produtos florestais (celulose, papel e madeira) atingiram US$ 339 milhões com 559 mil toneladas exportadas, ultrapassando o complexo sucroalcooleiro e ocupando a 4ª posição na pauta de exportações agropecuárias.

Queda nos produtos sucroalcooleiros

A receita do setor sucroalcooleiro caiu 42,5% e o volume exportado diminuiu 38%, totalizando US$ 334 milhões e 711 mil toneladas.

O desempenho negativo reflete os impactos do clima adverso:

  • Temperaturas elevadas
  • Chuvas irregulares e mal distribuídas

Esses fatores prejudicaram o desenvolvimento da cana-de-açúcar, afetando a produção de açúcar e etanol e comprometendo a competitividade do setor no mercado externo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

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Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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