AGRONEGÓCIO

Acordo começa a valer e Brasil amplia exportações de carne e cachaça com tarifa zero

Publicado em

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a produzir os primeiros efeitos práticos no comércio exterior brasileiro. Desde a entrada em vigor do tratado, em 1º de maio, o Brasil já iniciou exportações de carne bovina, carne de aves e cachaça ao mercado europeu com redução ou isenção de tarifas, enquanto produtos europeus começaram a chegar ao país com impostos menores.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) aprovou, até o momento, oito licenças de exportação para produtos brasileiros e seis licenças de importação para mercadorias originárias da União Europeia.

Entre os primeiros produtos europeus liberados para entrada no mercado brasileiro estão queijos, chocolates e tomates. No caso dos queijos, a redução tarifária passou a valer imediatamente dentro da cota negociada no acordo, com a alíquota caindo de 28% para 25,2%.

Já para chocolates e tomates, a diminuição das tarifas ocorrerá de forma gradual a partir de 2027. Até lá, continuam em vigor as taxas atualmente aplicadas sobre as importações.

Leia Também:  Índice mundial de preços de alimentos cai em outubro, diz FAO

Do lado brasileiro, os primeiros embarques autorizados incluem carne bovina fresca, carne bovina congelada, carne de aves desossada e cachaça. Segundo o governo federal, as exportações de carne de aves e da bebida brasileira entram no mercado europeu com tarifa zero dentro dos limites estabelecidos nas cotas do acordo.

Na carne bovina, o tratado ampliou o espaço para o produto brasileiro na Europa. A tradicional Cota Hilton, usada para exportação de cortes nobres, teve a tarifa reduzida de 20% para zero.

Além disso, foi criada uma nova cota de 99 mil toneladas compartilhada entre os países do Mercosul. Antes do acordo, embarques fora da Cota Hilton enfrentavam cobrança de 12,8% de tarifa mais 304,10 euros por 100 quilos exportados. Com as novas regras, a tarifa intracota caiu para 7,5%.

O governo brasileiro avalia que o acordo fortalece a presença do agronegócio nacional no mercado europeu e amplia oportunidades para exportadores de alimentos e bebidas.

Segundo o Mdic, mais de 5 mil linhas tarifárias passaram a operar com tarifa zero para produtos exportados do Mercosul à União Europeia. No sentido contrário, mais de mil linhas tarifárias do bloco sul-americano também passaram a conceder isenção para produtos europeus.

Leia Também:  Avanço da mancha-alvo ameaça lavouras de soja e pode reduzir produtividade em até 20%, alerta especialista

Apesar da abertura comercial, o governo destaca que as cotas representam parcela pequena do comércio bilateral, equivalente a cerca de 4% das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações.

Todas as operações estão sendo realizadas pelo Portal Único Siscomex, sistema responsável pelo controle e autorização das operações de comércio exterior. De acordo com o governo federal, toda a regulamentação necessária foi concluída antes da entrada em vigor do acordo, permitindo o início imediato das operações comerciais entre os dois blocos.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Trump adia medidas para ampliar importação de carne bovina nos EUA e mercado acompanha impacto sobre Brasil e pecuária global

Published

on

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou a assinatura de decretos que poderiam ampliar temporariamente as importações de carne bovina para o mercado norte-americano e estimular a recomposição do rebanho bovino dos EUA. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal e movimentou o mercado internacional de proteínas animais nesta semana.

As medidas estavam previstas para serem anunciadas na segunda-feira (11), mas acabaram suspensas de última hora, segundo fontes da Casa Branca. O pacote tinha como principal objetivo conter a inflação da carne bovina nos Estados Unidos, que segue pressionando o consumidor norte-americano mesmo após desaceleração em outros alimentos.

Entre as ações em estudo estavam a suspensão temporária de contingentes tarifários para carne bovina importada, permitindo maior entrada do produto com tarifas reduzidas, além da ampliação de linhas de crédito para pecuaristas dos EUA e flexibilizações ambientais relacionadas à proteção de predadores que atacam rebanhos.

Brasil permanece no centro das atenções do mercado internacional

A possibilidade de aumento das importações norte-americanas colocou o Brasil novamente no foco do comércio global de proteínas animais. O mercado passou a especular sobre uma eventual ampliação da participação brasileira no abastecimento dos EUA, especialmente após o encontro recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As expectativas sobre maior entrada de carne bovina brasileira chegaram a pressionar os contratos futuros de gado nos Estados Unidos. Na Bolsa Mercantil de Chicago, os contratos de gado para agosto encerraram em queda de 0,5%, refletindo receios de aumento da oferta no mercado interno norte-americano.

Leia Também:  Avanço da mancha-alvo ameaça lavouras de soja e pode reduzir produtividade em até 20%, alerta especialista

O Brasil já ocupa posição estratégica no fornecimento global de carne bovina e vem ampliando sua presença internacional diante da forte demanda externa e da competitividade do setor pecuário nacional.

Rebanho dos EUA atinge menor nível em 75 anos

O mercado pecuário norte-americano enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. O rebanho bovino dos Estados Unidos atingiu o menor patamar em 75 anos, resultado de uma combinação entre seca prolongada, aumento dos custos de alimentação animal e descarte acelerado de matrizes.

Com preços elevados do gado, muitos produtores optaram por ampliar o abate em vez de manter animais para reprodução, reduzindo ainda mais a capacidade de recuperação do rebanho.

Diante desse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta importações recordes de carne bovina em 2026. A estimativa é que o país importe cerca de 5,8 bilhões de libras de carne bovina neste ano, avanço de aproximadamente 6% em relação a 2025 e crescimento de 25% frente a 2024.

Alta da carne bovina segue pressionando inflação nos EUA

Mesmo após medidas anteriores adotadas pela gestão Trump, os preços da carne bovina continuam em trajetória de alta no mercado norte-americano.

Leia Também:  Meio Ambiente e Ordem Pública alinham ações para a construção civil

Dados recentes do índice de preços ao consumidor mostram que a carne bovina ficou 12,1% mais cara em abril na comparação anual. Desde o retorno de Trump à presidência, em janeiro de 2025, o produto acumula alta superior a 16%.

No ano passado, o governo norte-americano já havia ampliado significativamente as importações de carne da Argentina e retirado tarifas adicionais aplicadas à carne bovina e ao café brasileiros. Apesar disso, o impacto sobre os preços finais ao consumidor foi considerado limitado.

Mercado avalia efeitos sobre pecuaristas e consumidores

Especialistas do setor acreditam que o aumento das importações pode ajudar parcialmente indústrias de hambúrgueres e redes de alimentação rápida, especialmente pela maior oferta de carne magra utilizada na produção de carne moída.

Ainda assim, analistas avaliam que a entrada adicional de produto importado dificilmente provocaria uma queda significativa nos preços ao consumidor final.

Entidades ligadas à pecuária norte-americana também demonstram preocupação com possíveis efeitos sobre os produtores locais. Representantes do setor afirmam que o aumento das importações pode reduzir o estímulo à recomposição do rebanho interno e pressionar pequenos pecuaristas.

O cenário mantém o mercado global de proteína animal em alerta, com impactos diretos sobre preços, exportações brasileiras, competitividade internacional e perspectivas para a cadeia pecuária nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA