AGRONEGÓCIO

Mercado de milho oscila com pressão externa, clima favorável e baixa liquidez no Brasil

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Indicador do Cepea volta a se sustentar em meio a negociações limitadas

O mercado brasileiro de milho apresentou baixa movimentação na última semana, influenciado por um cenário externo incerto, volatilidade no petróleo e aumento nos custos de frete. Segundo pesquisadores do Cepea, esses fatores afastaram vendedores do mercado spot, reduzindo o volume de negócios.

Diante desse cenário, os preços registraram apenas leves oscilações. Em Campinas (SP), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, que havia recuado anteriormente, voltou a se sustentar.

No campo, as condições climáticas favoreceram o avanço da colheita da primeira safra nas principais regiões produtoras, além de contribuir para o andamento do plantio da segunda safra. Já no mercado internacional, os preços do milho apresentaram queda, influenciados pela desvalorização do petróleo, motivada por especulações sobre um possível encerramento de conflitos no Oriente Médio.

Mercado internacional de milho segue pressionado, apesar de suporte parcial da demanda

O cenário global do milho registrou mais uma semana de oscilações, com predominância de viés baixista no curto prazo. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o movimento reflete principalmente a atuação vendedora de fundos, além das expectativas de aumento da área plantada nos Estados Unidos e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da safra.

Apesar da pressão negativa, alguns fatores ainda oferecem sustentação parcial aos preços. As exportações norte-americanas seguem aquecidas, com volumes superiores aos registrados no mesmo período do ano anterior e próximos da meta anual.

Também há preocupação com o avanço de áreas sob seca nos Estados Unidos, além da redução nos estoques de etanol e dos preços elevados do petróleo, fatores que mantêm a demanda por biocombustíveis.

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Por outro lado, o mercado enfrenta elementos que reforçam a tendência de queda, como a terceira semana consecutiva de recuos em Chicago, realização de lucros por investidores, projeção de maior área plantada, redução nas vendas semanais, menor produção de etanol e condições climáticas favoráveis ao plantio.

No aspecto técnico, os preços voltaram a operar dentro de um canal lateral, indicando enfraquecimento da força compradora e risco de teste de níveis mais baixos.

No Brasil, o comportamento acompanha o cenário externo e o desenvolvimento da safrinha. A expectativa de maior oferta interna a partir do meio do ano já pressiona as cotações, elevando a recomendação de fixação antecipada de preços.

Futuros do milho recuam em Chicago com foco em tensões geopolíticas e queda do petróleo

Os contratos futuros de milho iniciaram a segunda-feira (6) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo o movimento do mercado internacional.

Por volta das 08h50 (horário de Brasília), os principais vencimentos registravam recuos:

  • Maio/26: US$ 4,51 (-1 ponto)
  • Julho/26: US$ 4,62 (-1 ponto)
  • Setembro/26: US$ 4,65 (-1,25 ponto)
  • Dezembro/26: US$ 4,80 (-1 ponto)

De acordo com informações do site Successful Farming, os contratos de milho e trigo acompanharam a queda nos preços do petróleo durante as negociações noturnas, enquanto investidores direcionam a atenção para fatores geopolíticos no Oriente Médio.

A possibilidade de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã impactou diretamente o mercado de energia. O petróleo WTI registrou queda de 1,7%, enquanto o Brent recuou 1,1%, pressionando os preços das commodities agrícolas.

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Mercado brasileiro segue travado, com baixa liquidez e avanço da colheita no Sul

No mercado interno, o milho continua apresentando baixa liquidez, com negociações pontuais e cautela por parte de compradores e vendedores. O cenário reflete o descompasso entre oferta e demanda e a expectativa em torno da segunda safra.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, os contratos futuros na B3 ganharam força antes do feriado, com destaque para o contrato de junho, referência para o milho safrinha, que registrou valorização.

Apesar disso, indicadores como Chicago, dólar e média Cepea apresentaram recuo no período, mantendo o ambiente ainda pressionado no mercado físico.

Rio Grande do Sul

A colheita segue avançando, porém com produtividade irregular devido à distribuição desigual das chuvas. Regiões afetadas pelo déficit hídrico registram perdas, enquanto áreas com plantio dentro da janela ideal apresentam melhores resultados. O mercado local permanece com baixa liquidez.

Santa Catarina

O ritmo de negociações continua lento, principalmente pela diferença entre os preços pedidos pelos produtores e os ofertados pelos compradores, mesmo diante de uma oferta mais ajustada.

Paraná

O cenário também é de baixa liquidez, com incertezas relacionadas à segunda safra em função do clima irregular. Apesar de boas condições em parte das lavouras, o risco produtivo ainda gera cautela no mercado.

Mato Grosso do Sul

Os preços apresentam maior variação após quedas recentes. O setor de bioenergia segue como importante fator de sustentação, mas a combinação de oferta disponível e demanda seletiva mantém o mercado travado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Impasse entre parlamentares e governo trava socorro financeiro ao agronegócio

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as negociações com o Ministério da Fazenda em busca de um socorro financeiro para o setor, mas esbarrou em um impasse técnico que ameaça o planejamento da próxima safra.

Ao apresentar uma contraproposta com taxas de juros mais acessíveis e prazos estendidos, a bancada ruralista tenta reverter as restrições impostas pelo governo, que, até o momento, limita o auxílio apenas aos prejuízos causados por eventos climáticos, excluindo o impacto das oscilações de mercado que também comprimiram a receita dos produtores.

O agronegócio, motor de cerca de um quarto do PIB nacional, enfrenta um cenário de crescente pressão sobre o fluxo de caixa. Entre 2019 e 2025, uma sucessão de frustrações climáticas, somada à desvalorização dos preços das commodities, gerou um passivo significativo que agora trava a capacidade de investimento para o próximo ciclo produtivo. A urgência da FPA em encontrar uma solução baseia-se no temor de que a falta de crédito provoque uma retração na área plantada e no uso de tecnologia, impactando a produtividade de um setor que é pilar da balança comercial brasileira.

Disputa de números

A divergência entre as propostas em mesa reflete a busca pelo equilíbrio entre a viabilidade do produtor e a responsabilidade fiscal do governo. A FPA defende um modelo de renegociação mais abrangente: para perdas por eventos climáticos, a sugestão é de juros de 4%, 6% e 8% ao ano. Já para perdas causadas por movimentos de mercado, a bancada propõe taxas de 5%, 7% e 9% — valores escalonados conforme o porte do produtor. A entidade pede ainda um prazo de oito anos para pagamento, com dois de carência, e a ampliação do teto de financiamento para R$ 10 milhões por CPF.

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O Ministério da Fazenda, contudo, mantém uma postura de maior rigor. A contraproposta do Executivo foca exclusivamente em perdas climáticas, com juros mais elevados — 6%, 9% e 12% ao ano — e um prazo menor de quitação: seis anos de pagamento com dois de carência. Além disso, a pasta sugere um limite de R$ 8 milhões por CPF para a renegociação.

Pontos de consenso e entraves

Embora o impasse nas taxas e na abrangência das dívidas persista, houve avanços em pontos estruturais. O governo concordou em manter o teto de R$ 50 milhões para financiamento a cooperativas, permitindo que estas atuem no repasse de crédito aos cooperados. Também houve progresso na discussão sobre um fundo garantidor e na flexibilização da regulamentação do crédito rural, permitindo que os bancos aproveitem melhor as garantias já existentes, atrelando-as à proporcionalidade da dívida.

Outro mecanismo em debate é a operação “mata-mata” para as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A ideia é permitir que produtores emitam novos títulos para quitar dívidas anteriores, uma forma de organizar o passivo e destravar o fluxo financeiro. No entanto, o tratamento das dívidas privadas permanece como um dos pontos mais críticos; a FPA quer evitar que débitos remanescentes sejam renegociados a taxas próximas de 20%, defendendo uma trava atrelada à Selic para não inviabilizar a renegociação.

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A expectativa é que um texto de consenso surja nos próximos dias, seja para a publicação de uma Medida Provisória, com vigência imediata, ou o envio de um projeto de lei em regime de urgência. A resolução rápida é tratada pela bancada ruralista como condição indispensável para garantir que o setor mantenha o ritmo de produção que sustenta a economia nacional.

Fonte: Pensar Agro

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