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Produção brasileira de algodão recua em 2025/26 e mercado interno mantém preços estáveis

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O mercado brasileiro de algodão encerrou a última semana sem grandes novidades, registrando poucas negociações e preços estáveis. Segundo informações da Safras Consultoria, as indústrias seguem operando de forma cautelosa, comprando apenas o necessário para atender à demanda imediata — o chamado movimento “da mão para a boca”.

No mercado spot, o algodão colocado em São Paulo foi negociado em torno de R$ 117,06 por arroba (equivalente a R$ 3,54/libra-peso), valor idêntico ao da semana anterior. Em Rondonópolis (MT), as negociações ocorreram a cerca de R$ 110,69 por arroba, refletindo a estabilidade nas cotações internas, mesmo com a variação nos preços internacionais em Nova York.

Safra 2025/26 deve recuar com menor produtividade e redução de área plantada

De acordo com o 4º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana, a produção brasileira de algodão em pluma na temporada 2025/26 está estimada em 3,818 milhões de toneladas, representando uma queda de 6,3% em relação às 4,076 milhões de toneladas colhidas em 2024/25.

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A produtividade média também deve registrar retração, passando de 1.954 kg/ha na safra anterior para 1.884 kg/ha. Além disso, a área plantada com algodão no país tende a recuar 2,8%, somando 2,026 milhões de hectares, frente aos 2,085 milhões cultivados no ciclo passado.

Mato Grosso e Bahia puxam retração da produção nacional

O Mato Grosso, maior produtor de algodão do Brasil, deve colher 2,637 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26, o que representa um recuo de 7,5% em relação às 2,852 milhões de toneladas da temporada 2024/25.

A Bahia, segundo principal estado produtor, deve alcançar 803,3 mil toneladas, queda de 4,2% sobre o ciclo anterior (838,4 mil toneladas). Em Goiás, a colheita está prevista em 54,6 mil toneladas, redução de 1,1% frente às 55,2 mil toneladas da safra passada.

Cenário sugere equilíbrio entre oferta e demanda

Com o ritmo lento de negócios e a previsão de menor oferta nacional, o mercado tende a encontrar um ponto de equilíbrio nos próximos meses. A estabilidade dos preços indica que as indústrias estão ajustando seus estoques com cautela, acompanhando as variações externas e o desempenho das exportações.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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