AGRONEGÓCIO
Brasil registra recorde histórico no abate de bovinos em 2025 e amplia liderança global nas exportações de carne
Publicado em
29 de dezembro de 2025por
Da Redação
O ano de 2025 entrou para a história da pecuária brasileira, marcado pelo maior volume de abate de bovinos já registrado no país.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o setor atingiu 441,044 milhões de cabeças abatidas, resultado que impulsionou a produção de carne bovina a 11,392 milhões de toneladas, o maior volume de todos os tempos.
Os Estados de Mato Grosso, São Paulo e Goiás lideraram o crescimento, enquanto a Região Norte se consolidou como um importante polo emergente da produção nacional. “O desempenho da região Norte reforça o avanço da pecuária em novas fronteiras, mostrando sua importância crescente para o setor”, destaca Iglesias.
Exportações de carne bovina atingem patamar histórico
Mesmo diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o Brasil manteve a competitividade internacional.
As exportações de carne bovina somaram 4,984 milhões de toneladas, um crescimento de 19,04% em relação a 2024, alcançando também um aumento expressivo na receita gerada.
“O avanço não ocorreu apenas em volume, mas também em faturamento, refletindo o bom momento do produto brasileiro no exterior”, pontua Iglesias.
China segue como principal destino da carne brasileira
De acordo com o analista, a demanda externa foi a grande responsável pela sustentação do setor ao longo do ano.
A China manteve a liderança entre os principais compradores, seguida por México, União Europeia, Rússia e, antes da taxação, os Estados Unidos.
“Grande parte dos abates realizados em 2025 foi absorvida pelo mercado internacional, o que ajudou a sustentar os preços da arroba do boi gordo em bons níveis”, afirma Iglesias.
Demanda interna continua enfraquecida pela perda de poder de compra
Enquanto as exportações atingiram níveis recordes, o consumo doméstico de carne bovina seguiu retraído.
O volume disponível para o mercado interno caiu 1,96%, totalizando 6,445 milhões de toneladas.
Segundo Iglesias, o baixo poder de compra da população e o alto endividamento das famílias afetaram diretamente o consumo.
Além disso, parte dos recursos de programas sociais foi desviada para apostas e jogos de azar, o que reduziu ainda mais o orçamento destinado à alimentação.
Concorrentes internacionais enfrentam retração
Os principais concorrentes do Brasil no mercado global de carne bovina tiveram um ano de desafios e redução de produção.
Os Estados Unidos e a União Europeia registraram queda contínua nos rebanhos durante a década, enquanto a Argentina enfrentou recuo nos abates, na produção e nas exportações.
“Esse cenário reforça a posição do Brasil como fornecedor estratégico de carne bovina, com destaque para sua precocidade, biosseguridade e rastreabilidade — fatores cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais”, explica o analista.
Setor acompanha com atenção investigação chinesa
Apesar dos resultados expressivos, o setor encerra o ano em alerta.
A China — principal destino das exportações brasileiras — iniciou em 2024 uma investigação sobre os impactos da importação de carne bovina em sua produção local.
O resultado, inicialmente previsto para novembro de 2025, foi adiado para 26 de janeiro de 2026, gerando incertezas entre os exportadores.
“Trata-se de um dos temas mais sensíveis para o setor neste fim de ano, dada a importância da China nas compras da proteína brasileira”, ressalta Iglesias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
22 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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