AGRONEGÓCIO

Soja mantém viés positivo: alta em Chicago reflete otimismo com China, enquanto logística pressiona produtores no Brasil

Publicado em

Os contratos futuros da soja voltaram a subir na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionados pelo otimismo em torno das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Segundo informações do portal Successful Farming, os encontros entre representantes de Washington e Pequim na última sexta-feira foram considerados “construtivos”, alimentando a expectativa de um possível acordo que beneficie o comércio da oleaginosa.

Durante a manhã desta terça-feira (21), os principais contratos apresentavam leve valorização: janeiro/26 era cotado a US$ 10,51 por bushel (+1,75 ponto), março/26 a US$ 10,65 (+1,25 ponto), maio/26 a US$ 10,78 (+1 ponto) e julho/26 a US$ 10,89 (+1 ponto).

Além disso, o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping devem se reunir ainda neste mês, durante um fórum econômico na Coreia do Sul. O encontro deve abordar temas estratégicos como o comércio de soja, minerais de terras raras e fentanil, reforçando a percepção de que uma retomada das compras chinesas da soja americana pode estar próxima.

Chicago fecha em alta pela quarta sessão consecutiva

Na segunda-feira (20), os contratos futuros da soja encerraram o pregão com alta pelo quarto dia consecutivo, sustentados pela confiança em um possível avanço nas negociações entre as duas maiores economias do mundo.

O contrato novembro/25 fechou a US$ 10,31 ¾ por bushel, com elevação de 1,20%, enquanto o janeiro/26 subiu 1,27%, para US$ 10,50 por bushel. Nos subprodutos, o farelo de soja (dezembro/25) registrou alta de 1,42%, a US$ 285,00 por tonelada, e o óleo de soja (dezembro/25) avançou 0,35%, cotado a 51,31 centavos de dólar por libra-peso.

Leia Também:  Interleite Sul 2024 é adiado para setembro devido a calamidade no RS

Trump declarou acreditar que Pequim está disposta a fechar um acordo que permita retomar as compras de soja americana — suspensas desde setembro, quando a China não adquiriu um único lote dos Estados Unidos, algo que não ocorria há sete anos.

Enquanto isso, as importações chinesas de soja brasileira aumentaram 29,9% em setembro frente ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 10,96 milhões de toneladas, segundo dados da Administração Geral da Alfândega da China. No acumulado de 2025, o volume chega a 63,7 milhões de toneladas, um crescimento de 2,4% em relação a 2024. Da Argentina, foram 1,17 milhão de toneladas, alta de 91,5% no mesmo período.

No Brasil, soja avança entre custos de frete e gargalos logísticos

Apesar do cenário internacional favorável, os produtores brasileiros enfrentam desafios internos significativos, especialmente com o aumento dos custos logísticos e a pressão nos fretes rodoviários.

No Rio Grande do Sul, os preços da soja registraram leve queda semanal. No porto, a saca foi negociada a R$ 140,00 (-0,16%), enquanto nas praças de Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz o valor médio ficou em R$ 131,00 (-0,76%). Em Panambi, o recuo foi mais acentuado, com cotação de R$ 120,00, segundo levantamento da TF Agroeconômica.

Em Santa Catarina, o frete elevado tem pressionado margens e forçado produtores a adotar estratégias de armazenamento para preservar a rentabilidade. No porto de São Francisco do Sul, a saca da soja é cotada a R$ 138,77 (+0,43%).

Leia Também:  Impacto das Tarifas no Etanol: Nordeste Pouco Afetado pelas Medidas dos EUA

No Paraná, o ritmo de plantio segue firme, embora o estado tenha momentaneamente perdido a dianteira para o Mato Grosso. Em Paranaguá, a soja é vendida a R$ 140,23 (+0,41%); em Cascavel e Maringá, a R$ 128,70, e em Ponta Grossa, a R$ 130,21 (+0,08%).

O Mato Grosso do Sul sofre com a falta de silos adequados e aumento do custo do transporte. Em Dourados, Campo Grande e Maracaju, a saca ficou em R$ 125,23, enquanto Chapadão do Sul registrou R$ 120,63 (-0,02%).

Já no Mato Grosso, o frete rodoviário é apontado como o principal desafio. A previsão é de um aumento de 15% nos custos de transporte, o que deve pressionar a rentabilidade dos produtores. Em Lucas do Rio Verde e Sorriso, a saca é negociada a R$ 119,43 (+0,04%), e em Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde, o valor é de R$ 121,68 (-0,03%).

Perspectivas: bons ventos externos, mas desafios internos persistem

Enquanto o mercado internacional se mantém sustentado pela expectativa de um entendimento entre EUA e China, o Brasil precisa lidar com gargalos que comprometem a competitividade da soja no curto prazo. O frete caro, a infraestrutura limitada e a falta de capacidade de armazenagem continuam sendo entraves relevantes, principalmente no Centro-Oeste.

Ainda assim, o cenário global tende a favorecer o produtor brasileiro, que segue como principal fornecedor da China, e deve continuar aproveitando o espaço deixado pelos Estados Unidos no comércio internacional da oleaginosa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

Published

on

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

Leia Também:  ABS se associa à Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável para fomentar boas práticas na produção de carne bovina no país

O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

Leia Também:  Temperaturas amenas favorecem produção de morango, mas colheita segue limitada
Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA