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Tecnologia a Laser Avalia Carbono em Projeto de Pecuária Sustentável no Xingu

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Inovação no campo: Embrapa e Agrorobótica apresentam tecnologia LIBS

Dez anos após o início da parceria entre a Embrapa Instrumentação e a startup Agrorobótica, ambas localizadas em São Carlos (SP), um novo avanço promete transformar a pecuária sustentável no Brasil. A colaboração agora ganha escala ao integrar a tecnologia LIBS (Laser Induced Breakdown Spectroscopy – Espectroscopia de Plasma Induzida por Laser) ao projeto Carbono Xingu, uma iniciativa que abrange 18,5 mil hectares de pastagem e áreas destinadas à conversão para a agricultura em três fazendas das empresas SCL Agrícola e Agro Penido, localizadas na região do Xingu, em Mato Grosso.

A plataforma IA AGLIBS e os benefícios para os produtores

A plataforma IA AGLIBS, baseada na mesma tecnologia utilizada pela NASA em suas missões espaciais para Marte, tem como objetivo avaliar com precisão os parâmetros do solo nessas fazendas. Entre os benefícios prometidos pelo projeto Carbono Xingu estão a geração de créditos de carbono, o acesso a crédito verde com condições mais favoráveis, a digitalização do solo para decisões mais rápidas e rastreáveis, e a possibilidade de aumentar tanto a produtividade quanto a rentabilidade dos produtores rurais. O projeto também visa a valorização das propriedades rurais e o fortalecimento do mercado para commodities sustentáveis, agregando maior valor às produções.

O carbono como nova commodity

Em entrevista, Caio Penido, sócio da Agro Penido, destacou o potencial do carbono como uma nova commodity, essencial para o setor agrícola. “O carbono aparece como essa nova commodity, tão desejada, tão anunciada, e agora se materializando no nosso solo. Queremos provar que, quando implementado corretamente, o programa pode aumentar a produção de alimentos, ao mesmo tempo em que melhora o carbono no solo e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa”, afirmou Penido.

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A agenda estratégica da Embrapa

Para Clenio Pillon, diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, a agenda de carbono é uma das prioridades da instituição. “Esta agenda é absolutamente estratégica não só para a Embrapa, mas para o mundo. Não podemos dissociar a ciência de uma agenda tão relevante como essa, que está em primeiro lugar no nosso plano estratégico”, enfatizou Pillon, que lidera um grupo dedicado à temática do carbono.

Parceria entre ciência e tecnologia

Antes da assinatura oficial do contrato de parceria, ocorrida em 23 de abril, representantes das empresas envolvidas visitaram o Laboratório Nacional de Agro-Fotônica (Lanaf) da Embrapa Instrumentação, onde puderam observar a tecnologia LIBS em funcionamento. O sistema tem capacidade para analisar mil amostras diárias e avaliar até 23 parâmetros do solo.

Vanguarda científica no Brasil

Fábio Angelis, CEO da Agrorobótica, ressaltou a posição de liderança do Brasil em pesquisas de tecnologia aplicada à agropecuária. “O Brasil está na vanguarda desse tema. Não estamos atrás de nenhum país, estamos na frente, e temos publicações científicas sobre o LIBS que são referência mundial”, afirmou Angelis, que, após conhecer a tecnologia da Embrapa em 2014, fundou o que considera o “primeiro centro agro-fotônico do mundo”.

A cientista Débora Milori, líder das pesquisas com LIBS na Embrapa Instrumentação, também destacou o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pela equipe da Embrapa. “Quando a certificadora Verra reconheceu nossa tecnologia para a geração de créditos de carbono auditáveis, ela se baseou em dez artigos internacionais, sendo cinco deles da nossa equipe. Isso é motivo de orgulho para todos nós”, comemorou Milori.

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Impacto da ciência na agropecuária sustentável

A plataforma LIBS irá gerar mapas detalhados de agricultura de precisão, identificando deficiências de nutrientes e indicando os melhores manejos para adubação e utilização de insumos. Além disso, a plataforma possibilitará a mensuração precisa do estoque de carbono no solo, ampliando as possibilidades de implementação de práticas sustentáveis.

José Manoel Marconcini, chefe-geral da Embrapa Instrumentação, destacou a importância da parceria público-privada no avanço da agropecuária sustentável. “Essa plataforma é fruto de uma colaboração que agora ganha escala e permitirá uma agropecuária cada vez mais sustentável”, avaliou Marconcini.

A evolução tecnológica no setor agropecuário

Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola, elogiou a contribuição da ciência para o desenvolvimento da agropecuária. “A ciência faz toda a diferença na evolução da condição de vida de um povo. O LIBS é mais um exemplo de sucesso em termos de tecnologia, tornando nossos processos mais rápidos e eficientes. Estamos muito satisfeitos com os resultados dessa parceria com a Embrapa”, concluiu Pavinato.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Custo de produção do leite sobe no Paraná com alta do milho e farelo de soja, aponta Deral

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O custo de produção da atividade leiteira voltou a subir no Paraná, pressionado principalmente pela alta dos insumos utilizados na nutrição do rebanho. A avaliação é do Deral, vinculado à Seab, em boletim conjuntural divulgado na última quinta-feira (30).

Segundo o relatório, o aumento dos custos tem reduzido o poder de compra do produtor de leite em relação a insumos estratégicos como milho e farelo de soja, elevando a pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Relação de troca piora e encarece alimentação do rebanho

O Deral utiliza a relação de troca entre o litro de leite e a saca de milho como um dos principais indicadores de custo da produção. Em março de 2025, com o litro do leite cotado a R$ 2,81, eram necessários 27,7 litros para adquirir uma saca de milho, que estava em R$ 77,90.

No período mais recente analisado, essa relação piorou, passando para 29,4 litros por saca, evidenciando perda de poder de compra do produtor.

A pressão também é observada no farelo de soja, outro insumo essencial na alimentação animal. A relação de troca passou de 697 litros por tonelada em março de 2025 para 868 litros por tonelada atualmente, refletindo o aumento expressivo do custo nutricional da atividade.

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Nutrição animal segue como principal fator de custo

De acordo com o boletim, a alimentação do rebanho continua sendo o principal componente do custo de produção leiteira. Com a alta dos insumos, produtores enfrentam margens mais apertadas e maior necessidade de eficiência na gestão nutricional e produtiva.

O cenário reforça a sensibilidade da atividade às oscilações do mercado de grãos, especialmente milho e soja, que têm forte impacto direto na formação do custo do litro de leite.

Importações de lácteos aumentam e pressionam mercado interno

Além dos custos de produção, o mercado de lácteos também é impactado pelo aumento das importações. Segundo o Deral, o volume importado cresceu cerca de 26% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

Os queijos representam aproximadamente 40% desse total, indicando forte presença de produtos importados no consumo interno.

Leite em pó registra alta mesmo com restrições

O boletim também destaca o avanço das importações de leite em pó, mesmo após medidas adotadas para tentar conter a entrada do produto no país. Em março de 2026, as compras externas registraram aumento de 71% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

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Esse movimento amplia a concorrência no mercado interno e adiciona pressão sobre os preços pagos ao produtor, em um cenário já marcado por custos elevados de produção.

Setor leiteiro enfrenta desafio de equilíbrio entre custos e competitividade

Com insumos em alta e aumento das importações, a cadeia do leite enfrenta um ambiente de maior pressão competitiva. O desafio do setor passa a ser manter a viabilidade econômica da produção diante de margens mais estreitas e maior volatilidade de mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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