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Safra Recorde de Soja Impulsiona Expectativa de Alta no Custo do Frete Rodoviário em 2025

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Após o recuo nos preços dos fretes rodoviários em 2024, a expectativa para 2025 é que os valores voltem a subir entre 15% e 20%, principalmente em razão da previsão de uma safra recorde de soja. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta que os preços do frete se mantenham em níveis similares aos de 2023, mas com um aumento considerável já em fevereiro.

Em dezembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) observou uma redução nos preços dos fretes rodoviários em várias regiões produtoras de soja e milho, os maiores responsáveis pela produção de grãos no Brasil. Esse declínio foi impulsionado pela menor oferta de produtos para transporte. No entanto, a previsão de uma safra excepcional de soja em 2025 já começa a afetar os valores dos fretes. De acordo com a Conab, a colheita total de grãos e oleaginosas no Brasil será de 322,5 milhões de toneladas, incluindo 166 milhões de toneladas de soja, um aumento de 8,2% em relação à safra de 2024.

Renato Francischelli, Country Director da Ascenza Brasil, destaca que o transporte tem um papel crucial no custo da produção agrícola. Ele alerta os produtores para a importância de estarem atentos às tendências do mercado logístico, uma vez que a distribuição dos produtos agrícolas impacta diretamente na cadeia produtiva. “Estratégias eficientes são fundamentais para controlar custos e melhorar a logística”, afirmou.

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Além da soja, o aumento nos custos de transporte rodoviário também deve ocorrer com a chegada da safra de milho e outros cultivos. Fatores climáticos, como chuvas, e a infraestrutura rodoviária, que enfrenta problemas em cerca de 60% das estradas federais, também influenciam no custo do frete. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que muitas rodovias federais apresentam deficiências que agravam a situação logística.

O setor logístico ainda lida com uma série de desafios, incluindo a escassez de mão de obra qualificada, falta de investimentos em infraestrutura e a necessidade de diversificação dos modais de transporte. Além disso, a redução da carga tributária sobre combustíveis e pedágios também está em discussão, pois pode aliviar parte dos custos operacionais.

O aumento nos custos de transporte também está ligado à elevação do preço do diesel, que pode sofrer ajustes devido à alta do dólar e do petróleo. O diesel, que compõe entre 40% e 60% do valor do frete, teve uma estabilização em 2024, mas espera-se que os preços subam no próximo ano.

Em 2025, a adoção de práticas sustentáveis e a digitalização no transporte de cargas também terão impacto nos custos. O agronegócio busca alternativas mais verdes, como veículos elétricos e biocombustíveis, à medida que cresce a demanda por soluções para a redução das emissões de carbono. Além disso, empresas do setor estão investindo em tecnologias para melhorar a eficiência do sistema logístico.

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De acordo com um levantamento do Grupo de Extensão e Logística da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq-Log/USP), entre 2010 e 2023, a participação do transporte rodoviário no escoamento da produção do agronegócio aumentou de 44,7% para 54,2%. As rodovias continuam dominando o transporte agrícola no mercado doméstico, representando 96% da distribuição de produtos.

PIB do Agronegócio

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta que a previsão de aumento na produção de grãos, aliada ao fortalecimento do setor agroexportador e à expansão da indústria de insumos agropecuários, contribuirá para um crescimento de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em 2025.

Em 2024, o agronegócio brasileiro alcançou um recorde nas exportações, somando US$ 164,4 bilhões, o segundo maior valor da série histórica, representando 49% das exportações totais do país, segundo o Ministério da Agricultura.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Semana decisiva para juros globais pressiona mercados e eleva incertezas para o agronegócio

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A semana é considerada crucial para os mercados globais e para o agronegócio, com decisões de política monetária em diversas economias e aumento das tensões geopolíticas influenciando preços, câmbio e expectativas econômicas. Relatório do Rabobank aponta que o ambiente externo segue instável, com reflexos diretos sobre inflação, juros e custos de produção.

Conflito no Oriente Médio eleva risco global

O cenário internacional continua pressionado pela crise no Oriente Médio. Apesar da prorrogação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz permanece fechado, mantendo elevado o risco sobre o abastecimento global de petróleo.

Como consequência, o preço do barril do petróleo tipo Brent ultrapassa os US$ 100, o que impacta diretamente combustíveis, fertilizantes e logística — fatores críticos para o agronegócio.

Além disso, persistem incertezas relacionadas ao comércio global, com tensões tarifárias e desaceleração das principais economias.

Decisões de juros no radar

No centro das atenções está a política monetária. Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% pelo Federal Reserve.

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve dar sequência ao ciclo de flexibilização, com previsão de corte da taxa Selic para 14,50% ao ano.

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Apesar disso, o cenário exige cautela. A combinação de inflação pressionada, crescimento mais fraco e riscos externos elevados pode limitar a intensidade das reduções nos juros ao longo de 2026.

Inflação segue pressionada

Os dados recentes mostram que a inflação continua surpreendendo para cima. Os aumentos nos preços de combustíveis e alimentos já refletem os impactos do conflito internacional, com destaque para diesel, gasolina e itens básicos.

As expectativas inflacionárias seguem desancoradas:

  • 2026: 4,9%
  • 2027: 4,0%
  • 2028: 3,6%

Esse cenário reforça a necessidade de uma política monetária mais cautelosa, mesmo diante da desaceleração da atividade econômica.

Contas externas e investimentos

No setor externo, o Brasil mantém déficit em transações correntes de US$ 64,3 bilhões em 12 meses (2,7% do PIB).

Por outro lado, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) segue robusto, com entrada de US$ 75,7 bilhões no mesmo período, ajudando a financiar o déficit externo.

A balança comercial continua positiva, sustentada por exportações fortes, embora as importações permaneçam elevadas.

Câmbio e commodities em foco

O dólar encerrou a última semana próximo de R$ 4,98, com leve desvalorização do real.

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Para 2026, a projeção é de câmbio em torno de R$ 5,55, refletindo:

  • menor diferencial de juros entre Brasil e exterior
  • possível fortalecimento global do dólar

No mercado de commodities, o destaque é a alta da energia, enquanto produtos agrícolas apresentam desempenho misto.

Impactos diretos no agronegócio

O conjunto de fatores — juros, câmbio, petróleo e inflação — gera efeitos diretos sobre o agronegócio brasileiro:

  • Custos de produção mais altos, com pressão sobre diesel, fertilizantes e insumos
  • Frete mais caro, afetando a competitividade das exportações
  • Volatilidade cambial, impactando margens e planejamento
  • Crédito rural mais sensível, diante de juros ainda elevados

Mesmo com o Brasil se beneficiando parcialmente por ser exportador de commodities, o ambiente segue desafiador.

Perspectivas

O cenário para os próximos meses permanece marcado por incertezas. A evolução do conflito no Oriente Médio, o comportamento da inflação global e as decisões dos bancos centrais serão determinantes para o rumo da economia.

Para o produtor rural e agentes do setor, o momento exige atenção redobrada à gestão de custos, proteção financeira e estratégias de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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