AGRONEGÓCIO

O Fed subirá os juros em 2024? Confira análise da Hedgpoint

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O otimismo inicial do mercado em relação a cortes na taxa de juros dos EUA no final de 2023 cedeu lugar a uma perspectiva mais cautelosa. Os indicadores econômicos, embora indiquem melhora na inflação, sugerem que a convergência para a meta de 2% será mais gradual do que o previsto anteriormente. A Hedgepoint Global Markets aborda o tema em relatório desta semana.

“Esse cenário apresenta desafios para os mercados de commodities. A valorização do dólar, impulsionada pelos juros nos Estados Unidos, torna os ativos negociados na moeda americana mais caros. Não só há expectativa de que o custo dos empréstimos permaneça elevados por mais tempo, mas como também especulações de um novo aumento nos juros atualmente no intervalo de 5,25%-5,50%”, explica Victor Arduin, analista de Macroeonomia e Energia da Hedgepoint.

“O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) segue ressaltando que a condução da política monetária está condicionada à convergência dos indicadores econômicos para níveis mais favoráveis. Nesse sentido, vamos discutir nesse relatório alguns dos principais indicadores econômicos do país e sua influência para manutenção dos juros no país”, diz.

Mercado de trabalho ameniza pressões inflacionárias

“Por enquanto, dados da semana passada sobre o mercado de trabalho nos EUA trouxeram algum alívio sobre necessidade de novos aumentos de juros em 2024. A criação de vagas de trabalho não-agrícolas ficou em 175 mil contra projeção do mercado de 243 mil. Já a taxa de desemprego teve um leve aumento para 3,9% (+0,1%). Ainda, os ganhos salariais reduziram seu ritmo de expansão de 4,1% para 3,9%”, destaca.

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Por outro lado, apesar da desaceleração, o desempenho econômico no país permanece resiliente, principalmente com os números das vendas no varejo que apresentaram um crescimento robusto em março (+0,7%).

“Esse resultado, combinado com revisões altistas para o PIB americano, traz algumas preocupações e contribui para as dificuldades do Fed em conter a inflação e alcançar sua meta de 2%”, acredita.

Considerando que uma parcela significativa do PIB é composta pelos gastos das famílias, os quais estão diretamente relacionados ao poder de compra dos salários (ganhos reais), torna-se claro que ainda há um cenário de pressão inflacionária que dificultará a superação da “última milha” no combate à inflação nos próximos meses.

Ainda não há condições para um corte na taxa de juros

“A persistência da alta inflação nos Estados Unidos, medida tanto pelo índice CPI quanto pelo PCE, reforça o cenário de aversão ao risco entre os investidores, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro Americano e elevando o risco de uma recessão, embora esse risco ainda seja considerado baixo”, pondera.

A inflação vem superando as expectativas ao longo de 2024, o que diminui significativamente as chances de um corte na taxa de juros. No final de 2023, o mercado discutia a possibilidade de cortes nos juros no primeiro semestre de 2024. Agora, com a persistência da alta inflação, as especulações giram na possibilidade de um novo aumento.

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No entanto, o impacto dos juros atuais na desaceleração da economia ficará mais claro à medida que novos dados forem disponibilizados, como os últimos números do mercado de trabalho.

“É improvável que o Fed intensifique ainda mais a política de juros restritivos, correndo o risco de levar o país à recessão. De acordo com o cenário de “pouso suave” (“soft landing”) projetado pelo banco central americano, há espaço para dois cortes de 25 pontos-base na taxa de juros a partir de setembro até o final deste ano”, conclui.

Saber quando os juros começarão a cair é um indicador importante para o mercado de commodities, pois pode sinalizar uma reversão da valorização do dólar, impactando a demanda e a valorização dos ativos.

Nas últimas semanas vimos uma série de dados acima do esperado em relação à inflação nos Estados Unidos, resultando uma elevação da aversão ao risco e especulações sobre aumento de juros.

A persistência da inflação acima do esperado não invalida a efetividade da política monetária restritiva no combate à inflação. Observa-se uma melhora gradual nos últimos meses, a qual tende a se fortalecer no futuro, à medida que novos dados forem disponibilizados.

No atual cenário, esperamos que o tão aguardado corte de juros nos EUA ocorra a partir de setembro, terminando o ano com a redução de dois cortes de 25 pontos base.

Fonte: Hedgepoint Global Markets 

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agronegócio lidera crescimento da economia com alta de 2,8% no segundo trimestre

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A agropecuária voltou a ocupar o centro do crescimento da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (1º.09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor avançou 2,8% entre abril e junho, mais de cinco vezes a alta de 0,5% registrada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do País no mesmo período.

O desempenho foi o melhor entre os três grandes setores da economia. Enquanto a agropecuária cresceu 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, os serviços avançaram 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.

A diferença também aparece na comparação com o mesmo período do ano passado. A economia brasileira cresceu 2% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a agropecuária avançou 6,8%. Indústria e serviços cresceram 1,5% cada.

Segundo o IBGE, o resultado do campo foi favorecido pelo desempenho da pecuária e por culturas que registraram aumento da produção e ganhos de produtividade. Entre os produtos agrícolas com peso relevante no período, a estimativa para a soja aumentou 5,3% em relação a 2025 e a do café avançou 15,1%.

Nem todas as culturas acompanharam o movimento. A produção de arroz apresentou queda de 11,3% e a de algodão recuou 6,7%, enquanto o milho permaneceu praticamente estável.

Essas variações das lavouras, porém, não podem ser comparadas diretamente com os 2,8% de crescimento trimestral da agropecuária. O IBGE explica que não dispõe de séries com ajuste sazonal para cada cultura, o que impede determinar exatamente quanto soja, café ou qualquer outro produto contribuiu para o avanço entre o primeiro e o segundo trimestre.

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O resultado divulgado nesta terça-feira ganha relevância também pelo comportamento do restante da economia. O crescimento do PIB perdeu velocidade em relação aos primeiros três meses do ano, quando havia avançado 1,1%. No segundo trimestre, indústria e serviços praticamente ficaram de lado, enquanto o consumo das famílias recuou.

Na indústria, a alta de apenas 0,1% foi garantida principalmente pelas atividades extrativas, que cresceram 3,4%, favorecidas pelo aumento da produção de petróleo e gás. A indústria de transformação caiu 0,4%, mesma retração registrada pela construção. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1%.

Os serviços, responsáveis pela maior parcela da economia brasileira, avançaram 0,2%. Informação e comunicação cresceu 2,1% e transporte, armazenagem e correio, atividade diretamente ligada ao escoamento da produção agropecuária, aumentou 1,1%. As atividades imobiliárias avançaram 0,2%, enquanto comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.

Pelo lado da demanda, também houve sinais de perda de força da economia. O consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, apesar do aumento da massa salarial real e da disponibilidade de crédito. O consumo do governo avançou 0,4%.

Os investimentos apresentaram resultado melhor, com crescimento de 1,2%. Já no comércio exterior, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8% no trimestre, enquanto as importações aumentaram 1,8%.

O desempenho da agropecuária também aparece nos números acumulados do ano. No primeiro semestre, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. O campo avançou 3,6%, praticamente o dobro da economia como um todo e acima dos serviços, com alta de 1,8%, e da indústria, com 1,6%.

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A comparação com 2025 mostra ainda uma mudança importante na dinâmica trimestral do setor. No segundo trimestre do ano passado, a agropecuária havia recuado 0,1% frente aos três primeiros meses. Agora, no mesmo tipo de comparação, registra expansão de 2,8%.

O crescimento ocorre depois de um 2025 excepcional para o campo. No ano passado, a agropecuária avançou 11,7%, resultado que teve peso importante para o crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. A base elevada torna o avanço de 6,8% registrado no segundo trimestre deste ano ainda mais relevante.

Nos quatro trimestres encerrados em junho, a agropecuária acumula crescimento de 6,2%. É novamente o melhor resultado entre os grandes setores: os serviços avançam 1,7% e a indústria, 1,4%. A economia brasileira acumula alta de 1,9% nesse intervalo.

Os números divulgados pelo IBGE reforçam também uma diferença importante entre o desempenho da produção e o ambiente financeiro enfrentado pelo produtor. O crescimento ocorre em um período ainda marcado por juros elevados, crédito mais caro e pressão sobre as margens de algumas atividades.

Mesmo nesse cenário, o campo inicia a segunda metade de 2026 crescendo acima do restante da economia. O PIB perdeu velocidade entre o primeiro e o segundo trimestre, mas a agropecuária seguiu na direção contrária e apresentou a maior expansão entre os principais setores produtivos do País.

Fonte: Pensar Agro

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