AGRONEGÓCIO

Avicultura Gaúcha Enfrenta Impactos nas Exportações em 2025

Publicado em

O setor avícola do Rio Grande do Sul (RS) registrou uma queda nas exportações de carne de frango em 2024, com um impacto significativo atribuído a um caso isolado de New Castle, ocorrido em julho de 2024 no município de Anta Gorda. Esse evento, relacionado ao vírus de pombo, prejudicou o desempenho do setor, resultando em perdas expressivas nas vendas externas.

Queda nas Exportações de Carne de Frango

No acumulado de janeiro a dezembro de 2024, as exportações de carne de frango do RS sofreram uma redução de 6,5%, totalizando 691,7 mil toneladas, o que representa uma queda de 47,8 mil toneladas em comparação com o ano anterior. As receitas também apresentaram um declínio de 12,7%, somando US$ 1,266 bilhão, o que representa uma perda de US$ 184,8 milhões em relação ao faturamento de 2023.

O presidente executivo da O.A.RS (Asgav/Sipargs), Eduardo Santos, afirmou que o setor enfrentou prejuízos estruturais devido a inundações, mas que o principal fator de impacto nas exportações foi o caso de New Castle. Ele destacou que a rápida erradicação da crise sanitária evitou maiores danos, mas alertou para a necessidade de vigilância contínua.

Leia Também:  Efeitos do El Niño na Produtividade da Soja no Cerrado Brasileiro
Desempenho do Setor de Ovos

Em contraste com a carne de frango, o setor de ovos do RS apresentou crescimento nas exportações em 2024. O volume exportado aumentou em 4,3%, alcançando 6,5 mil toneladas, o que representa 266 toneladas a mais do que em 2023. Contudo, as receitas tiveram uma queda de 19%, somando US$ 17 milhões, devido à variação do preço médio da tonelada no mercado externo. O setor acredita que, com a valorização do dólar, o cenário pode melhorar no primeiro trimestre de 2025.

Considerações Finais

Apesar dos desafios enfrentados pelo setor avícola gaúcho, como o impacto do caso de New Castle, o Rio Grande do Sul ainda figura entre os principais exportadores de carne de frango no Brasil. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) prevê um cenário mais favorável para 2025, com expectativas de crescimento contínuo nas exportações do setor, além de possíveis reverter a tendência negativa nas exportações de ovos.

Ainda permanecem alguns embargos às exportações avícolas gaúchas, como os aplicados por China e Chile, mas a perspectiva para o futuro imediato é de recuperação gradual.

Leia Também:  Cuiabá abre hoje credenciamento para pediatras e reforça atendimento infantil no CMI e nas UPAs

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Mercado de máquinas usadas movimenta até R$ 30 bilhões no Brasil, mas enfrenta falta de controle, preço e transparência

Published

on

O mercado de máquinas usadas no Brasil movimenta cifras bilionárias todos os anos e desempenha papel estratégico para setores como agronegócio, construção civil, mineração e infraestrutura. Apesar da relevância econômica, o segmento ainda opera com forte grau de informalidade, baixa transparência e ausência de mecanismos básicos de controle e rastreabilidade.

Estimativas do setor apontam que apenas o segmento de máquinas de linha amarela usadas negocia cerca de 100 mil unidades por ano no país. Com ticket médio entre R$ 150 mil e R$ 250 mil por equipamento, o volume financeiro anual varia entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões. Quando somado ao mercado de máquinas agrícolas usadas, esse montante pode alcançar aproximadamente R$ 30 bilhões por ano.

No entanto, a ausência de dados estruturados impede até mesmo uma mensuração exata do tamanho do setor, evidenciando um mercado ainda distante do nível de maturidade observado em segmentos mais organizados, como o automotivo.

Falta de referência de preços gera insegurança no mercado

Segundo Jonathan Pedro Butzke, Head da Operação de Máquinas da Auto Avaliar, um dos principais gargalos do setor está na inexistência de referências confiáveis de preços para máquinas usadas no Brasil.

Equipamentos semelhantes acabam sendo negociados por valores bastante diferentes, sem critérios técnicos padronizados que sustentem as variações de preço. Em muitos casos, a precificação depende mais da percepção do vendedor do que de indicadores objetivos de mercado.

Leia Também:  Crédito rural no Plano Safra recua 22% no início da safra 2025/26, apesar de avanço das CPRs

Outro problema estrutural está relacionado à avaliação técnica dos ativos. Máquinas agrícolas e de construção podem permanecer em operação por mais de 20 anos e passar por diversos proprietários ao longo desse período, perdendo completamente o histórico de manutenção, uso e possíveis avarias.

Ausência de rastreabilidade amplia informalidade

Diferentemente do mercado automotivo, o Brasil não possui um sistema centralizado de registro para máquinas pesadas e agrícolas. Não existe um equivalente ao Detran que permita acompanhar transferência de propriedade, histórico de sinistros ou informações técnicas do equipamento.

Essa ausência de rastreabilidade cria um ambiente de insegurança tanto para compradores quanto para vendedores. Muitas vezes, nem mesmo o proprietário consegue determinar com precisão o valor real da máquina.

Como consequência, o mercado segue fortemente informal. Grande parte das negociações ainda ocorre à vista, sem padronização operacional e, em alguns casos, com dificuldades até para emissão de notas fiscais e formalização das transações.

Além disso, operações envolvendo trocas de ativos e intermediações pouco estruturadas continuam sendo comuns no setor.

Crédito limitado trava expansão do mercado

A desorganização do segmento impacta diretamente o acesso ao crédito. Sem histórico técnico confiável, previsibilidade de valor ou garantias claras, instituições financeiras enfrentam dificuldades para oferecer financiamento para máquinas usadas.

O resultado é um ciclo que limita a evolução do setor:

  • Sem crédito, predominam operações à vista;
  • Sem formalização, o mercado continua desestruturado;
  • Sem dados confiáveis, aumenta o risco financeiro e operacional.

Esse cenário reduz a liquidez dos ativos e dificulta o crescimento sustentável do mercado de máquinas usadas no Brasil.

Leia Também:  Bolsas da China e Hong Kong fecham em alta com foco nas tarifas dos EUA
Digitalização surge como principal caminho para transformação

Para especialistas do setor, a digitalização representa a principal oportunidade de modernização e organização desse mercado bilionário.

A adoção de plataformas digitais pode contribuir para:

  • Criação de referências confiáveis de preços;
  • Padronização de avaliações técnicas;
  • Registro do histórico operacional das máquinas;
  • Aumento da transparência nas negociações;
  • Ampliação do acesso ao crédito;
  • Maior liquidez para compra e venda de ativos.

No entanto, o desafio vai além da simples digitalização de anúncios online. A transformação exige mudanças estruturais capazes de criar mecanismos confiáveis de registro, avaliação e rastreamento dos equipamentos.

Mercado global amplia oportunidades e desafios

O segmento de máquinas usadas possui ainda forte integração internacional, especialmente na América Latina, onde equipamentos agrícolas e de construção são frequentemente negociados entre países.

Esse movimento amplia o potencial econômico do setor, mas também aumenta a necessidade de padronização e controle operacional.

Para Jonathan Butzke, a transformação digital deixou de ser tendência e passou a ser uma necessidade estratégica para o futuro do mercado.

A expectativa é que a modernização do setor contribua para destravar bilhões de reais atualmente represados pela falta de transparência, impulsionando crédito, segurança jurídica e eficiência nas negociações.

Com maior organização, o mercado de máquinas usadas poderá se tornar mais previsível, financiável e competitivo, fortalecendo cadeias fundamentais para o agronegócio e para a economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA