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Santa Gertrudis Se Destaca em Prova de Desempenho a Pasto no Nordeste

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A raça Santa Gertrudis obteve resultados impressionantes na quarta edição da prova de desempenho a pasto, realizada no Nordeste em parceria com a Embrapa Geneplus. O evento, que aconteceu na Fazenda Mangabeira, localizada em Japaratuba, a 55 km de Aracaju (SE), demonstrou a eficiência da criação totalmente a pasto, mesmo em um ambiente semiárido e desafiador.

Com duração de 8 meses, a prova contou com a participação de 75 animais, entre machos e fêmeas, e avaliou diversos aspectos cruciais para a pecuária de corte. Ao final, os animais apresentavam uma média de 18 meses de idade. A avaliação não se restringiu à análise fenotípica; além dos dados de melhoramento genético, foi utilizada tecnologia de ultrassom para medir precocidade, marmoreio, rendimento e acabamento de carcaça, proporcionando uma visão detalhada do desempenho dos animais. “A precocidade é essencial para aumentar a produtividade e lucratividade dos clientes”, destacou Gustavo Barreto, proprietário da Fazenda Mangabeira.

Maury Dorta, especialista em melhoramento genético da Embrapa Geneplus, enfatizou a importância da avaliação contínua desde a desmama até o sobreano. “Para a raça Santa Gertrudis, voltada para a produção de carne, o desempenho, ganho de peso, fertilidade e qualidade da carcaça são fundamentais”, afirmou Maury. Ele ressaltou que a prova fornece acompanhamento e orientação aos criadores, ajudando na tomada de decisões para o melhoramento genético e na aplicação de técnicas de seleção e acasalamento.

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José Arnaldo Amstalden, superintendente técnico da Associação Brasileira de Santa Gertrudis, também participou da avaliação. Com 50 anos de experiência na raça, Arnaldo elogiou a eficiência dos touros em campo, destacando seu ótimo libido, capacidade de caminhar longas distâncias, resistência a altas temperaturas e menor suscetibilidade a carrapatos. “A prova demonstra que a raça tem um desempenho excepcional mesmo em condições adversas”, comentou Arnaldo.

Além das avaliações de carcaça realizadas com ultrassom, a prova incluiu análises detalhadas do estado reprodutivo das fêmeas e a mensuração da circunferência escrotal dos machos. “Essa análise é crucial para identificar futuras matrizes e reprodutores de alto desempenho”, explicou o veterinário Felipe Almeida.

Os resultados foram notáveis, especialmente considerando que os animais foram criados a pasto. “Machos apresentaram 101 cm de Área de Olho de Lombo (AOL), e fêmeas mostraram 7 cm de Espessura de Gordura Subcutânea (EGS) e 4,7 de marmoreio, evidenciando um desempenho excepcional”, destacou Guilherme Mouco, médico veterinário. “Buscamos fêmeas equilibradas com boa EGS, pois esse índice está relacionado à precocidade da reprodução”, completou.

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A evolução genética da raça tem avançado com a análise genômica para potencializar indivíduos e replicar características produtivas. “Realizamos a análise do genoma em 2018 e estamos atualizando agora. O objetivo é multiplicar animais que destacam o diferencial do Santa Gertrudis, produzindo carne de qualidade com rusticidade”, concluiu Gustavo Barreto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Restrição a antimicrobianos ameaça mercado de R$ 9 bilhões para proteínas animais

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O agronegócio brasileiro tem um prazo fatal de menos de 90 dias para evitar o fechamento das portas do mercado europeu e britânico. Com a oficialização de novas restrições ao uso de antimicrobianos pela União Europeia, que excluíram o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, a partir de 3 de setembro.

O impacto econômico é significativo. Apenas em 2025, a União Europeia importou o equivalente a cerca de R$ 9 bilhões em proteínas animais brasileiras. Desse total, aproximadamente R$ 5,3 bilhões corresponderam às exportações de carne bovina e R$ 3,8 bilhões às vendas de carne de frango. Embora o bloco não esteja entre os maiores destinos em volume, é considerado um mercado estratégico por absorver produtos de maior valor agregado e remunerar melhor os exportadores brasileiros.

Além do mercado europeu, o Brasil também corre o risco de enfrentar restrições no Reino Unido. Um ofício enviado nesta semana pelo Ministério da Agricultura aos auditores fiscais federais agropecuários informou que os procedimentos adotados para atender às exigências da União Europeia também deverão ser observados para as exportações destinadas aos britânicos. As medidas abrangem carne bovina, carne de aves, carne equina, pescado, mel, ovos etc.

Segundo o documento, somente poderão ser certificados para a União Europeia e para o Reino Unido os produtos considerados elegíveis aos requisitos relacionados ao uso de antimicrobianos previstos na legislação europeia. A regra passará a valer para certificações emitidas a partir de 3 de setembro de 2026, independentemente da data de chegada da carga ao destino.

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O governo brasileiro ainda tenta reverter a decisão. No entanto, o próximo encontro do comitê técnico europeu responsável pela avaliação do tema está previsto apenas para outubro, quando as restrições já terão entrado em vigor. Integrantes do governo avaliam que a questão poderá exigir atuação política em nível mais elevado, inclusive com eventual envolvimento direto do Palácio do Planalto nas negociações com a Comissão Europeia.

Fontes ligadas às discussões classificam a medida como uma barreira comercial injustificada, especialmente após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio. O Ministério da Agricultura afirma que o Brasil segue elevados padrões sanitários e defende o reconhecimento internacional dos controles adotados pelo país.

No ofício encaminhado aos fiscais, a área técnica da pasta determinou que os estabelecimentos habilitados para exportar aos dois mercados implementem controles auditáveis para comprovar o atendimento às exigências relacionadas aos antimicrobianos. Os procedimentos incluem rastreabilidade de animais e matérias-primas, manutenção de registros, segregação entre produtos elegíveis e não elegíveis, além de mecanismos para bloqueio de lotes que percam a condição necessária para certificação.

No caso da carne de aves, os exportadores deverão comprovar que os produtos são provenientes de animais não submetidos aos antimicrobianos proibidos pela legislação europeia. Para a carne bovina, os auditores deverão verificar certificados de transição dos lotes habilitados à exportação, além de conferir informações do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov) e das Guias de Trânsito Animal.

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A regulamentação europeia proíbe o uso, em animais destinados à produção de alimentos exportados ao bloco, de antimicrobianos considerados essenciais para a saúde humana. A lista inclui grupos específicos de antibióticos, antivirais e antiprotozoários reservados ao tratamento de infecções em pessoas.

Segundo informações obtidas pelo governo brasileiro, o Reino Unido também solicitou que o Brasil apresente garantias formais sobre seus sistemas de controle até o dia 2 de setembro. Caso não haja avanço nas negociações, exportadores brasileiros poderão perder acesso a mercados que movimentam bilhões de reais por ano e são considerados estratégicos para as cadeias de proteína animal do país.

A decisão oficializa o entendimento já aprovado em 12 de maio pelo Comitê Permanente das Plantas, dos Animais, dos Alimentos e dos Alimentos para Animais da União Europeia. O regulamento reúne exigências anteriores e atualiza a lista de países que não apresentaram garantias consideradas suficientes para comprovar o controle do uso de antimicrobianos na produção destinada ao mercado europeu.

Fonte: Pensar Agro

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