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Brasil Amplia a Produção de Açúcar e Reduz Déficit Global

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Na cana, desde o início da safra 2023/24 em abril, a moagem atingiu 560,54 milhões de t até 1º de novembro, um avanço anual de 14,1%, segundo dados da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar). Já na segunda quinzena de outubro, o crescimento foi menor, de 8,1%, totalizando 34,56 milhões de t. São Paulo, Minas Gerais e Goiás conseguiram aumentar sua capacidade de moagem em comparação com os primeiros 15 dias de outubro.

258 unidades operam no Centro-Sul (ante 229 em 2022), sendo 241 com processamento de cana-de-açúcar, 8 com milho e 10 “flex”. No acumulado do ciclo, apenas 20 usinas encerraram suas atividades, enquanto no mesmo período do ano passado 54 unidades já haviam terminado de processar. As usinas planejam ampliar o período de moagem da safra 2023/24 até meados de dezembro, devido ao volume recorde de cana. Para o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) que mede a qualidade da matéria-prima, na segunda metade de outubro foi de 146,59 kg/t, 1,1% acima do registrado em 2022/23 (144,94 kg/t). Já na posição acumulada, o indicador é de 141,09 kg/t (-0,20%). Em relação ao mix de produção, a posição acumulada é de 49,39% para o açúcar e 50,61% para o etanol.

Olhando para o mercado dos CBios (Créditos de Descarbonização), os dados da B3 (Bolsa de Valores do Brasil) até o dia 07 de outubro atestam a emissão de 28,23 milhões de títulos neste ano. Na parte obrigada do RenovaBio são aproximadamente 23,28 milhões de créditos de descarbonização.

Apesar da recuperação recente no consumo interno de etanol no Brasil, as usinas devem manter o foco em um mix mais açucareiro na próxima safra, impulsionado por preços mais vantajosos em comparação com o etanol e as fixações antecipadas. A consultoria Datagro prevê uma safra recorde de açúcar no Centro-Sul em 2024/25, atingindo 42,6 milhões de t (+5,7%). Além disso, a projeção aponta para uma ligeira redução na moagem total (-0,7%) estimada para ser 620,0 milhões de t. Já a produção total de etanol é estimada em 31,3 bilhões de litros em 2024/25, uma redução de 3,1%, com o aumento na produção de etanol de milho não sendo suficiente para compensar a queda do produto da cana.

No açúcar, a produção do adoçante fechou os últimos 15 dias de outubro em 2,35 milhões de t na região Centro-Sul, representando aumento anual de 9,4%. Já no acumulado da safra, o avanço é maior, de 22,6%, totalizando 37,22 milhões de t (UNICA).

Em outubro, o Brasil exportou 2,87 milhões de t de açúcar (- 9,2%) e registrou receita de US$ 1,5 bilhão (+ 15,5%). Já os preços fecharam o mês em US$ 521,92/t, considerando todas as categorias, alta de 26,9% na comparação com outubro passado. No acumulado de 2023 (janeiro a outubro), nosso país já enviou 23,9 milhões de t ao exterior (+ 10,1%) e arrecadou US$ 11,7 bilhões (+ 35,1%).

O Brasil enfrenta desafios logísticos que dificultam os embarques de açúcar. Ainda, congestionamentos nos portos e um incêndio no Porto de Paranaguá agravaram a situação, enquanto a competição por espaço nos portos aumentou devido à seca na região Amazônica, que desvia carregamentos de grãos para os portos do Sudeste. Além disso, a produção recorde de açúcar no Brasil coincide com grandes safras de soja e milho, o que limita ainda mais a capacidade de exportação.

A produção de açúcar na Índia em 2023/24 deve cair 8,0%, atingindo 33,7 milhões de t, devido à escassez de chuvas nos principais estados produtores de cana, conforme a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (Isma). Essa estimativa é inferior à última previsão de 36,2 milhões de t em agosto, o que afetar ainda mais os preços globais do açúcar, que já estão em níveis elevados.

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Nos preços, o contrato de março/24 fechou estava sendo negociado em 27,56 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, na data de fechamento da nossa coluna. Já o contrato de maio/24, girava em 26,23 cents/lb. Em Londres, a venda para março/24 custava US$ 746,40/t e a de maio/2024, US$ 727,70/t.

No mercado interno, o Açúcar Cristal Branco em São Paulo (Cepea/Esalq) estava cotado em R$ 156,13/sc (50kg), uma queda mensal de 0,7%. Na cotação em dólar, o produto brasileiro estava em US$ 31,83/sc.

As fixações de preços do açúcar para exportação, referente a temporada 2024/25 alcançaram 11,18 milhões de t em outubro, a um preço médio de 22,06 cents/lb. Até o momento, 43,0% da estimativa total de embarca foram comercializados, segundo a Archer. No mesmo período do ano passado, a fixação estava em 49,0%.

A Organização Internacional do Açúcar revisou as projeções para produção global do adoçante em 2023/24, de 174,8 para 179,8 milhões de t, 5 milhões de t a mais. O ajuste veio em vista da mudança do mix de produção das usinas brasileiras neste final de ciclo, aproveitando os preços elevados do adoçante. Como resultado, o déficit global foi também revisto, antes em 2,11 milhões de t e agora em torno de 330 mil t.

No etanol, a posição acumulada da safra desde o início da temporada foi de 26,98 bilhões de litros (+10,0%), sendo 15,94 bilhões de etanol hidratado (+10,3%) e 11,04 bilhões de anidro (+9,5%). Enquanto isso, na segunda quinzena de outubro, as usinas produziram 1,79 bilhão de litros (+11,5%) de etanol. Desse total, foram 1,07 bilhão de litros de etanol hidratado (+32,4%), e 717,91 milhões de litros (-9,8%) de anidro. Do resultado parcial de outubro, 15% foram originados do milho, ou 268,62 milhões de litros (+23,3%). Já do total até 1º de novembro, o etanol proveniente do milho alcançou 3,51 bilhões de litros, um incremento de 42,4%.

As vendas de etanol foram de 2,89 bilhões de litros em outubro (+13,9% se comparado ao mesmo período de 2022). No último mês, 1,04 bilhão de litros foram comercializados de etanol anidro (-5,8%) e 1,84 bilhão de litros de etanol hidratado foram vendidos (+29,3%). Enquanto isso, as vendas de etanol hidratado no mercado interno aumentaram 29,0%, alcançando 1,70 bilhão de litros. A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aponta que o etanol hidratado apresentou preços atrativos em 63% das cidades do consumo nacional, sendo que em São Paulo esse percentual é de 100%.

A StoneX prevê que o consumo de gasolina nos postos brasileiros em 2024 deve permanecer praticamente estável, atingindo 46,3 bilhões de litros (+0,3%). Por outro lado, a competitividade do etanol hidratado impulsionará seu consumo para 17,4 bilhões de litros no próximo ano, aumento de 8,1% em relação a 2023. O aumento na alíquota de ICMS sobre a gasolina em fevereiro de 2024 e o aumento na oferta de etanol durante a safra 2024/25 do Centro-Sul devem favorecer a substituição da gasolina pelo biocombustível.

A Copersucar anunciou que duas usinas obtiveram a certificação que permite a comercialização de etanol para a produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel ou Combustível Sustentável de Aviação). Inclusive, a empresa pretende certificar todas as usinas associadas, visando fornecer produtos em escala para o mercado.

A John Deere pretende investir em maquinários agrícolas com motores a etanol, visando atingir suas metas de sustentabilidade até 2030, que incluem a redução das emissões da empresa, de clientes e fornecedores, bem como a diminuição do uso de insumos. Iniciativas como eletrificação, biocombustíveis e uso de combustíveis renováveis fazem parte do escopo.

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Em relação aos preços, os dados disponibilizados pela SCA em 19 de novembro apontam que o hidratado estava em R$ 2,610/l e o anidro em R$ 2,570/l na cidade de Ribeirão Preto (SP), com impostos já contabilizados.

Valor do ATR

O Açúcar Total Recuperável (ATR) encerrou outubro em R$ 1,2376/kg, alta de 2,7% na comparação com setembro. Recordando o histórico da safra 2023/24: abril estava em R$ 1,2129/kg; maio em R$ 1,1943/kg; junho foi a R$ 1,2223/kg; julho, R$ 1,2153/kg; agosto chegamos a R$ 1,1930/kg; e em setembro, R$ 1,2051/kg. Com o resultado recente, o acumulado está em R$ 1,2148/kg. Nossa previsão é de que fique entre R$ 1,22 e R$ 1,23/kg até o término da safra 2023/24, em abril do próximo ano.

Para concluir, os cinco principais fatos para acompanhar em dezembro na cadeia da cana:

  1. O término da colheita na região Centro-Sul e os indicadores finais da safra 2023/24 de cana-de-açúcar: moagem, produção de açúcar/etanol, ATR, produtividade dos canaviais e outros. Momento de realizar o balanço de resultados, avaliações dos pontos de melhoria e planejamento do próximo ciclo.
  2. Seguir acompanhando o mercado global do petróleo, onde os preços voltaram a cair, aliviando os custos de produção. Na data de fechamento da nossa coluna, o barril do Brent estava em US$ 82,08, queda mensal de 7,5%. Com o acordo de cessar fogo entre Israel e Hamas e possíveis novas discussões, a tendência é que haja também reflexo na indústria petroleira.
  3. No mercado interno, observar a questão dos preços do etanol hidratado, que seguem acumulando quedas consecutivas. Em 17/11, o hidratado combustível em São Paulo (Cepea) estava em R$ 2,1420/l, baixa mensal de 3,4%. Importante atentar ao impacto, nos preços, da redução na oferta do biocombustível com a conclusão da moagem na região Centro-Sul, em dezembro.
  4. No mercado do açúcar, observar as reações do mercado as novas estimativas que preveem uma alta de 2,9% ou 5 milhões de t na oferta global do produto, especialmente por conta do foco das usinas brasileiras na conversão da cana em adoçante, neste final de ciclo. Certamente, haverá alguma reação nos preços em breve. A previsão climática e as estimativas da safra brasileira em 2024/25 serão também fatores decisivos.
  5. Concluindo com a recomendação para acompanhamento dos relatórios e estimativas da safra 2024/25 no Brasil, que já estão sendo divulgados. A expectativa é de manutenção de um alto volume de cana processado. Momento de avaliar os cenários, prever riscos e mapear oportunidades.
  • Marcos Fava Neves – Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) da FGV (São Paulo — SP) e da Harven Agribusiness Scholl (Ribeirão Preto — SP). É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos e outros materiais em DoutorAgro.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves).
  • Vinícius Cambaúva – Associado na Markestrat Group, mestrando em Administração pela FEA-RP/USP e Instrutor “In Company” na Harven Agribusiness School. É especialista em comunicação estratégica no agro.
  • Beatriz Papa Casagrande – Consultora na Markestrat Group, aluna de mestrado em Administração de Organizações na FEA-RP/USP e especialista em inteligência de mercado para o agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Queda de 27,5% no suíno vivo aprofunda perdas na suinocultura

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A suinocultura brasileira enfrenta um início de 2026 marcado por forte compressão de margens, com queda nas cotações do animal vivo e custos ainda elevados. Em Mato Grosso, o movimento é mais intenso: o preço do quilo do suíno vivo recuou de R$ 8,00 em janeiro para R$ 5,80 nesta semana, retração de 27,5%, segundo levantamento da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat). A queda atinge diretamente a receita do produtor e já coloca a atividade no vermelho no estado.

O Brasil mantém uma das maiores cadeias de suinocultura do mundo, com produção anual próxima de 5 milhões de toneladas de carne suína e exportações que superaram 1,2 milhão de toneladas em 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O setor segue sustentado pelo mercado externo e por um consumo interno que absorve cerca de 75% da produção, mas enfrenta, em 2026, um ambiente de margens mais apertadas, pressionadas pela combinação de custos elevados e ajustes nos preços ao produtor.

Nos principais estados produtores, o início do ano foi marcado por recuo nas cotações do suíno vivo, movimento associado ao aumento da oferta e à desaceleração sazonal da demanda no primeiro trimestre. Em polos consolidados como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, a forte integração com a agroindústria e a maior participação nas exportações ajudam a amortecer esse ciclo de baixa, ainda que também haja compressão de margens. Nesses estados, a capacidade de direcionar produção ao mercado externo funciona como válvula de equilíbrio, reduzindo a exposição direta às oscilações do consumo doméstico.

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Nesse contexto, Mato Grosso apresenta um quadro mais sensível. Além da queda acentuada nas cotações, o estado opera com custos ainda elevados, especialmente com alimentação, o que compromete diretamente a rentabilidade da atividade. O recuo para R$ 5,80 por quilo representa o menor patamar desde abril de 2024.

O descompasso na cadeia agrava o cenário. Apesar da queda expressiva no preço do animal vivo e da carcaça, os valores da carne suína ao consumidor final seguem elevados no varejo, impedindo o repasse da redução e limitando o potencial de estímulo ao consumo. Com isso, o ajuste de mercado não se completa e a pressão permanece concentrada na base produtiva.

Frederico Tannure Filho

Atualmente, o prejuízo médio no estado é estimado em cerca de R$ 60 por animal abatido, segundo a Acrismat. Para o presidente da entidade, Frederico Tannure Filho, é necessário reequilibrar a cadeia. “Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e também na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor. É importante que o varejo acompanhe esse movimento, reduzindo os preços na ponta. Dessa forma, conseguimos estimular o consumo de carne suína e, ao mesmo tempo, amenizar os impactos enfrentados pelos produtores”, afirma.

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A avaliação do setor é que, sem ajuste no varejo, a tendência é de continuidade da pressão sobre os produtores, especialmente em regiões menos integradas à exportação. Em um país que combina grande escala produtiva com forte dependência do mercado interno, o reequilíbrio entre preço ao produtor, custo de produção e preço ao consumidor será determinante para evitar a ampliação das perdas no campo ao longo de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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