AGRONEGÓCIO
Agronegócio faz sucesso, mas enfrenta falta de conectividade
Publicado em
28 de julho de 2023por
Da RedaçãoO agronegócio, apesar de todo sucesso e resultados, tem um gargalo quando o assunto é conectividade. No Estado de São Paulo, por exemplo, que registrou US$10,04 bilhões de superávit na balança comercial nos seis primeiros meses do ano, não têm cobertura de internet em muitas regiões.
“Milhares de produtores estão no breu, precisamos mudar isso”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Antonio Junqueira.
O secretário ressalta que em algumas das principais rodovias do Estado, como Bandeirantes e Castelo Branco, vários pontos estão sem sinal de internet. “Em alguns trechos, caminhoneiros e produtores rurais ficam até 30 minutos andando pelas rodovias sem nenhum sinal de internet.”
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Falta de conectividade no campo prejudica a produtividade e traz prejuízos ao agronegócio
Segundo Junqueira, a meta do governo estadual é zerar essa falta de cobertura até 2026, para isso, tem conversado com grandes e pequenas operadoras para que os produtores paulistas tenham acesso à internet de qualidade. “A conectividade no campo pode elevar os índices de produtividade entre 15% e 25%. O tempo gasto em deslocamento e a falta de informações prejudica a atividade”, explica o secretário.
Além disso, Junqueira ressalta que um plano está sendo montado para atender aos pequenos produtores, usando recursos do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap). “A ideia é ter uma linha entre R$ 8 mil e R$ 10 mil para financiar a compra de kits de internet a serem instalados nas propriedades.”
Quando se fala em tecnologia no campo, logo se pensa em modernas máquinas agrícolas operadas por sistema remoto, mas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que 73% das propriedades rurais de norte a sul do Brasil ainda estão desconectadas e não aproveitam os benefícios que a tecnologia proporciona.
“Para fazer qualquer operação, o agricultor familiar precisa pegar seu carro ou caminhonete, seguir, muitas vezes, por estradas de terra, para ir até a cidade pra pagar uma conta no banco, o que ele poderia fazer pelo celular se tivesse internet”, explica Alberto Amorim, coordenador de Assessoria Técnica da Secretaria de Agricultura.
Além disso, Amorim ressalta que esse deslocamento impacta em custos, com combustível, e emissão de carbono. “O pequeno produtor perde tempo e dinheiro quando se ausenta da propriedade, tudo isso pela falta de conectividade.”
De acordo com um estudo da ESALQ/USP, independentemente do tamanho dos estabelecimentos rurais, cadeia produtiva, renda ou perfil de produtor, a tecnologia da informação é de suma importância no contexto da agropecuária de países em desenvolvimento, diminuindo desigualdades entre cidade e campo.
Segundo levantamento da Secretaria de Agricultura, hoje, no Estado de São Paulo apenas 50% do território tem cobertura de internet e se concentra nas áreas urbanas. Isso acontece, porque na época em que foram concedidas as concessões para cobertura de internet no Brasil, as operadoras focaram pelos grandes centros, com maior número de pessoas e poder aquisitivo. “A tecnologia avançou, os celulares se popularizaram, mas a rede de cobertura não avançou na mesma velocidade”, explica Alberto Amorim.
Para o secretário de Agricultura de São Paulo, sinal de internet confiável e de alta velocidade nos imóveis rurais, possibilita aos produtores, com maior facilidade, tomar decisões sobre suas operações. “A inclusão digital garante aos produtores acesso a informações, tecnologias e mercados, no próprio celular, com rapidez e qualidade”, exemplifica Junqueira.
A importância do acesso à informação no campo é apontada pelo estudo da ESALQ/USP. A internet melhora os sistemas de produção e comercialização dos produtores rurais, mas também garante resultados efetivos em termos de investimentos, políticas e programas, principalmente os voltados à extensão rural, instrumento fundamental para promover as transformações no campo.
Pelos cálculos do Ministério da Agricultura, o Brasil tem 195 milhões de hectares que permanecem offline. Para conectar metade desse território – usando as torres já existentes e o modelo de telefonia móvel por meio de sinal de 4G e 3G – seria preciso instalar 4.400 antenas. E para atingir 75% das propriedades rurais, é necessário construir 15.100 conjuntos de torres e antenas, o que pode demorar muito tempo.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro
Published
8 horas agoon
1 de julho de 2026By
Da Redação
O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.
Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.
Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela
O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.
Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.
Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.
Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural
Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.
Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.
Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.
A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.
Cooperativas ampliam presença no campo
Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.
Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.
Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.
CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado
A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.
O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.
Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.
Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.
Desafio para produtores passa a ser gestão financeira
Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.
Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.
Nova fase do crédito rural já começou
O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.
Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.
A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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