Tribunal de Justiça de MT

Encontro dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos discute estratégias de autocomposição

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O segundo dia do Encontro Estadual de Juízes, Coordenadores e Gestores dos Cejuscs de Mato Grosso foi marcado pelo painel temático “Indicadores Afetos à Autocomposição de Conflitos”, realizado nesta sexta-feira (30 de agosto) no auditório Gervásio Leite, na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
 
Na oportunidade, foram apresentadas estratégias e métricas usadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), constantes em normativas, que visam aumentar a eficiência dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) de todo país, reforçando a importância da conciliação como meio eficaz de resolução de conflitos.

Painéis temáticos – O gestor sênior da Estatística e Gestão Estratégica da Coordenadoria de Planejamento do TJMT, Anderson Cristiano Neisse, contextualizou o histórico dos indicadores no cenário da autocomposição de conflitos e a evolução dos mesmos dentro do Sistema Judiciário.
 
Ele explicou que, desde 2009, o CNJ vem desenvolvendo um arcabouço de indicadores para medir o desempenho dos tribunais em conciliações, considerando tanto as fases processuais quanto pré-processuais. Destacou ainda que a introdução do Índice de Conciliação (IC) em 2015 trouxe uma nova perspectiva para a avaliação do desempenho dos tribunais. “O TJMT está entre os tribunais que mais conciliam quando consideramos as conciliações pré-processuais. E quando a gente focou na Meta 3, que trata sobre as conciliações processuais e pré-processuais, também nos encontramos em um cenário positivo”. O IC da Meta 3, atualmente, está em 17,35% (115,66%), sendo realizados 66.864 acordos dentre 385.401 julgamentos.
 
Neisse também ressaltou a necessidade de uma cultura organizacional orientada por dados, explicando que o sucesso na gestão dos indicadores de conciliação é fundamental para alcançar o Selo Diamante, um reconhecimento de excelência concedido pelo CNJ. “Os indicadores de conciliação são os mais complexos em termos de diversidade de mensuração. A intenção, então, é a gente oferecer esse contexto aos magistrados e servidores, auxiliando-os sobre a melhor forma de gerir esses indicadores”. Além da Meta 3 do CNJ, os desafios também permeiam cumprir com os indicadores existentes no Prêmio Conciliar é Legal, Prêmio CNJ de Qualidade e Semana da Conciliação.
 
Já na segunda apresentação, conduzida pelo gestor-geral do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do TJMT, João Gualberto Nogueira Neto, foi destacado o crescimento contínuo do Índice de Conciliação do TJMT nos últimos anos, o que, segundo ele, vem colocando o Tribunal entre os de melhor desempenho no país.
 
Também foi sublinhada a criação dos painéis gerenciais e de indicadores pelo Nupemec-TJMT, que permitem um acompanhamento da carga de trabalho, da produtividade e das taxas de acordo nos Cejuscs. “Estamos trabalhando com um modelo de gestão que é ágil e voltado para resultados. Nossa meta é clara: tornar o TJMT uma referência nacional em métodos consensuais de solução de conflitos”, destacou.
  
Apesar dos avanços, também foram expostos nesse painel os obstáculos que ainda precisam ser enfrentados. Entre eles, o palestrante mencionou a escassez de recursos e a necessidade de maior engajamento dos operadores do sistema de Justiça, como a OAB, Ministério Público e Defensoria Pública. Quanto ao planejamento futuro do Nupemec-TJMT, segundo o gestor-geral, estão previstas a revisão normativa para aprimorar o modelo de credenciamento e a possibilidade de melhorias na remuneração de colaboradores, além da perspectiva de se estender as atribuições dos painéis gerenciais, incluindo uma percepção mais detalhada sobre audiências designadas, realizadas, não-realizadas, motivos de não acordo e potencial dos Cejuscs em absorção de demandas.
 
“Cada acordo não entregue é uma ferida que se abre. Precisamos entender o porquê das pessoas não fazerem acordos e usar esses indicadores como um guia para aprimorar nossos processos”, revelou. “Reconhecer que existem essas dores é um passo importante para adotarmos melhorias. Errar faz parte do processo de aprendizado e a cada novo desafio, ajustamos nossas estratégias para alcançar o sucesso. Não existe atividade que não seja possível de ser melhorada”, acrescentou.
 
Avaliação – Os participantes contribuíram ainda com questionamentos e sugestões sobre oportunidades de melhoria nos processos de conciliação durante esse painel, que foi mediado pelo gestor de Apoio aos Cejuscs do Nupemec-TJMT, Sebastião José de Queiroz Júnior. Luciane Judite Ramos Nessler de Souza, gestora do Cejusc de Canarana (653 km de Cuiabá), mostrou-se inspirada pelas discussões, especialmente sobre Justiça Restaurativa, enfatizando a importância da busca contínua por conhecimento. “Tudo que foi explanado é de grande valia para nós levarmos para o nosso Cejusc, para colocar em prática por lá”. O aprendizado adquirido no evento também foi enaltecido pela gestora do Cejusc de Sinop (480 km de Cuiabá), Silvana Cavalcanti Barsand Pinheiro. “É muito importante porque a gente troca ideias e experiências, buscamos uma uniformidade de entendimentos. Após eventos como esse, chegamos empolgados e cheios de energia na Comarca”, declarou.
 
José Nivaldo de Lima e Renata Maura Pires Santos Paim, gestores dos Cejuscs de Tangará da Serra (242 km de Cuiabá) e da Fazenda Pública, respectivamente, aproveitaram ainda a ocasião para enaltecer as ações promovidas pelo Nupemec por meio da troca contínua de experiências e o fortalecimento das práticas de conciliação no Estado.
 
Para o desembargador Mario Roberto Kono de Oliveira, presidente do Nupemec do TJMT, unidade idealizadora do evento, por meio das abordagens propostas nesse painel temático é possível perceber que as metas estabelecidas pelo CNJ vão além do cumprimento de pontuações e percentuais, pois incentivam uma prestação jurisdicional mais eficiente e rápida. Por isso, segundo ele, é imprescindível o envolvimento de todos no processo. “Nós queremos atingir essas metas com o ideal de sermos um dos melhores tribunais do país, dentro do nosso porte. E todos estamos num barco só”.
 
O desembargador também reforçou que iniciativas como essa, que promove a divulgação de boas práticas e a troca de experiências e inovação, são altamente benéficas, não apenas ao TJMT e ao CNJ, mas principalmente aos jurisdicionados, fortalecendo a política de conciliação.
 
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira gestor do Nupemec discursa em um auditório para uma plateia atenta, com dois outros participantes sentados no palco, enquanto uma grande tela ao fundo exibe informações sobre o evento.
 
Talita Ormond 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso de formação aborda judicialização da saúde e reforça atuação prática de magistrados

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A formação dos novos juízes e juízas de Mato Grosso ganhou um reforço prático nesta quarta-feira (06) com uma aula voltada para a judicialização da saúde. Conduzido pelo secretário-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, o encontro do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi) de magistrados destacou a importância de decisões equilibradas, que considerem tanto o direito à vida quanto a realidade do sistema público de saúde.

Durante a aula, os juízes foram orientados a alinhar teoria e prática, levando em conta fatores como orçamento público, evidências científicas e a estrutura disponível na rede de saúde. “A ideia do Cofi sempre foi oportunizar aos novos magistrados o contato com colegas mais experientes, para compartilhar situações do dia a dia, aliando teoria e prática. Trouxemos elementos que possam ser utilizados no cotidiano, principalmente em ações que envolvem a saúde pública”, explicou o juiz Agamenon.

Formação prática

O conteúdo também abordou a evolução das estruturas de apoio no Estado, como o NAT-Jus, o Cejusc da Saúde e o Núcleo 4.0, criados para qualificar decisões e dar mais agilidade às demandas. A proposta é incentivar o diálogo institucional entre Judiciário e gestores públicos, evitando medidas ineficazes, como bloqueios de recursos sem planejamento.

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“A saúde pública está entre as áreas com maior volume de demandas no Judiciário. É fundamental que o magistrado compreenda como funciona o sistema, conheça a realidade local e saiba avaliar quando uma liminar é cabível”, reforçou o secretário-geral.

Para a juíza Ana Flávia Martins François, da Primeira Vara de Juína, o aprendizado tem impacto direto na atuação. “Está sendo de grande valia, principalmente para quem está iniciando na carreira. Conhecer ferramentas como o Núcleo Digital 4.0 da Saúde e o Cejusc contribui para dar mais efetividade às decisões judiciais”, destacou.

Desafios reais

A magistrada Ana Flávia também relatou que já vivencia situações semelhantes na rotina forense, especialmente em plantões judiciais. “Frequentemente surgem pedidos por leitos de UTI. Muitas vezes, o Estado não consegue atender todas as demandas, o que exige soluções mais rápidas e eficientes, como o encaminhamento para núcleos especializados”, afirmou.

O juiz Felipe Barthón Lopez, da comarca de Vila Rica, ressaltou o caráter prático da aula. “Foi muito importante porque trouxe dicas aplicáveis ao dia a dia. Os novos magistrados vão enfrentar diversos desafios, e esse tipo de orientação ajuda a preparar para situações reais”, pontuou.

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Embora ainda atue na área criminal, ele reconhece a relevância do tema. “É importante estar preparado, porque futuramente esses desafios certamente farão parte da atuação”, completou.

O Curso Oficial de Formação Inicial de Juízes Substitutos (Cofi), iniciado em janeiro pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), é etapa obrigatória para o exercício da jurisdição. Com carga horária de 496 horas, a formação combina teoria e prática supervisionada, preparando os novos magistrados para uma atuação técnica, humanizada e alinhada às demandas da sociedade.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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