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Atenção à pessoa egressa do sistema prisional é debatida no XI Encontro Nacional de Execução Penal

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No terceiro e último dia do XI Encontro Nacional de Execução Penal, nesta sexta-feira (26 de julho), o foco do primeiro painel foi a atenção à pessoa egressa do sistema prisional, que teve como palestrantes o supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF-MT), desembargador Orlando de Almeida Perri, o psicólogo e escritor Afro Stefanini II, o presidente da Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio-MT), Sesc e Senac, José Wenceslau de Souza Júnior e o juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF), desembargador Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi. A mesa foi presidida pelo conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ulisses Rabaneda.
 
Dentre os destaques feitos pelo desembargador Orlando Perri foi um dos resultados do trabalho de ressocialização em Mato Grosso, por meio dos Escritórios Sociais. Ele informou que, entre janeiro e julho deste ano, mais de 3 mil recuperandos foram inseridos no mercado de trabalho e, dentre esse grupo, a reincidência é de apenas 18%. “Já começamos a colher os resultados. A reincidência já caiu para baixo de 18%, mas eu penso que os números são mais otimistas ainda. Agora nós vamos verificar quem são esses 18%, saber os motivos, porque acreditamos que muitos podem ter voltando para a prisão por um fato que estava respondendo antes da sua liberdade. Então não tenho dúvidas de que enquanto o homem não inventar a ‘pílula dourada’, o trabalho será o melhor instrumento de ressocialização”.
 
O psicólogo Afro Stefanini II, que realiza atendimento dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, apontou que o ponto em comum entre todos os privados de liberdade é o dilema e que isso deve ser aproveitado para trabalhar a questão moral e os princípios nessas pessoas.
 
“Precisamos aproveitar como princípio ativo da educação psicomoral dentro das unidades prisionais: o dilema. E ela está lá borbulhando, mas recebendo todas as impressões externas porque existe um princípio dentro da psicologia que é quando eu não coloco nada no lugar, alguma coisa fica. É o mesmo princípio que diz que se eu não desenvolver nada dentro de mim, tudo o que acontece de dor e de sofrimento fica ali naquele espaço para tentar fazer o papel de defesa. Então, nesses dilemas que a criatura traz, quanto mais ela vai sendo desumanizada, desconsiderada e colocada só a mercê dos processos do estigma da sociedade ela não avança”, disse, complementando que é preciso oportunizar aos recuperandos que retornem ao processo de uma vida harmônica. “A era do recomeço precisa vir nas bases práticas”, concluiu.
 
Já o presidente da Fecomércio, José Wenceslau, compartilhou com os participantes do evento a experiência da entidade com 30 recuperandos em sistema fechado, que realizam trabalho extramuros e estudam na instituição. “Este ano nós fomos procurados pelo desembargador Perri para fazer esse grande programa de inserir na sociedade as pessoas privadas de liberdade. Então, através do Senac, cuja expertise é a educação profissional, que nós começamos essa experiência com 15 mulheres e 15 homens dentro de uma obra do Senac. O que estamos fazendo, que acredito que servirá de modelo para todo o Brasil, é inserir essas pessoas na sociedade, pagando salário pra elas estudarem. Então no primeiro dia, 15 estudam e 15 trabalham e no outro dia há uma inversão. Nós tratamos essas pessoas com dignidade, com respeito, pagamos o salário e damos um ticket alimentação de R$ 1.250,00 para as famílias dessas pessoas”, relatou.
 
O coordenador do DMF, desembargador Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, ressaltou a centralidade que o tema da atenção aos egressos deve ter, assim como tem a questão do aprisionamento. “Eu reputo um dos temas mais importantes dentro da Lei de Execução Penal porque esse ciclo da punição não se encerra com a passagem pelo presídio. Ele segue deixando passagens profundas nessas pessoas que vivem essa realidade. A verdade é que a pena traz um desbastamento à pessoa, que realmente sai necessitando de uma série de providência e de uma ação positiva do Estado para compensar justamente o que ela já não tinha quando entrou e participou dessa experiência da punição ou que ela acabou perdendo com a convivência no cárcere. O que nós vemos, na verdade, é um Estado que deixa de cumprir a sua obrigação e  não promove essa integração social”, criticou.
 
O magistrado citou ainda um estudo do CNJ que mostra que o tempo de sobrevida das pessoas egressas do sistema prisional é de apenas 2 anos. “Então, se o Estado não age imediatamente à saída dessas pessoas, há grande chance dessas pessoas retornarem ou dessas pessoas morrerem. Pessoas que, na verdade, poderiam estar contribuindo para a produção, para a economia, com o fortalecimento, já não fosse a necessidade de que o Estado pudesse olhar para elas com o mínimo de dignidade por serem seres humanos e, nessa condição, receberem o respeito por essa circunstância. Então esse é um tema central de uma Lei de Execução Penal que completa 40 anos e que há muito há ser feito ainda”, comentou.
 
Presidente da mesa, o advogado Ulisses Rabaneda fez um breve testemunho sobre a experiência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso com a mão-de-obra de egressos. “Nós temos servidores que são egressos do sistema prisional, mediante uma parceria com a Fundação Nova Chance. E eu posso dizer que são dos melhores funcionários que temos, são assíduos, são responsáveis e não tivemos absolutamente nenhum incidente em mais de 3 anos com relação ao trabalho dessas pessoas. Inclusive, nós temos cada vez mais pessoas querendo integrar e o objetivo é ampliar isso. Tenho certeza de que é também muito atrativo para o empresário, fazendo com que haja uma via de mão dupla”.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Desembargador Orlando Perri fala no púlpito. Ele é um senhor branco de cabelos lisos e grisalhos, usando camisa branca, terno azul-marinho e gravata azul-escuro com estampa vermelha. Foto 2: Presidente da Fecomércio, José Wenceslau, fala no púlpito. Ele é um senhor branco, calvo, usando camisa branca, terno e gravata cinza. Foto 3: Coordenador do DMF, desembargador Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, fala ao microfone. Ele é um homem branco, calvo, de olhos claros, usando camisa branca, terno e colete cinza e gravata vermelha.  
 
Celly Silva/ Fotos: Alair Ribeiro 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT   
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário lança página no portal do TJMT

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A Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso lançou sua página no portal do TJMT, durante o evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado nos dias 15 e 16 de abril. Agora, os públicos interno e externo ao Tribunal de Justiça podem acessar acessibilidade.tjmt.jus.br e conferir todas ações da Comissão, bem como entrar em contato com seus membros.
A juíza auxiliar da Vice-presidência, Alethea Assunção Santos, fez a apresentação da página na internet durante o evento. “O portal da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso tem a finalidade de apresentar as iniciativas, ações, capacitações, os projetos da Comissão e também é um repositório de atos normativos, de leis e das notícias relativas às ações. Então é uma forma de difundir o trabalho da Comissão”, explica.
Mulher de cabelos longos posa sorrindo em primeiro plano. Ao fundo, palco com cadeiras e telão verde do evento TJMT Inclusivo, com pessoas desfocadas ao redor.Conforme a magistrada, a criação da página demonstra o compromisso da Comissão em fomentar a construção de uma política institucional mais inclusiva. “O Poder Judiciário precisa olhar para o jurisdicionado, abrindo as possibilidades para aqueles que têm alguma deficiência, mas também olhar para o servidor, nos atendo às barreiras arquitetônicas e outras dificuldades daquele servidor e também do público externo. A Comissão tem essa função de compreender quais são essas necessidades específicas e trabalhar para reduzir esses empecilhos e garantir a acessibilidade e a inclusão”, defendeu.
A página da Comissão conta com a sessão “Fale Conosco”, onde estão disponíveis os canais de contato. “Esperamos que a população acesse, entre em contato conosco, mande dicas, sugestões e que, assim, a gente possa manter o portal ativo”, convida a juíza Alethea Assunção.
A página da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso está no portal do Tribunal de Justiça, no espaço dedicado aos portais temáticos, conforme a imagem ao lado.
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Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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