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Em meio a aumento de feminicídios, Fonavid reforça papel do Judiciário na proteção das mulheres

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O XVII Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) está sendo realizado de 10 a 14 de novembro, no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís (MA), reunindo cerca de 300 participantes entre magistradas, magistrados, equipes técnicas e representantes da rede de proteção. O evento é promovido pelo Fonavid, em parceria com o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher/TJMA), com apoio da Escola Superior da Magistratura do Maranhão (Esmam).

Juízas e juízes do TJMT participam do Encontro: Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá; Marcos Terencio Agostinho Pires e Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital; José Mauro Nagib Jorge, da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Várzea Grande; e Maria Mazarelo Farias Pinto, da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Rondonópolis.

Mais do que um espaço de debate, o encontro ocorre em um momento de alerta. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 revelam um aumento preocupante da violência de gênero no país. Em 2024, as tentativas de feminicídio cresceram 19% em relação ao ano anterior. A cada 2,3 horas uma mulher é assassinada no Brasil e, em média, a cada seis horas uma perde a vida apenas por ser mulher.

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Criado em 2009, o Fonavid se consolidou como um espaço de diálogo entre profissionais do sistema de justiça, com o objetivo de aprimorar a aplicação da Lei Maria da Penha e fortalecer políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. A cada edição, o fórum busca promover práticas inovadoras e reflexões sobre o papel do Poder Judiciário no enfrentamento à violência doméstica e familiar.

Entre os painéis realizados, o tema “Estereótipos de gênero nas decisões judiciais e seus reflexos nos processos de família” trouxe uma discussão sobre como preconceitos ainda influenciam julgamentos no âmbito da Justiça. A juíza da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que também é tesoureira da comissão executiva do Colégio de Coordenadores da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário Brasileiro (Cocevid) para o exercício de 2025, participou como debatedora e destacou a importância de uma atuação judicial livre de vieses e estereótipos.

Segundo a magistrada, muitos processos de família ainda refletem concepções ultrapassadas sobre o papel da mulher. “As decisões judiciais em disputas de guarda de filhos, pensão alimentícia e direito de convivência muitas vezes reproduzem estereótipos e vieses de gênero profundamente enraizados”, observou.

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Ela lembrou que estudos recentes apontam para a persistência desses preconceitos, mesmo dentro do sistema de justiça.

Para Ana Graziela, o enfrentamento desses vieses exige atenção em todas as etapas do processo judicial, e não apenas no momento da sentença. “Os vieses de gênero podem incidir desde o recebimento da petição inicial, passando pela fase de instrução e pela tramitação do feito, até a fundamentação final. Identificar esses pontos críticos é essencial para mitigar a reprodução de estereótipos”, explicou.

A juíza ressaltou, ainda, a orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a necessidade de incorporar a perspectiva de gênero como princípio permanente da atuação judicial. “Conforme orienta o próprio CNJ, uma atuação judicial com perspectiva de gênero demanda atenção não apenas ao julgar, mas durante toda a tramitação processual”, concluiu.

O Fonavid segue até sexta-feira (14), com mesas de debate, oficinas e apresentações de boas práticas de tribunais de todo o país, reafirmando o compromisso do Poder Judiciário com a erradicação da violência contra a mulher e a promoção de uma justiça mais sensível e igualitária.

Autor: Flávia Borges

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Poconé homenageia desembargadora e juiz com títulos de Cidadãos poconeanos

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Visão ampla do plenário. Uma mulher de cabelos brancos discursa no púlpito. Outras pessoas estão sentadas e em pé atrás da bancada principal, que exibe um brasão e plantas nas laterais.A Câmara Municipal de Poconé (104 km de Cuiabá) realizou, na noite de sexta-feira (15 de maio), uma sessão solene para a outorga de títulos de cidadania poconeana a personalidades que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento do município. A cerimônia ocorreu na sede do Poder Legislativo e reuniu autoridades, familiares, convidados e representantes da sociedade civil.
A concessão dos títulos foi proposta pelo presidente da Câmara, vereador Antônio Edson de Arruda Souza, o “Professor Edinho Ball”, com o objetivo de reconhecer a atuação de profissionais que, mesmo não sendo naturais da cidade, construíram uma trajetória de serviços relevantes à população de Poconé.
Mulher de cabelos brancos presos, brincos e blusa social branca discursa frontalmente atrás de um púlpito de madeira escura com um detalhe retangular claro na frente.Entre os homenageados, a desembargadora Clarice Claudino da Silva destacou a forte ligação construída com o município ao longo de sua carreira. Em seu discurso, relembrou o início da trajetória na magistratura, quando atuou na comarca ainda na década de 1980, período marcado por desafios sociais e econômicos.
“Aqui eu iniciei a minha jornada na magistratura, no mês de março de 1980. Permaneci por três anos bastante desafiadores, numa época em que enfrentávamos o fechamento do garimpo. Foi realmente um trauma para a sociedade, e atuamos fortemente para que tudo se reorganizasse”, recordou.
A magistrada também ressaltou o vínculo afetivo com a população local, evidenciando o sentimento de pertencimento construído ao longo dos anos. “Recebo essa homenagem com muito orgulho, porque ela vem ao encontro de um sentimento que sempre nutri. Sempre me considerei filha desta cidade, pois fui muito bem acolhida e abraçada por esta comunidade, da qual nunca me desliguei emocionalmente”, afirmou, ao agradecer aos vereadores e à população pelo reconhecimento.
Juiz José Antônio Bezerra Filho usa terno cinza e óculos, fala ao microfone em um púlpito de madeira escura. Ao lado esquerdo inferior, uma mulher de camisa branca olha para baixo, sentada em uma mesa.Outro homenageado, o juiz de Direito José Antônio Bezerra Filho, que também atuou em Poconé e atualmente coordena o programa Justiça Comunitária em Mato Grosso, destacou o acolhimento recebido durante sua passagem pela comarca e reforçou o compromisso com a sociedade.
“Agradeço a todos os pares desta Casa e à sociedade poconeana, que sempre nos acolheu, não só a mim, mas também à minha família. Agora, o compromisso é ainda maior com a responsabilidade de me tornar cidadão poconeano. Espero corresponder à altura a essa homenagem que me foi confiada”, declarou.

Autor: Ana Assumpção

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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