Tribunal de Justiça de MT

Congresso Internacional aborda a potência das práticas restaurativas na contenção de conflitos

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Posicionado entre os principais Tribunais de Justiça do Brasil na promoção da cultura de paz e no fortalecimento das práticas da Justiça Restaurativa, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), participou nos dias 21 e 22 de novembro, em Belo Horizonte, Minas Gerais, do 2º Congresso Internacional de Justiça Restaurativa, com o tema “Transformando Conflitos, Fortalecendo Comunidades: A Evolução da Justiça Restaurativa”, realizado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
 
O evento fez parte da agenda de sensibilização da Semana Nacional de Justiça Restaurativa, e teve como meta a promoção de discussões qualificadas sobre as práticas restaurativas no Brasil e também no cenário internacional, com foco na evolução e na aplicação de técnicas inovadoras, desenvolvidas nos mais variados ambientes e diante das mais desafiadoras condições.
 
Para a juíza Maria Lúcia Prati, que fez parte da comitiva que representou o Judiciário mato-grossense, as questões levantadas assim como o alto nível dos participantes, com a presença de doutores e estudiosos internacionais da paz social, deu oportunidade para que Estados e instituições reconheçam a potência do imenso trabalho desenvolvido no Brasil e, ao mesmo tempo, permite reflexões ligadas à necessidade de expansão das práticas restaurativas.
 
“O evento não apenas promoveu discussões sobre práticas restaurativas, mas também evidenciou como essa abordagem tem se tornado uma ferramenta fundamental na construção da paz social. A presença de especialistas internacionais e a troca de experiências entre diferentes tribunais demonstraram que a Justiça Restaurativa tem se adaptado e evoluído para enfrentar os mais diversos desafios contemporâneos. Além disso, ficou claro como o Brasil tem se destacado no cenário internacional da Justiça Restaurativa, com iniciativas inovadoras e resultados significativos. É um reconhecimento do trabalho desenvolvido por diversos tribunais brasileiros, que têm investido na promoção da cultura de paz e no fortalecimento dessas práticas como instrumentos efetivos de transformação social”, refletiu a magistrada.
 
Maria Lúcia é titular da 2ª Vara da Comarca de Campo Verde, coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) e idealizadora do Programa ‘Eu e Você na Construção da Paz’, considerado programa-referência e modelo para diversos municípios no tocante a construção de ambientes mais harmônicos e no combate à violência nas escolas. O servidor Louredir Benevides, que integra o Núcleo Gestor do Programa ‘Eu e Você na Construção da Paz’, também participou do congresso.
 
Os assuntos abordados estiveram ligados à compreensão e implementação da Justiça Restaurativa, como conferências restaurativas, círculos restaurativos, comunicação eficaz em processos facilitados, estratégias para o fortalecimento da resiliência em contextos de trauma e a apresentação de iniciativas que contribuem para a construção de novas abordagens na resolução de conflitos.
 
“Foi um evento bastante peculiar por trazer um contexto histórico da Justiça Restaurativa no Brasil e mostrar como essa mesma Justiça Restaurativa tem se reinventado para atuar na contenção de cenários de violência pelo mundo. O que nós vimos e ouvimos é que o movimento restaurativo continua crescendo e se aperfeiçoando, a exemplo do panorama dado pelo desembargador Leoberto Brancher [Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul], que atuou diretamente no apoio a milhares de famílias vítimas das enchentes, o modelo de círculos de diálogo aplicados em processos judiciais em Minas Gerais, e inúmeras outras frentes em que a Justiça Restaurativa se transformou em uma das principais pontes entre o equilíbrio e a paz social, se não for a única, em muitos casos”, defendeu o gestor-geral do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), Rauny Viana, que também participou do congresso.
 
“Participar do congresso foi extremamente importante, não só pelo intercâmbio entre os tribunais, mas para que nós possamos fortalecer a Justiça Restaurativa a nível nacional. Isso significa dizer, aprimorar e fortalecer aquilo que nós já temos construindo dentro do Judiciário de Mato Grosso, principalmente da perspectiva de que a Justiça Restaurativa trabalha principalmente no viés do trauma, para cuidar não só das vítimas, mas de todos os envolvidos em situações traumáticas do nosso cotidiano, e também da perspectiva de que os círculos de construção de paz são instrumentos da Justiça Restaurativa. Diante de todo esse arcabouço de práticas e conhecimento, o que nós precisamos de fato, por meio da vivência das práticas restaurativas, é ir transformando o modus operandi das instituições, para que tenhamos relações baseadas nos princípios e nos valores da Justiça Restaurativa, sejam essas instituições escolas ou o próprio Poder Judiciário”, refletiu Katiane Boschetti da Silveira, assessora de Relações Institucionais do Nugjur, que também integrou a comitiva.
 
Voltado para a participação de profissionais do Sistema de Justiça, facilitadores, pesquisadores e demais interessados nas práticas de Justiça Restaurativa, o congresso teve como abertura a palestra da escritora, professora e facilitadora norte-americana Kay Pranis, pioneira na prática dos Círculos de Construção da Paz. 
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: foto colorida do auditório do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Em primeiro plano, a imagem dos participantes que ocupam todas as poltronas do espaço. Ao fundo, um telão projeta a imagem de um dos palestrantes do Segundo Congresso Internacional de Justiça Restaurativa.
 
Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa TJMT
Crédito da Foto: Euler Junior / TJMG
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Judiciário articula rede de empregabilidade para pessoas privadas de liberdade e egressas

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O fortalecimento da ressocialização por meio do trabalho ganhou mais um importante capítulo em Mato Grosso. Na manhã desta segunda-feira (18), representantes do Poder Judiciário, Executivo estadual, empresários, instituições e atores da sociedade civil participaram, no Auditório Desembargador Gervásio Leite, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), de uma reunião estratégica que antecede o lançamento oficial do projeto Emprega Lab no estado, o primeiro da região Centro-Oeste.

A iniciativa é resultado de articulações conduzidas pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (GMF/TJMT), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O projeto integra a estratégia nacional Pena Justa – Emprega e busca ampliar oportunidades de trabalho e qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional.

Supervisor do GMF/TJMT, o desembargador Orlando Perri destacou que a ressocialização precisa estar diretamente ligada à geração de oportunidades reais de trabalho e capacitação.

“Eu tenho defendido e pregado que a ressocialização passa necessariamente pelo trabalho, pela profissionalização. Então, é preciso que nós levemos trabalho para dentro das unidades prisionais. Nós queremos o preso ressocializado e não reincidindo aqui fora”, afirmou.

Mato Grosso como território-piloto

O estado foi escolhido como território-piloto nacional por reunir condições institucionais e operacionais consideradas estratégicas para a implementação do projeto. A proposta prevê a criação de uma metodologia que poderá ser replicada em outros estados brasileiros, articulando Poder Judiciário, Executivo e setor produtivo para garantir empregabilidade dentro e fora do sistema prisional.

Coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ (DMF/CNJ), o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi ressaltou o simbolismo do momento.

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“Hoje não é um dia qualquer. Nós estamos aqui lançando o primeiro Emprega Lab nacional. O Emprega Lab é um hub de oportunidades, o lugar onde nós vamos trabalhar as estratégias de empregabilidade do sistema prisional. O que nós estamos tentando disseminar é que essas pessoas possam se educar pelo trabalho e, mais do que isso, possam ganhar um novo ofício, uma nova oportunidade para a vida. Isso é segurança pública”, destacou.

União entre instituições e iniciativa privada

O secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho ressaltou que Mato Grosso já vem desenvolvendo políticas voltadas à empregabilidade no sistema penitenciário e que a chegada do Emprega Lab fortalece esse caminho.

“O foco hoje da Secretaria de Justiça é a questão de emprego dentro do sistema penitenciário. Acho que veio a coincidir esse momento político aqui do estado com o lançamento do primeiro Emprega Lab no Brasil”, afirmou.

Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 16,5 mil pessoas privadas de liberdade, sendo aproximadamente três mil já inseridas em atividades laborais. A meta do programa é ampliar significativamente esse número nos próximos anos.

Presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles explica que a Fundação Nova Chance já atua em 36 municípios, mantém 392 termos de intermediação e acompanha aproximadamente três mil pessoas trabalhando atualmente.

“O emprego ajuda tanto quem está lá dentro do cárcere, quanto sua família lá fora. O trabalho ajuda a diminuir a reincidência”, pontuou.

Experiências que já dão resultado

A reunião também contou com relatos de empresários que já desenvolvem projetos de inclusão produtiva com pessoas privadas de liberdade. Empresário de Sinop, Carlos Cairo Montemezzo compartilhou a experiência positiva da integração entre trabalhadores contratados pelo regime CLT e mão de obra prisional.

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“A integração acontece naturalmente quando o apenado percebe que pode voltar ao mercado de trabalho normal. A profissionalização, a qualificação e o olhar para a família fazem toda a diferença nesse processo”, relatou.

Atualmente, a empresa possui cerca de 65 Pessoas Privadas de Liberdade (PPLs) trabalhando e projeta ampliar esse número para 150 nos próximos meses.

Também participaram da reunião a juíza federal e coordenadora do eixo Trabalho e Renda do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Maria Rosi Meira Borba; o coordenador do GMF/TJMT, juiz Geraldo Fernandes Fidélis Neto; a juíza Edna Ederli Coutinho; e o secretário adjunto de Administração Penitenciária, Jean Carlos Gonçalves.

O que é o Emprega Lab

O Emprega Lab faz parte da estratégia Pena Justa – Emprega e funcionará como uma instância estadual de governança voltada à formulação de estratégias de empregabilidade para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A proposta envolve a criação de oportunidades por meio do emprego formal, empreendedorismo, cooperativismo e economia criativa.

A iniciativa é articulada nacionalmente pelo CNJ, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre as metas estabelecidas está alcançar, gradativamente, pelo menos 50% da população privada de liberdade inserida em atividades laborais.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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