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Campo Verde: Círculos de Paz e Justiça Restaurativa formam cidadãos e pacificam escolas

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Durante sua passagem por Campo Verde (137 km de Cuiabá) para participar de atividades da “Semana Restaurativa Campo Verde 2025”, nessa segunda-feira (04 de agosto), a desembargadora Clarice Claudino da Silva, presidente do Núcleo da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), fez questão de conversar com as crianças, que participam dos Círculos de Construção de Paz nas escolas.

Em visita ao Centro Educacional Paulo Freire, a maior unidade escolar do município, que atende 1.400 alunos do Ensino Fundamental, a magistrada ouviu atentamente os relatos das crianças, que têm entre oito e 10 anos, sobre suas participações nos Círculos de Paz.

“Saio daqui muito convicta de que estamos no caminho certo, porque a criança é um terreno muito fértil e a semente do bem é poderosíssima. A criança ainda tem facilidade de aprender um diálogo mais estruturado, fora do modelo tradicional que nos afasta um dos outros, que aponta e culpa o outro, sem olhar nossos sentimentos. É mais fácil para a criança formar um novo hábito, de olhar para o outro sem julgar, escutar antes de tirar suas conclusões”, explica.

Lição aprendida

E foi exatamente o que Emanuella Montenegro Pedroso aprendeu durante os Círculos de Construção de Paz. Ela, que tem nove anos e é aluna do quarto ano, relatou ter aprendido a “respeitar os outros e a escutar mais e falar menos”, fazendo um gesto que mostrava os dois ouvidos e a boca. “A gente aprendeu muita coisa legal.”

Caio Vinícius da Costa Ferreira, 10 anos, também do quarto ano, listou o que assimilou com a metodologia. “Aprendi a respeitar o colega, não fazer bullying, e quando ele estiver triste, ir lá conversar, chamar pelo nome ou apelido que ele goste e fazer ele se sentir bem. Aprendi a ser bondoso e leal.”

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A diretora do Centro Educacional, Luciene Silva Lima, reforça a eficácia do programa. Ela afirma que a escola trabalha a metodologia desde 2023 com 250 alunos do 5° ano e 150 do 4° ano. Ela conta que é notável como as crianças se tornam “mais atentas, atenciosas e calmas, o que reflete diretamente no aprendizado”.

Política pública de impacto

O Programa “Eu e Você na Construção da Paz” foi idealizado pela juíza titular da Vara da Infância e Adolescência e gestora do Centro Judiciário de Resolução de Conflitos (Cejusc) de Campo Verde, Maria Lúcia Prati, que propôs a implementação da prática restaurativa nas escolas municipais ao prefeito Alexandre Lopes de Oliveira, que acolheu a ideia e a transformou em política pública.

A secretária municipal de Educação, Simoni Pereira Borges, afirma que ao trabalhar os Círculos nas escolas, as crianças são “empoderadas dessa capacidade da escuta sensível e têm a oportunidade de serem ouvidas com respeito”.

Para ela, a metodologia, que promove o diálogo e a escuta para a criação de conexões entre os alunos, tem gerado resultados significativos para a Educação, com reflexos positivos para professores e pais.

“Esta política em Campo Verde é robusta e traz o impacto positivo na pacificação social, importante não só para a Educação, mas para a sociedade”, conclui a secretária.

Os Círculos de Construção de Paz, uma ferramenta eficaz para a convivência harmoniosa, são baseados na escuta ativa e na comunicação não-violenta. A formação dos facilitadores é realizada pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do TJMT, que oferece suporte para a implementação da prática em escolas e outras entidades.

Facilitadores da Paz

Atualmente, Campo Verde conta com 103 facilitadores capacitados, incluindo educadores, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais aptos a conduzir Círculos em escolas públicas, privadas e demais órgãos como o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).

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Késia Vitória Borges Geraldino Aguiar, uma jovem de 17 anos, se tornou facilitadora em abril de 2024 e já conduziu 20 Círculos de Construção da Paz. Seu interesse surgiu do ativismo pelos direitos das crianças e adolescentes, que começou no grêmio estudantil, ainda no ensino fundamental.

Késia considera os Círculos da Paz importantes por “darem voz às crianças e adolescentes, oferecendo um espaço para serem ouvidos e entendidos, algo muitas vezes ausente em seu dia a dia”. Ela conta que a experiência também a ajudou a se autoconhecer e a aplicar o que aprendeu em diversas áreas de sua vida, inclusive na família.

A professora Anabela Kirchesch, que atua como facilitadora, foi motivada a se voluntariar pela crença de que a construção de paz a ajudaria a melhorar as interações em sala de aula e a aprimorar suas próprias habilidades de diálogo e escuta.

“Desde que ouvi falar da ‘construção da paz’, quis participar e me coloquei à disposição para fazer o curso. Eu achava que ia facilitar até a questão do diálogo em sala de aula, porque as crianças gostam de falar e eu também falo bastante. Então foi uma forma de me educar também, para ouvir, porque eu falava muito. Agora falo ponderadamente, tenho mais calma para falar e para ouvir. O curso nos prepara para isso e começamos a mudar”, explicou a professora.

Em Campo Verde, a metodologia da Justiça Restaurativa é utilizada em nove escolas municipais, seis escolas estaduais e uma escola particular.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Escuta Cidadã reúne diferentes vozes para pensar uma Justiça mais acessível e inclusiva

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As marcas no corpo limitam alguns passos da artesã Liliana Correa da Silva. Mas não diminuem a coragem de continuar caminhando. Sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, ela chegou ao Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá na manhã desta quinta-feira (7) carregando mais do que a própria história: levou também a voz de muitas mulheres que ainda tentam reconstruir a vida depois da violência.
Liliana participou do segundo dia das Oficinas de Escuta Cidadã, promovidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso como parte da construção do Planejamento Estratégico 2027–2032.

O encontro debateu o tema “Direitos, Inclusão e Proteção Social” e reuniu advogados, promotores, professores universitários, assistentes sociais, servidores, representantes de instituições e cidadãos com diferentes experiências de vida, que sentaram lado a lado para discutir um tema em comum: como construir uma Justiça mais acessível, inclusiva e próxima da sociedade.

O trabalho em conjunto para a construção dessa experiência através das Oficinas de Escuta Cidadão envolve a colaboração entre a Coordenadoria de Planejamento e o Laboratório de Inovação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (InovaJusMT).

Acolhida pelo Centro de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAV) do Fórum de Cuiabá, Liliana emocionou os participantes ao relatar as consequências da violência sofrida.
“Passei por uma tentativa de feminicídio. Sofri sequelas físicas e psicológicas. Passei por dificuldades financeiras e precisei me reconstruir todos os dias. Mesmo assim, eu precisei encontrar forças para lutar pelos meus direitos”, contou.
Mais do que compartilhar dores, Liliana destacou a importância de o Judiciário abrir espaço para ouvir quem vive a violência na prática.
“Como fazer uma lei sem ouvir quem realmente sofreu? Somos nós que sabemos o que é viver a violência dentro de casa, sair sem nada e precisar recomeçar. Então, quando o Judiciário chama a sociedade para falar, isso mostra que a nossa voz importa”, afirmou.
Justiça inclusiva
A assessora Luciana Barros, que atua no Serviço de Atendimento Imediato (SAI), também compartilhou experiências vividas no atendimento ao público e reforçou a necessidade de ampliar práticas inclusivas dentro do sistema de Justiça.
“Participar desse encontro foi maravilhoso porque a gente compartilhou experiências e viu o quanto a inclusão é importante. No SAI, por exemplo, atendi um casal de surdos e percebi a necessidade de estar preparada para essa comunicação. Quando o Tribunal disponibilizou o curso de Libras, aproveitei a oportunidade para me qualificar e facilitar esse atendimento”, contou.
Segundo ela, a escuta qualificada e o acolhimento fazem diferença especialmente em situações de conflito e vulnerabilidade.
“A gente precisa compreender, dialogar e buscar formas mais inclusivas de atendimento para garantir que essas pessoas consigam acessar seus direitos e também alcançar soluções conciliatórias”, completou.
Planejamento construído com participação popular
As Oficinas de Escuta Cidadã começaram no dia 6 de maio e seguem até esta sexta-feira (8), reunindo diferentes públicos para discutir acesso à Justiça, inclusão, conciliação, inovação e transformação digital. A proposta é ouvir quem utiliza os serviços do Judiciário e transformar essas experiências em melhorias concretas.
A juíza Joseane Quinto Antunes, coordenadora do Laboratório de Inovação do Poder Judiciário de Mato Grosso (InovaJusMT), destacou que a proposta das oficinas nasceu da necessidade de ouvir não apenas o público interno, mas principalmente os cidadãos.
“A Justiça existe para atender as pessoas. Por isso, precisamos ouvir quem utiliza esse sistema, quem vive essa realidade e quem precisa ser acolhido por ele”, ressaltou.
O coordenador de Planejamento do TJMT, Afonso Vitorino Maciel, explicou que a construção do novo ciclo estratégico depende justamente dessa aproximação com a sociedade.
“Estamos aqui com responsabilidade de construir junto. Queremos olhar para aquilo que ainda precisa melhorar para atender melhor a sociedade mato-grossense”, afirmou.
Justiça mais próxima das pessoas
As oficinas utilizam metodologias colaborativas para estimular o diálogo entre cidadãos, magistrados(as), servidores(as), advogados(as), defensores(as), integrantes do Ministério Público e demais participantes do sistema de Justiça. A condução dos encontros é feita com apoio da WeGov, startup especializada em inovação no setor público.
Para o facilitador e diretor da WeGov, André Tamura, o principal objetivo é compreender como a sociedade percebe o funcionamento da Justiça e quais mudanças podem aproximar ainda mais o Judiciário das pessoas.
“O que é o Tribunal e como ele se relaciona com os outros até chegar ao cidadão? A gente vai ouvir diferentes experiências para entender aquilo que cada pessoa percebe desse sistema que utiliza”, destacou.
As conversas continuam nesta sexta-feira (8), com debates sobre “Justiça Digital e Sistema de Justiça” e “Futuro do Judiciário, Inovação e Sociedade”. As atividades acontecem presencialmente no Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá.
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Autor: Vitória Maria Sena

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Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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