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Em decisão unânime, TRE autoriza indígenas Boe-Bororo a votarem em município vizinho

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) reconheceu o vínculo comunitário dos eleitores indígenas Boe-Bororo das aldeias Arareião e Piebaga (Terra Indígena Tereza Cristina), localizadas em Santo Antônio de Leverger, com o município de Rondonópolis. Em caráter atípico, a 10ª Zona Eleitoral de Mato Grosso será responsável, no dia do pleito, pelo transporte desses eleitores até o local de votação em Rondonópolis.

A decisão da Corte Eleitoral foi tomada após análise de requerimento apresentado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), na qual solicita autorização para que eleitores indígenas que residem no município de Santo Antônio de Leverger votassem na Escola Municipal Rural da aldeia Tadarimana, localizada na Terra Indígena Tadarimana, em Rondonópolis. Ocorre que atualmente o local de votação mais próximo em Santo Antônio situa-se a 170 km da aldeia, enquanto o local indicado no requerimento está a 30 km de distância. No requerimento alegaram ainda que é em Rondonópolis que a comunidade realiza tratamentos de saúde, recebe benefícios do governo, faz compras e estuda.

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Conforme argumentação da FUNAI, a seção eleitoral na Terra Indígena Tereza Cristina se encontra a uma distância inviável das aldeias Arareião e Piebaga, o que dificulta o deslocamento, tanto por via fluvial quanto por terra. Ao total são 53 eleitores indígenas que reivindicam o direito de voto na escola.

A 38ª ZE de Mato Grosso sugeriu o reconhecimento do vínculo comunitário sem a criação de um local de votação na Terra Indígena, mas com a autorização de transporte dos indígenas até o local de votação mais próximo em Rondonópolis. A Corregedoria Regional Eleitoral (CRE) acolheu a manifestação da sua Assessoria Técnica, propondo o reconhecimento do vínculo comunitário e a autorização para a 10ª ZE realizar o transporte dos eleitores das aldeias Arareião e Piebaga até o local de votação mais próximo no dia do pleito.

O Tribunal, por unanimidade, reconheceu o vínculo comunitário dos eleitores indígenas com o município de Rondonópolis e autorizou a 10ª ZE a realizar, no dia do pleito, o transporte desses eleitores até o local de votação mais próximo. O processo teve como relatora a presidente do TRE-MT, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro. “Nosso objetivo é garantir o exercício do voto pelos povos indígenas, facilitando o acesso desses eleitores aos locais de votação”.

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Texto por: Maryelle Campos (Supervisão Andréa Martins Oliveira)

PraTodosVerem: Com fundo alaranjado, nas laterais esquerda e direita tem um tipo de pintura que remete as artes indígenas. Há duas fotografias em formato de bola, a primeira é um homem tirando a foto durante um atendimento da Justiça Eleitoral e a segunda mostra um homem indígena com cocar, penas e pele animal manuseando uma urna eletrônica.  Abaixo da segunda foto está: “Indígenas Boe-Bororo das aldeias Arareião e Piebaga (Terra Indígena Tereza Cristina)”.

Fonte: TRE – MT

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TRE-MT promove curso sobre eleições sob a perspectiva dos direitos humanos, da equidade e da inclusão

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Direitos humanos, equidade racial, inclusão e representatividade são temas que ganharam espaço central no debate democrático contemporâneo. Com esse foco, teve início nesta segunda-feira (08.06), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnia em Processo Eleitoral”. A capacitação segue até quinta-feira (11.06) e reúne magistrados(as), promotores(as) e servidores(as) da Justiça Eleitoral.

A formação aborda temas centrais do processo eleitoral a partir de uma perspectiva voltada aos direitos humanos e à promoção da equidade. O conteúdo programático está dividido em quatro módulos: Propaganda Eleitoral com enfoque em direitos humanos, gênero, raça e etnia; Registro de Candidatura com enfoque interseccional; Prestação de Contas e financiamento com foco em equidade; e Abuso de Poder (econômico, político, comunicacional e religioso) e práticas discriminatórias.

Ao dar as boas-vindas aos participantes, a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a inclusão, o diálogo e o acolhimento são fundamentais para o fortalecimento da democracia e para a aproximação da Justiça Eleitoral com a sociedade.

“A Justiça Eleitoral precisa conversar com todas as pessoas, acolher diferentes perspectivas e promover a participação de todos no debate público. O conhecimento e o acolhimento são fundamentais para construirmos uma democracia cada vez mais humana e inclusiva”, afirmou a presidente.

A desembargadora ressaltou ainda que a participação no processo eleitoral, seja como eleitora, candidata, servidora, advogada, promotora, juíza ou mesária, representa um importante exercício de cidadania e fortalecimento democrático. Para ela, iniciativas como o curso ampliam o conhecimento, qualificam o debate público e contribuem para uma atuação institucional cada vez mais inclusiva.

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A juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho, destacou a importância da temática para o fortalecimento da democracia e para a atuação institucional da Justiça Eleitoral.

Segundo ela, o debate sobre inclusão e representatividade deixou de ocupar um espaço periférico e passou a integrar o centro das discussões sobre aperfeiçoamento democrático. “A ampliação da participação de mulheres, pessoas negras, indígenas e outros grupos historicamente minorizados não é apenas uma pauta social, mas uma exigência constitucional e um compromisso institucional. Mais do que uma oportunidade de atualização técnica, este curso nos convida a refletir sobre o papel da Justiça Eleitoral na construção de uma democracia efetivamente inclusiva, plural e representativa”, afirmou.

O diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT), juiz-membro substituto Welder Queiroz dos Santos, ressaltou que a promoção da inclusão e da diversidade está alinhada às diretrizes nacionais da Justiça Eleitoral.

“A primeira grande bandeira institucional do Tribunal Superior Eleitoral foi justamente a inclusão de mulheres, pessoas negras e indígenas na participação política. Trata-se de um tema fundamental para o fortalecimento do ambiente democrático e para a construção de uma sociedade mais representativa”, destacou.

Ao dar início às atividades, o palestrante Elder Maia Goltzman explicou que a proposta do curso é promover um diálogo entre o Direito Eleitoral e os Direitos Humanos, permitindo uma nova leitura dos principais institutos eleitorais.

“A ideia é analisar temas como propaganda eleitoral, abuso de poder, prestação de contas e registro de candidatura sob a perspectiva dos direitos humanos. Muitas das questões enfrentadas pela Justiça Eleitoral envolvem dilemas relacionados à inclusão, igualdade e proteção de direitos fundamentais. Por isso, queremos construir um espaço de diálogo, reflexão e troca de experiências”, afirmou.

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Especialistas de referência nacional

O curso é ministrado por dois especialistas com ampla atuação acadêmica e profissional na área.

Elder Maia Goltzman é analista judiciário do TRE-SP, mestre em Direito e Instituições do Sistema de Justiça pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), doutorando em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em Direito Administrativo. Atua em pesquisas relacionadas à liberdade de expressão, direitos humanos, população LGBTQIAPN+, desinformação e direito digital, além de ser professor em cursos de pós-graduação e autor de obras na área eleitoral.

A programação também contará com a participação de Sabrina de Paula Braga, responsável por ministrar módulos do curso ao longo da semana. Analista judiciária do TRE-MG, é mestra e doutoranda em Direito Político pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenadora do eixo “Participação de Grupos Minorizados” da Capacitação Nacional das Escolas Judiciárias Eleitorais e integrante da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Justiça Eleitoral.

Jornalista: Andréa Martins Oliveira

#PratodosVerem – Participante acompanha, por meio de um notebook, o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Gênero, Raça e Etnia no Processo Eleitoral”, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Na tela, aparecem autoridades e participantes da capacitação em videoconferência, enquanto o palestrante apresenta conteúdo relacionado aos direitos humanos e ao processo eleitoral.

Fonte: TRE – MT

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