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Frente da Agropecuária analisa 57 projetos em tramitação na ALMT

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A Frente Parlamentar da Agropecuária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (FPA-MT) analisou 57 proposituras que estão em tramitação no Poder Legislativo. A quarta reunião ordinária da Frente foi realizada na manhã desta terça-feira (19), na sede da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). Entre as pautas, o Projeto de Lei (PL) 1015/2023 que dispõe sobre o uso do solo e sobre a agricultura em áreas dentro do Pantanal.  

Além do PL 1015/2023, os parlamentares também discutiram sobre outros temas considerados sensíveis, como o uso de agrotóxicos, a regularização ambiental, a regulamentação de parques de conservação e a caça de animais silvestres. A FPA tem como finalidade acompanhar a tramitação de projetos de lei que tenham alguma relação ou possam ter impactos sobre a produção primária no estado.

O deputado Dilmar Dal Bosco (União), coordenador da FPA-MT, explicou que a Frente desempenha um trabalho para orientar os parlamentares com relação às pautas de interesse do setor agropecuário. “A Frente faz um levantamento sobre todos os projetos, debate e orienta o posicionamento de acordo com os impactos e as ações necessárias a serem adotadas dentro da Assembleia. A Frente tem a força de buscar a informação e o entendimento”.

Sobre o projeto de lei 1015/2023, apresentado pelo deputado Wilson Santos (PSD), o entendimento da Frente foi de que a aprovação traria prejuízos aos produtores dos 16 municípios compreendidos no bioma Pantanal, inclusive àqueles que estão fora da planície alagável. Segundo o texto apresentado por Wilson Santos, o objetivo é conter o avanço da abertura de novas lavouras destinadas ao cultivo de monoculturas na região.

“O projeto 1015 traz um prejuízo para quem está no entorno do Pantanal, que já tem sua área de produção e de expansão, violando o direito dos produtores de quando adquiriram suas propriedades. O projeto não foi trazido para discussão, não ouviu o pantaneiro, não apresentou estudo técnico. A orientação é que os deputados votem contra esse projeto”, explicou o coordenador da FPA.

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O deputado Nininho (PSD) também se manifestou contrário ao PL 1015/2023 e criticou o que ele definiu como “excesso de produção legislativa sem que seja feita a devida análise de impacto”. “Existem muitas maneiras de dar respostas com relação às expectativas da sociedade que não são, necessariamente, por meio de projetos de lei. Existem ações de fiscalização, de acompanhamento que podem atender a demanda. Hoje mesmo, são 160 projetos de lei que estão em tramitação na Casa e que têm impactos para produção agropecuária. Cada propositura que vira lei, traz um transtorno para a sociedade, requer uma adequação, tem custos”.

Outra pauta debatida durante a reunião foi com relação ao PL 986/2023, que dispõe sobre a autorização de caça esportiva de animais que não possuem predadores naturais e que ameaçam a flora e a fauna da região. O texto original, de autoria do deputado Gilberto Cattani (PL), não especifica quais animais seriam abarcados pela legislação e a orientação foi para que as Lideranças Partidárias apresentem uma emenda nomeando as espécies passíveis de caça esportiva.

Além dessa proposta, outra pauta apresentada pelo deputado Cattani e que recebeu orientação pela aprovação foi o PL 708/2023, que obriga as empresas de beneficiamento e comércio de laticínios informarem ao produtor de leite o valor pago pelo produto até o dia 25 de cada mês. Atualmente, o produtor de leite entrega seu produto sem saber o preço que receberá.

“Desde que me conheço por gente, o leite não é valorizado. Mas agora a situação é ainda mais agravante, o leiteiro é uma atividade em extinção. Temos alguns projetos de leite que visam valorizar o produtor de leite, como um que prevê a inclusão do leite na merenda escolar e do queijo na cesta básica”, explicou Cattani.

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Para além do agronegócio – A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) analisa todos os projetos que têm impacto no setor produtivo, independente da dimensão dos negócios. Segundo o deputado Diego Guimarães (Republicanos), que também integra a Frente, as políticas públicas discutidas atendem todo o estado- pequenos, médios e grandes produtores. “O objetivo é melhorar o ambiente de negócio, a produtividade, a relação entre produtor e Estado, com respeito às riquezas naturais, mas sem inviabilizar a produção”.

Cattani afirmou que não há como dividir o setor entre grande e pequeno e destacou a relação sistêmica entre os diferentes agentes produtivos. “Para mim, agricultura é uma só. Todo grande produtor um dia foi pequeno e não tem agricultura familiar que não precise da soja ou milho para alimentar sua vaca, para produzir o leite. E toda essa discussão tem impacto na cadeia produtiva”.

Dal Bosco destacou a ampla bancada da Frente, que possui 17 integrantes, e que isso é uma oportunidade para que o setor consiga pleitear políticas públicas que viabilizem a produção agropecuária, independente do porte.

Suporte técnico – O trabalho da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA-MT) dialoga diretamente com o Fórum Agro MT, entidade que integra as principais instituições representativas do agronegócio mato-grossense. De acordo com Xisto Bueno, diretor-executivo, a grande missão é fazer uma leitura sobre os projetos em tramitação da Casa e manifestar o posicionamento do setor. 

Fonte: ALMT – MT

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ALMT debate soluções para regularização fundiária e moradia de famílias do Silvanópolis e Paraisópolis

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Com plenário e galerias lotados, moradores dos bairros Silvanópolis e Paraisópolis acompanharam, nesta quinta-feira (14), no Plenário das Deliberações Deputado Renê Barbour, na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), audiência pública que discutiu os impactos de uma decisão judicial relacionada à desocupação de áreas na região das Águas Nascentes, em Cuiabá. Entre crianças, idosos, trabalhadores, pais e mães de famílias, o sentimento predominante era de insegurança diante da possibilidade de perder as próprias casas.

A audiência foi convocada pelo presidente da ALMT, Max Russi (Pode), e pela vereadora Katiuscia Manteli (Pode), após sentença relacionada a uma ação civil pública ambiental que tramita há mais de 13 anos e envolve áreas conhecidas como Águas Nascentes.

Durante o encontro, moradores relataram medo de uma desocupação sem planejamento habitacional. Muitos acompanharam o debate segurando cartazes com pedidos de socorro, além de documentos e comprovantes de residência, enquanto buscavam respostas sobre o alcance da decisão judicial e o futuro das famílias que vivem na região há mais de duas décadas.

Segundo Katiuscia, atualmente mais de 1,5 mil famílias vivem nas áreas atingidas pela sentença. A vereadora afirmou que a audiência foi convocada para reunir os órgãos envolvidos e esclarecer quais medidas deverão ser adotadas.

“A principal intenção dessa audiência é que as famílias tenham respostas. Precisamos entender quantas famílias realmente precisarão ser realocadas, quais áreas podem ser regularizadas e quais encaminhamentos serão adotados pelo poder público”, afirmou.

Ao final da audiência, Katiuscia informou que o próximo passo será uma reunião com o Governo do Estado para discutir soluções conjuntas para a área. Segundo ela, o principal objetivo foi reduzir a insegurança das famílias diante das informações que circulavam sobre despejos imediatos.

Foto: Helder Faria

“O maior medo das famílias era acordar com máquinas derrubando as casas. Hoje elas saem daqui mais tranquilas, sabendo que haverá estudos e discussão antes de qualquer decisão”, disse.

O presidente da Assembleia Legislativa destacou que a Casa acompanhará o caso por meio da Procuradoria da ALMT e reforçou a necessidade de acelerar os processos de regularização fundiária no estado.

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“A regularização fundiária é uma das grandes demandas do estado, tanto na área urbana quanto rural. Precisamos avançar de forma mais rápida para garantir segurança jurídica e dignidade às famílias”, declarou Max Russi.

Após a audiência, o parlamentar afirmou que pretende discutir o tema diretamente com o governador do estado, além de reunir representantes do município, Ministério Público, Defensoria Pública, Intermat e lideranças comunitárias para avançar nos encaminhamentos.

“Existe uma preocupação ambiental que precisa ser respeitada, principalmente nas áreas de nascente e de risco. Mas também existem áreas livres onde é possível buscar soluções para essas famílias permanecerem próximas da região onde vivem hoje”, afirmou.

O deputado Wilson Santos (PSD) também participou da audiência e afirmou que os moradores podem contar com o apoio da Assembleia Legislativa, desde que sejam respeitadas as restrições das áreas consideradas de risco e de desmoronamento. Segundo ele, as famílias que precisarem deixar essas áreas não podem ficar desabrigadas e deverão ter alternativas habitacionais.

Representante da Associação Comunitária de Habitação do Estado de Mato Grosso, Emídio de Souza defendeu que grande parte da área pode ser regularizada e afirmou que as remoções deveriam atingir apenas famílias instaladas em locais de erosão e às margens dos córregos.

“Existe possibilidade de regularização para grande parte das famílias. O que defendemos é que apenas as áreas de risco e de preservação permanente sejam desocupadas, com planejamento e reassentamento adequado”, disse.

Ele também criticou a ausência de projetos habitacionais para remanejamento das famílias e lembrou que a ocupação da região começou no fim da década de 1990.

Presidente do bairro Silvanópolis, Jurandir Souza afirmou que os moradores foram surpreendidos pela sentença judicial e relatou que a comunidade aguardava estudos técnicos que poderiam apontar soluções para permanência de parte das famílias.

“Hoje são cerca de 1.500 famílias vivendo ali. Tem idosos, cadeirantes, muitas crianças. A expectativa sempre foi de regularização, por ser uma área do estado”, afirmou.

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Já o presidente do Paraisópolis, Mário Domingos da Silva, relatou apreensão diante da possibilidade de retirada em massa dos moradores.

“As famílias querem saber para onde vão. Tem muita gente vivendo ali há mais de 20 anos e que construiu toda a vida naquela região”, declarou.

Durante a audiência, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), defendeu a criação de um termo de ajustamento de conduta (TAC) envolvendo município e Governo do Estado para viabilizar moradias às famílias que precisarem ser removidas das áreas de risco.

Segundo o prefeito, moradores localizados às margens dos córregos e em áreas sujeitas a desmoronamentos precisarão ser realocados por questões de segurança e legislação ambiental.

“Nós precisamos realocar quem está em área de risco e garantir que essas famílias tenham destino adequado, sem simplesmente retirar as pessoas sem alternativa habitacional”, afirmou.

Abilio também defendeu estudos ambientais para redefinir áreas passíveis de regularização fundiária e sugeriu a transformação de parte da região em zona de interesse social para habitação.

Representando a Promotoria de Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística de Cuiabá, Carlos Eduardo Silva afirmou que o Ministério Público buscará uma solução que concilie preservação ambiental e dignidade das famílias.

“Precisamos encontrar a solução menos dolorosa possível, conciliando os interesses ambientais existentes na área com a realidade das famílias que vivem ali”, afirmou.

Segundo o promotor, a ocupação da região voltou a crescer após um processo de reassentamento realizado há cerca de 20 anos e a situação atual exige atuação conjunta dos órgãos públicos para cumprimento da decisão judicial e construção de alternativas habitacionais.

A audiência reuniu representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas do Estado, Governo de Mato Grosso, Prefeitura de Cuiabá, vereadores e lideranças comunitárias. Entre os encaminhamentos definidos estão a realização de novas reuniões com o Governo do Estado, estudos técnicos sobre as áreas ocupadas e a construção de alternativas para regularização fundiária e reassentamento das famílias localizadas em áreas de risco ambiental.

Fonte: ALMT – MT

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