Política MT
Exposição dá visibilidade às mulheres autistas na Assembleia Legislativa
Publicado em
15 de setembro de 2025por
Da Redação
O saguão principal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) recebe, de 15 a 19 de setembro, a exposição “Normal demais para ser autista, autista demais para ser normal”, uma iniciativa do Instituto Memória em parceria com a artista e poeta Daya Ananias, que também é mulher autista. A mostra traz poesias, depoimentos e reflexões sobre o diagnóstico tardio e as vivências femininas dentro do espectro autista.
Para o superintendente do Instituto Memória, Gilmárcio Pontes Silva, a exposição representa mais que uma ação cultural: é um gesto de reconhecimento e acolhimento.
“Essa mostra dá visibilidade a uma causa que precisa ser amplamente debatida: o autismo em mulheres. Muitas vezes, as histórias passam despercebidas por falta de informação ou sensibilidade social. Por isso, com o apoio da Mesa Diretora da Assembleia, conseguimos abrir este espaço de escuta e representação dentro do parlamento. Espero que os servidores e visitantes aproveitem a exposição que está linda, com depoimentos marcantes”, destacou.
Segundo Daya, a exposição surgiu a partir do Edital Paulo Gustavo, quando ela viu a oportunidade de transformar em arte um tema ainda pouco debatido. “Quis falar sobre o diagnóstico tardio de mulheres autistas. Daí surgiu a ideia de trazer depoimentos, poesia e também as dores que nos unem como mulheres dentro do espectro. A exposição tem a potência de revelar o que muitas vezes fica escondido, mas também as nossas potências”, explicou.
A mostra já havia sido apresentada em Jaciara, terra da Daya, e diante da repercussão positiva, chega a Capital. “Muita gente dizia não ter condições de ir até Jaciara, então buscamos viabilizar a vinda para Cuiabá. Aqui na Assembleia ficará nesta semana aberta ao público”, contou.
Conexão com Setembro Amarelo – A exposição também chama a atenção para o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. A curadora Daya recebeu seu diagnóstico de autismo aos 32 anos, depois de uma longa trajetória marcada por estereótipos equivocados. “Eu tinha diagnóstico de TDAH e achava que autismo era só aquele estereótipo do menininho que corre, que faz estereotipias. Só quando fiz avaliação psicológica descobri que estava dentro do espectro”, relatou.
Ela explica que a maioria das mulheres autistas só descobre a condição na vida adulta, muitas vezes por conta de diagnósticos prévios em filhos ou irmãos. Isso se deve, segundo ela, ao fenômeno do mascaramento social, quando mulheres se esforçam para se adequar a padrões de comportamento considerados normais.
“Nós ficamos nesse limbo: não somos vistas como autistas pelo estereótipo masculino e também não somos consideradas normais. Essa negligência, muitas vezes, leva a automutilação e tentativas de suicídio”, alertou Maya.
E garante: “O diagnóstico não me limitou. Ele me libertou. Deu nome ao meu cansaço, sentido à minha história e respeito ao meu jeito de ser.”
Ela ressalta que o tema ainda é muito negligenciado, inclusive nos atendimentos de saúde, que segundo ela, quando se trata de uma mulher autista, a situação é ainda mais delicada. Chama a atenção para o painel que expõe: “Estudos têm mostrado que mulheres autistas apresentam taxas alarmantes de ideação suicida e suicídio consumado, em especial por conta da sobrecarga emocional, exclusão social, e diagnóstico tardio. Muitas crescem mascarando seus traços, tentando se encaixar em expectativas sociais que lhes ferem, até que a exaustão se torna insuportável”.
Importância da ALMT no Debate – Daya ressaltou a importância da Assembleia Legislativa em abrir espaço para a discussão sobre o autismo e outras deficiências invisíveis.
“É fundamental que a Casa Legislativa promova eventos e leis que nos incluam. Achei muito importante, por exemplo, a adoção do colar de girassol para identificar deficiências ocultas. Ter esse espaço de fala faz toda a diferença”, finalizou.
A exposição permanece aberta ao público até o final da semana, no saguão principal da ALMT. Nela, paineis com depoimentos marcantes de mulheres, como da Luana Rezende e da Mari Gemma, conforme a seguir:
Luana Rezende – Fui diagnosticada como autista aos 32 anos, e isso me ajudou a entender tanta coisa de minha história. Desde pequena tinha estereotipias e sofria bullying. Nunca consegui me encaixar de verdade, nem fazer amizades com facilidade. Cresci me sentindo deslocada, e até hoje carrego esse sentimento.
Por não entender muitas coisas da vida, acabei me colocando em situações difíceis, até perigosas às vezes. Eu não percebia os riscos, não entendia as intenções das pessoas, e isso me machucou bastante. Passei a mascarar quem sou para tentar ser aceita, mas isso só me afastou ainda mais de mim mesma.
Ser uma mulher autista, com diagnóstico tardio, é viver com as marcas de uma luta silenciosa. Só quero ser compreendida e respeitada como sou.
Mari Gemma, diagnosticada aos 62 anos – Sou autista. Receber o diagnóstico, mesmo que tardio, foi fundamental. Ele me ajudou a compreender uma série de comportamentos e sensibilidades que sempre tive e que, antes, me causavam desconforto por me sentir diferente. Ser uma pessoa neurodivergente é uma forma distinta de estar e sentir o mundo.
Entender isso sob uma perspectiva biopsicossocial remove uma carga de culpa que é imposta a quem não se encaixa no modelo considerado “normal”. Como mulher, nesta sociedade patriarcal, somos educadas para seguir padrões definidos pelo modelo hegemônico.
Para as mulheres neurodivergentes, esse processo de “domesticação” é ainda mais brutal, gerando dor e sofrimento no esforço de atender a comportamentos esperados.
Por outro lado, minhas características dentro do espectro ampliaram minhas possibilidades profissionais por me permitirem pensar “fora da caixa” e ter raciocínios diferenciados. Isso foi verdadeiro tanto como farmacêutica industrial quanto, agora, como artista visual.
Compreender o autismo como uma neurodivergência que não deve excluir as pessoas é crucial e necessário para construirmos uma sociedade mais justa e equitativa.
Sobre o Projeto – O projeto foi contemplado no Edital Identidades – Viver Cultura n° 13/2023, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT), com recursos da Lei Paulo Gustavo.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Eliane Xunakalo reivindica ações concretas contra o feminicídio no Estado
Published
3 horas agoon
6 de maio de 2026By
Da Redação
A deputada estadual em exercício, Eliane Xunakalo (PT), acompanhada por um grupo de mulheres, entregou oficialmente à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o relatório final da Câmara Setorial Temática sobre Feminicídio em Mato Grosso.
O documento, elaborado pelo grupo de trabalho liderado por Edna Sampaio, deputada em exercício na ocasião, identifica os gargalos na proteção da vida das mulheres e oferece, aos governos federal, estadual e municipais, um mapa de problemas e possíveis soluções institucionais para mudar a realidade imposta às mulheres. Mato Grosso tem liderado, proporcionalmente, o ranking nacional de feminicídios nos últimos anos.
“Espero que as recomendações apresentadas neste relatório sejam acolhidas pelos nobres deputados, porque os senhores também vieram de uma mulher. Têm filhas, sobrinhas e, com certeza, mães, tias e avós. Por isso, esperamos que nos ouçam, porque esta não é uma questão partidária, mas uma causa pela preservação da vida”, afirmou, acrescentando “também as mulheres indígenas, infelizmente, têm sofrido feminicídio e violências, que violam nosso corpo e nossa alma”, afirmou.
Eliane Xunakalo afirmou que todos os dias há relatos, nos noticiários, de mulheres sendo mortas, estupradas e sofrendo violências. “Mas, infelizmente, não temos visto nenhum tipo de ação concreta. Precisamos de mais delegacias, que a Politec funcione onde é necessária, além, claro, de recursos, investimentos e políticas públicas, para fortalecer os aparelhos estatais de combate à violência”, defendeu.
Foto: MARCOS LOPES/ALMT
A deputada alertou para existência de onda de lista de mulheres estupráveis nas universidades. “Acredito que, para mitigar essa situação, é preciso uma educação, voltada para esse tema, nas escolas e nos lares. Além disso, o que acontece com as mulheres, com os indígenas e com os negros não deve ser tratado como mimimi. Estamos morrendo todos os dias e não vemos nenhuma ação efetiva para pôr fim a esta situação, que inclui, inclusive, lista de pessoas que podem ser molestadas, como fosse normal”, lamentou. “Por isso, precisamos tomar atitudes contra esta lista de mulheres estupráveis” concluiu a parlamentar.
Fonte: ALMT – MT
Vasco vira sobre o Audax Italiano no Chile e segue líder do Grupo G da Sul-Americana
Brasil bate recorde de 31 mil transplantes com avanço na logística do SUS
Eliane Xunakalo reivindica ações concretas contra o feminicídio no Estado
Bombeiros extinguem incêndios em veículo de carga e motocicleta
Curso de formação aborda judicialização da saúde e reforça atuação prática de magistrados
CUIABÁ
MATO GROSSO
Bombeiros extinguem incêndios em veículo de carga e motocicleta
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combateu, nesta quarta-feira (6.5), duas ocorrências de incêndio veicular registradas na...
Unemat oferta seletivo unificado com 212 vagas para professores temporários
A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) abriu processo seletivo simplificado unificado para a formação de cadastro de reserva...
Com apoio da SES, projeto de capacitação e diagnóstico em hanseníase percorre Mato Grosso
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) apoia a realização do projeto “Roda-Hans: Carreta da Saúde – Hanseníase” em Mato...
POLÍCIA
Polícia Civil prende casal suspeito de tráfico de drogas em Guarantã do Norte
A Polícia Civil prendeu, nessa terça-feira (5.5), um casal, o homem de 25 anos e a mulher de 28, suspeito...
Dois homens são presos pela Força Tática com 58 porções de drogas
Policiais militares da Força Tática do 2º Comando Regional apreenderam, nesta quarta-feira (6.5), 78 porções de entorpecentes e prenderam dois...
Operação contra o tráfico de fauna resulta na apreensão de 25 aves silvestres em Nova Xavantina
A Polícia Civil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Polícia Militar Ambiental...
FAMOSOS
Rafa Kalimann celebra 4 meses da filha Zuza com festa temática delicada: ‘Viva’
Grazi Massafera surge de visual renovado após fim de ‘Três Graças’: ‘Dia tão esperado
A atriz Grazi Massafera surgiu de visual renovado após o encerramento das gravações da novela Três Graças. Sem apostar em...
Bianca Biancardi, exibe vídeo emocionante onde anuncio de gravidez para familiares
Bianca Biancardi, surpreendeu os familiares ao anunciar que está grávida. A revelação foi feita enquanto ela pegava as pessoas de...
ESPORTES
Vasco vira sobre o Audax Italiano no Chile e segue líder do Grupo G da Sul-Americana
O Vasco deu mais um passo importante na Copa Sul-Americana ao vencer o Audax Italiano por 2 a 1, na...
Fluminense confirma chegada de Hulk, que assina até 2027
O Fluminense oficializou na noite desta terça-feira (05.05), a contratação do atacante Hulk. O anúncio foi feito por meio de...
Palmeiras vence o Sporting Cristal e assume liderança do Grupo F da Libertadores
O Palmeiras segue vivendo um grande momento na temporada. Na noite desta terça-feira, a equipe de Abel Ferreira voltou a...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
Saúde6 dias agoMinistério da Saúde inicia entrega de 3,3 mil veículos para transporte de pacientes do SUS em todo o país
-
Política MT6 dias agoALMT inicia maio com agenda intensa de sessões, comissões e homenagens
-
Tribunal de Justiça de MT6 dias agoPlano de saúde deve custear laserterapia indicada após início de home care
-
Esportes3 dias agoSão Paulo falha em segurar vantagem e Bahia arranca empate nos acréscimos




