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Tribunal de Justiça é parceiro em ação contra tráfico de pessoas em partida entre Cuiabá e Flamengo

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com o Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Cetrap-MT) e instituições públicas, realizou na noite de domingo (6 de agosto) uma ação de conscientização da Campanha Coração Azul, para prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas no Estado.
 
A iniciativa realizada na partida entre Cuiabá e Flamengo, pela 18ª rodada da série A do Campeonato Brasileiro 2023, trouxe pelas mãos dos jogadores do Cuiabá Esporte Clube uma faixa com os dizeres ‘#Todos Contra o Tráfico de Pessoas’ para um público de mais de 33 mil pessoas.
 
A Juíza da 9ª Vara Criminal de Cuiabá e integrante do Cetrap-MT, Renata do Carmo Evaristo Parreira, ressalta a importância da realização da ação para um público tão grande. A magistrada destaca a parceria entre as instituições públicas e privadas para o enfrentamento de um tema tão sensível à sociedade.
 
“Essa iniciativa é uma forma imprescindível de sensibilizar a população para prevenir o tráfico de pessoas nas suas diversas modalidades. Além dessa ação, outras iniciativas estão sendo realizadas, como capacitações para diversas áreas do Estado, na saúde, assistência social e nas forças de segurança pública, que são aqueles que têm o primeiro contato com esse tipo de crime.”
 
A integrante do Cetrap afirma que a maioria dos casos em Mato Grosso é relacionada ao tráfico para exploração sexual de crianças, mulheres e transexuais. “Uma modalidade muito forte também, infelizmente é o trabalho escravo.”
 
Para o juiz substituto do Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos (JET) e coordenador do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais de Mato Grosso, Marcelo Sebastião Prado de Moraes, a ação em parceria com o TJMT terá muito impacto, pois aproveita o público expressivo e a grande exposição midiática, por se tratar de uma partida com um adversário importante.
 
“Um jogo muito grande como esse tem um impacto positivo tanto na campanha quanto para economia local. Na verdade, a gente aproveita o evento de grande visibilidade, usando toda estrutura do próprio evento, para fazer uma divulgação ampla, de uma campanha muito relevante.”
 
O magistrado também cita a parceria entre Tribunal, JET, Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o clube de Cuiabá. “Como nós temos a nossa sede aqui dentro da Arena Pantanal, atuando nos jogos, aproveitamos a possibilidade de ajudar na visibilidade e divulgação da campanha”.
 
O vice-presidente do Cuiabá Esporte Clube, Cristiano Dresch, menciona a participação do clube da Capital em diversas causas sociais.
 
“O Cuiabá tem um papel social muito importante e a comunicação é um desses papéis que a gente exerce na sociedade. Já fizemos várias campanhas de conscientização e agora atendemos esse pedido, através da Polícia Rodoviária Federal, em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, com o maior prazer.”
 
Campanha Coração Azul – O dia 30 de julho foi instituído pela Assembleia Geral da ONU como Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e como o Dia Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas pelo Art. 14 da Lei nº 13.344/2016.
 
Assim nasceu a campanha Coração Azul, promovida internacionalmente pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O conceito nacional da ação destaca que pessoas não devem ser vistas como produtos e não podem ter suas vidas tratadas como mercadoria.
 
O principal objetivo é tornar o símbolo ‘Coração Azul’ um ícone de reconhecimento do enfrentamento ao tráfico de pessoas, promovendo ações promocionais e intervenções de sensibilização à sociedade, ONGs, Órgãos Governamentais, mídia e formadores de opinião para esse problema social, assim como incentivar a busca pela informação e a denúncia.
 
Números de Tráfico de Pessoas no Estado – Conforme dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, 254 ocorrências de tráfico de pessoas para trabalho escravo foram registradas pelo Disque 100, entre os anos de 2012 e 2019 em Mato Grosso. Também houve 64 registros de tráfico de crianças e adolescentes, no mesmo período.
 
Denúncia de Tráfico de Pessoas – As denúncias de suspeita de tráfico de pessoas, em suas mais diversas formas, podem ser feitas pelo canal telefônico ‘Disque 100’ ou pelo número 180.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Primeira imagem: foto dos jogadores do Cuiabá Esporte Clube em pé no gramado exibindo a faixa da Campanha Coração Azul, com a frase # Todos Contra o Tráfico de Pessoas. Na faixa estão os números de contato, Disque 100 e Ligue 180.
Segunda imagem: Juíza da 9ª Vara Criminal de Cuiabá, Renata do Carmo Evaristo Parreira, com a camiseta da Campanha Coração Azul, e o juiz substituto do Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos (JET), Marcelo Sebastião Prado de Moraes, durante o evento na Arena Pantanal, caminhando pelas estruturas do estádio junto a integrantes das Forças de Segurança Pública do Estado.
Terceira imagem: Foto dos jogadores do Flamengo e Cuiabá no gramado da Arena Pantanal, durante a execução do Hino Nacional. Ao fundo, público lota as arquibancadas da Arena.
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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