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Visão computacional avança na indústria alimentícia e reduz desperdícios com precisão superior a 95%

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A indústria de alimentos e bebidas representa 10,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, consolidando-se como um dos pilares fundamentais da economia nacional. O Brasil é o maior exportador global do setor, com seus produtos presentes em mais de 190 países.

Para que carnes, ovos, leite, enlatados e outros itens cheguem à mesa do consumidor com segurança, é necessária uma rigorosa inspeção sanitária. Esse controle garante não apenas a qualidade e segurança dos alimentos, mas também o cumprimento das normas legais de produção – e, para empresas exportadoras, das exigências internacionais.

Nesse cenário, tecnologias da chamada Indústria 4.0 têm se destacado por aprimorar a eficiência nos processos de inspeção. Entre essas inovações, ganha espaço a visão computacional, uma técnica que permite a computadores e máquinas “enxergarem” e processarem imagens para resolver problemas de forma autônoma.

Segundo Jonas Zanella, engenheiro de aplicação da Soma Solution – distribuidora nacional de soluções para inspeção –, a visão computacional utiliza fundamentos da matemática, estatística e física, aliados a modelos de Inteligência Artificial e algoritmos de processamento de imagens. “Esses sistemas podem ser executados por softwares dedicados ou diretamente em computadores”, explica.

A empresa trabalha com marcas como a Hikrobot, que desenvolve sensores, sistemas de visão e leitores de código para análises minuciosas em produtos, rótulos e embalagens nas linhas de produção. Em uma fábrica de bolos recheados, por exemplo, a tecnologia pode verificar a presença e a uniformidade do recheio em cada camada do produto.

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Outro diferencial é a capacidade de registrar e armazenar imagens das inspeções realizadas ao longo do dia. “Se o processo for contínuo, em 24 horas, ao chegar no dia seguinte, o gestor pode acessar os indicadores, visualizar as imagens das ocorrências e planejar ações corretivas com base nesses dados”, resume Zanella.

A ferramenta também incorpora o recurso de deep learning, ou aprendizado profundo – técnica baseada em redes neurais artificiais, que imitam o funcionamento do cérebro humano. “Esses algoritmos são treinados com grandes volumes de dados, geralmente não estruturados, como imagens, vídeos, textos e e-mails. Isso permite identificar padrões complexos e realizar inspeções em questão de segundos”, complementa.

Como exemplo prático, o engenheiro cita a análise de uma peça de carne. Antes, a inspeção visual só permitia medir o tamanho ou verificar se o corte estava completo. Hoje, é possível identificar aspectos como coloração, distribuição de gordura, presença de nervos e até contaminantes.

Perspectivas para 2025

Com uma presença crescente na indústria alimentícia, a visão computacional projeta um futuro ainda mais inovador. De acordo com Zanella, a próxima geração dessa tecnologia poderá incluir sensores com leitura por infravermelho e raio-x, além da capacidade de identificar contaminações bacterianas. A seguir, três grandes tendências que devem marcar essa evolução:

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1. Integração com IoT e IA

A união entre visão computacional, Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial tem permitido o desenvolvimento de sistemas autônomos que realizam inspeções industriais, detectam falhas e monitoram processos em tempo real. Esse avanço beneficia setores como saúde, manufatura e logística, com ganhos expressivos em eficiência operacional.

2. Computação quântica e sustentabilidade energética

A computação quântica surge como uma aliada para o processamento de grandes volumes de dados gerados pela visão computacional. Paralelamente, novas tecnologias buscam tornar essas operações mais eficientes do ponto de vista energético, reduzindo o impacto ambiental.

3. Realidade aumentada e virtual (AR/VR)

A aplicação da visão computacional também está revolucionando experiências imersivas em áreas como varejo, educação e entretenimento. Dispositivos de realidade aumentada, por exemplo, tornam possível a interação entre o mundo físico e digital de forma mais fluida e precisa.

Com esses avanços, a indústria de alimentos se moderniza em ritmo acelerado, tornando-se cada vez mais precisa, segura e sustentável – e a visão computacional se firma como uma das principais ferramentas dessa transformação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

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Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

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Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

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Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

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