AGRONEGÓCIO

União Europeia endurece regras para carne brasileira e pressiona agronegócio por rastreabilidade e compliance sanitário

Publicado em

A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco europeu acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. A medida, anunciada nesta semana, foi motivada por questionamentos relacionados ao uso de antimicrobianos e à ausência de garantias consideradas suficientes no controle sanitário da cadeia produtiva.

Na avaliação do escritório Martinelli Advogados, a restrição representa uma mudança estrutural nas exigências internacionais e amplia significativamente a pressão sobre produtores, cooperativas, frigoríficos e exportadores brasileiros.

O entendimento é que as exigências globais deixaram de estar concentradas apenas em temas ambientais, como desmatamento, e passaram a incorporar de forma mais rigorosa critérios de rastreabilidade sanitária, governança operacional e compliance produtivo.

União Europeia amplia exigências sobre cadeia produtiva

Segundo Rodrigo Linhares Orlandini, especialista em Direito Cível do Martinelli Advogados, o novo cenário exige profissionalização ainda maior da gestão jurídica e operacional do agronegócio brasileiro.

“Se antes o foco estava quase totalmente concentrado em desmatamento e questões ambientais, agora a discussão avança para rastreabilidade sanitária e monitoramento rigoroso de toda a cadeia produtiva. A União Europeia está transferindo parte da responsabilidade regulatória para dentro das empresas”, afirma.

Na prática, isso significa que exportadores precisarão comprovar, com maior profundidade, a conformidade sanitária em todas as etapas da produção animal.

Leia Também:  Agricultura regenerativa avança na Fazenda Paiaguás (MT) com projeto-piloto da RTRS
Contratos do agro devem passar por revisão

A nova postura europeia também deve provocar mudanças relevantes na estrutura contratual do agronegócio brasileiro.

De acordo com Orlandini, o risco regulatório deixa de ficar concentrado apenas no exportador final e passa a atingir todos os elos da cadeia produtiva, desde pequenos produtores até integradoras e frigoríficos.

“A tendência é que os contratos do setor passem por uma revisão profunda, incorporando cláusulas mais robustas relacionadas à rastreabilidade, auditorias obrigatórias e compliance sanitário”, explica.

Entre as mudanças esperadas estão:

  • Cláusulas de responsabilidade sanitária;
  • Exigências de rastreabilidade produtiva;
  • Auditorias periódicas obrigatórias;
  • Obrigações formais de compliance ambiental e sanitário;
  • Hipóteses de suspensão de fornecimento;
  • Rescisão contratual em casos de falhas regulatórias ou perda de certificações.
Restrições podem aumentar disputas jurídicas no setor

Outro ponto de atenção envolve o risco de judicialização dentro da própria cadeia agroindustrial.

Segundo o especialista, bloqueios comerciais internacionais podem gerar disputas entre produtores, cooperativas, frigoríficos e exportadores sobre quem deve assumir os prejuízos decorrentes de falhas de conformidade sanitária.

Nesse contexto, contratos mais detalhados passam a ser considerados estratégicos para reduzir insegurança jurídica e minimizar riscos financeiros em operações de exportação.

Leia Também:  Exportação de frutas brasileiras tem melhor outubro em uma década e soma US$ 177,5 milhões
Compliance se torna fator decisivo para competitividade

Para o Martinelli Advogados, o episódio reforça que a competitividade internacional do agronegócio dependerá cada vez mais da capacidade das empresas em comprovar segurança, rastreabilidade e responsabilidade em toda a cadeia de valor.

“O agronegócio brasileiro precisa deixar de enxergar essas exigências como barreiras comerciais isoladas. Elas representam uma mudança estrutural na forma como o mundo selecionará seus fornecedores daqui para frente”, destaca Orlandini.

O especialista afirma que o acesso aos mercados globais passará, obrigatoriamente, pela adoção de estruturas documentais, operacionais e sanitárias capazes de atender aos novos padrões internacionais de controle.

Setor terá de investir em governança e monitoramento

Com a crescente pressão regulatória internacional, especialistas avaliam que empresas do agronegócio precisarão ampliar investimentos em:

  • Sistemas de rastreabilidade;
  • Monitoramento sanitário;
  • Gestão documental;
  • Certificações internacionais;
  • Auditorias independentes;
  • Programas de compliance produtivo e ambiental.

A tendência é que mercados importadores, especialmente na Europa, ampliem gradualmente as exigências relacionadas à segurança alimentar, sustentabilidade e transparência nas cadeias produtivas.

Diante desse cenário, o fortalecimento da governança no agronegócio brasileiro passa a ser considerado um diferencial competitivo estratégico para manutenção e expansão das exportações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Preço do trigo no Brasil fecha primeiro semestre de 2026 em alta, mas junho registra desaceleração nas negociações

Published

on

O mercado brasileiro de trigo encerrou o primeiro semestre de 2026 com tendência de valorização nos preços, apesar da desaceleração observada nas negociações em junho. O cenário foi sustentado principalmente pela baixa disponibilidade de produto da safra velha, estoques internos apertados e maior necessidade de importação para suprir a demanda doméstica.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o comportamento dos preços reflete um equilíbrio ainda frágil entre oferta e demanda.

“O primeiro semestre foi marcado pela recomposição dos preços. A menor disponibilidade de trigo no mercado interno e a necessidade de importação deram sustentação às cotações, mesmo em um ambiente de liquidez bastante limitada”, destacou.

Mercado do trigo acumula altas expressivas no semestre

Apesar da pressão de baixa registrada em junho, o desempenho acumulado do semestre foi positivo nas principais praças do país.

No Paraná, a média dos preços FOB interior encerrou junho em R$ 1.407 por tonelada, com alta acumulada de 19,9% em relação ao fechamento de 2025. No entanto, o mês registrou recuo de 1,6%, influenciado pela menor demanda dos moinhos e pelo enfraquecimento das referências internacionais.

Leia Também:  Baixa Disponibilidade de Oferta Impulsiona Cotações do Milho no Brasil

No Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi ainda mais intenso no semestre, com avanço de 24,9%. Em junho, porém, houve queda de 5,1%, levando a média para R$ 1.290 por tonelada FOB. Mesmo com a correção, o estado segue sustentado pela escassez de trigo remanescente da safra anterior e pelo forte ritmo de exportações ao longo do período.

Ajuste em junho não muda tendência de alta, diz analista

De acordo com Elcio Bento, a retração observada em junho não representa mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste técnico após meses de valorização.

“O que vimos em junho foi muito mais um ajuste técnico do que uma mudança de tendência. A oferta continua limitada, os estoques seguem apertados e isso impede uma queda mais acentuada dos preços”, analisou.

O ambiente de baixa liquidez continua sendo uma característica marcante do mercado físico brasileiro de trigo. Produtores seguem retendo parte do produto, aguardando melhores condições de preços na entressafra, enquanto os moinhos realizam compras pontuais devido à dificuldade de repasse dos custos ao preço da farinha.

Esse desalinhamento entre oferta e demanda mantém o mercado travado e com negociações limitadas.

Leia Também:  Agricultura regenerativa avança na Fazenda Paiaguás (MT) com projeto-piloto da RTRS
Mercado internacional sustenta cenário de preços no Brasil

No mercado externo, o trigo negociado em Kansas acumulou valorização de 15,5% no primeiro semestre de 2026, mesmo com correções pontuais registradas em junho. Já o trigo argentino, referência importante para a paridade de importação brasileira, avançou 6,7% no período.

Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar ao longo do semestre contribuiu para reduzir parte da pressão altista que poderia ter sido transmitida ao mercado doméstico.

Perspectivas para o segundo semestre seguem atreladas ao clima e ao câmbio

Para os próximos meses, o mercado brasileiro de trigo deve permanecer sensível a fatores externos e internos. Entre os principais vetores de atenção estão o desenvolvimento da safra nacional, as condições climáticas na Argentina, o comportamento das bolsas internacionais e as oscilações cambiais.

Segundo o analista, esse conjunto de variáveis continuará sendo determinante para a formação de preços no mercado.

“Esse conjunto de fatores continua oferecendo sustentação estrutural aos preços”, concluiu Elcio Bento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA