AGRONEGÓCIO

União Europeia amplia restrições e volta a afetar exportações da piscicultura brasileira

Publicado em

A nova decisão da União Europeia de suspender importações de proteína animal do Brasil voltou a acender o alerta na cadeia da piscicultura nacional. A medida, relacionada ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária, preocupa o setor aquícola, que afirma não ter ligação com as não conformidades apontadas pelas autoridades europeias.

A manifestação foi feita pela PEIXE BR, que demonstrou preocupação com os impactos indiretos da atualização da lista de países autorizados a exportar proteína animal ao bloco europeu. O novo posicionamento da União Europeia foi divulgado na terça-feira (12) e amplia as restrições às exportações brasileiras.

Piscicultura brasileira volta a ser afetada por barreiras sanitárias

Segundo a PEIXE BR, esta não é a primeira vez que a piscicultura sofre consequências de medidas relacionadas a outros segmentos da proteína animal brasileira.

Desde 2018, o pescado nacional enfrenta limitações para acessar o mercado europeu após problemas identificados em embarcações da pesca extrativa. Embora a aquicultura não estivesse envolvida nas irregularidades apontadas na época, o segmento acabou incluído nas restrições impostas pelo bloco europeu.

Leia Também:  Chegada das Chuvas Promete Agitação nos Canaviais

O setor vinha acompanhando com expectativa a possibilidade de retomada das exportações. No início deste ano, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério da Pesca e Aquicultura informaram sobre a previsão de uma missão técnica da União Europeia ao Brasil em junho, considerada estratégica para reabrir o mercado europeu ao pescado brasileiro.

Com a nova suspensão, porém, a perspectiva de retomada volta a ficar comprometida.

“A aquicultura brasileira segue penalizada por problemas que não pertencem ao setor. Esperamos que o MAPA, por meio da Secretaria de Relações Internacionais, atue para reverter a perda de um mercado tão importante para as proteínas animais do Brasil”, destacou a PEIXE BR em nota.

Setor vê avanço de barreiras comerciais disfarçadas de exigências sanitárias

A entidade também avalia que a decisão europeia reforça um cenário internacional de maior protecionismo comercial. Segundo a associação, barreiras sanitárias e regulatórias vêm sendo utilizadas como instrumentos de defesa de mercado, especialmente em um momento de avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia.

Para a piscicultura brasileira, o impacto vai além das exportações imediatas e afeta diretamente a competitividade internacional do setor.

Leia Também:  Aumento do Preço do Açúcar em Agosto Reflete Impactos das Queimadas no Brasil

A PEIXE BR ressalta que a produção aquícola nacional segue padrões internacionais de controle sanitário, rastreabilidade e segurança alimentar, mantendo protocolos alinhados às exigências de mercados externos.

Exportações de pescado seguem estratégicas para expansão do setor

Mesmo diante das restrições, a piscicultura brasileira continua apostando na ampliação das exportações como uma das principais estratégias de crescimento da atividade.

Nos últimos anos, o setor vem investindo em tecnologia, manejo sanitário e profissionalização da cadeia produtiva para fortalecer a presença do pescado brasileiro em mercados internacionais de maior valor agregado.

A avaliação do segmento é que a reabertura do mercado europeu seria fundamental para ampliar oportunidades comerciais, diversificar destinos de exportação e fortalecer a imagem da aquicultura brasileira no exterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Inteligência artificial no agro revoluciona a tomada de decisões e amplia produtividade nas fazendas

Published

on

A transformação digital avança rapidamente no campo e inaugura uma nova fase da agricultura brasileira. Depois da mecanização, da agricultura de precisão e da automação, a inteligência artificial (IA) passa a ocupar um papel estratégico na tomada de decisões, ajudando produtores rurais a aumentar a produtividade, reduzir custos e responder com mais rapidez aos desafios do clima e do mercado.

Segundo o especialista em manejo agrícola, produtividade e rentabilidade no agronegócio, Vitor Borges, os aplicativos inteligentes estão deixando de ser apenas ferramentas de registro para se tornarem plataformas capazes de apoiar decisões técnicas em tempo real durante todo o ciclo produtivo.

Agricultura digital ganha protagonismo na gestão das propriedades

O uso de tecnologias digitais no agronegócio vai além da informatização das operações. O grande diferencial está na capacidade de organizar, interpretar e transformar informações agronômicas em ações práticas, reduzindo a dependência exclusiva da experiência acumulada pelo produtor.

Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e necessidade de maior eficiência, a gestão baseada em dados passa a representar um importante fator de competitividade para as propriedades rurais.

Essa tendência acompanha o movimento observado mundialmente. Estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que a inteligência artificial vem ampliando a capacidade de monitorar lavouras, identificar pragas e doenças, otimizar sistemas de irrigação e apoiar decisões agronômicas em tempo real. A expectativa é que essas tecnologias tenham papel cada vez mais relevante para ampliar a produção de alimentos utilizando menos recursos naturais.

Na mesma direção, levantamento da McKinsey & Company destaca que produtores que adotam soluções digitais conseguem melhorar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade das atividades agrícolas. O estudo ressalta que o maior benefício está na capacidade de converter dados em decisões rápidas e assertivas durante a safra.

Leia Também:  Agrodefesa amplia ações educativas e de fiscalização em leilões de gado em Goiás
O desafio não é coletar dados, mas transformá-los em decisões

Apesar do avanço das plataformas digitais, um dos principais obstáculos da agricultura conectada continua sendo a interpretação das informações disponíveis.

Muitos produtores já possuem acesso a diferentes aplicativos e sistemas de monitoramento, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar os dados coletados em estratégias eficientes de manejo.

Foi justamente para enfrentar esse desafio que Vitor Borges desenvolveu o Framework M.A.N.E.J.O., metodologia voltada à organização do processo de tomada de decisões agronômicas.

O modelo é estruturado em seis etapas:

  • Monitoramento contínuo: registro permanente das condições da lavoura por meio de imagens, observações de campo e indicadores técnicos.
  • Análise técnica: interpretação dos dados para identificar riscos relacionados a pragas, doenças, nutrição e estresse hídrico.
  • Normalização das decisões: utilização de protocolos técnicos padronizados para reduzir decisões baseadas apenas na percepção individual.
  • Execução orientada: implementação planejada e documentada das recomendações agronômicas.
  • Jornada de acompanhamento: monitoramento contínuo da resposta das culturas após as intervenções realizadas.
  • Otimização permanente: utilização dos resultados obtidos para aperfeiçoar o manejo nos ciclos seguintes.

Segundo o especialista, a proposta não é substituir o conhecimento técnico do produtor ou do engenheiro agrônomo, mas potencializar sua capacidade de análise por meio da organização das informações.

Manejo sistematizado eleva produtividade no campo

De acordo com Borges, a adoção de protocolos técnicos aliados ao uso de ferramentas digitais apresentou resultados expressivos em propriedades produtoras de maracujá.

Leia Também:  Chegada das Chuvas Promete Agitação nos Canaviais

Enquanto a produtividade média nacional da cultura gira em torno de 15,6 toneladas por hectare, conforme dados do IBGE, áreas que adotaram manejo sistematizado, monitoramento permanente e decisões baseadas em informações organizadas alcançaram produtividades entre 40 e 45 toneladas por hectare.

Embora fatores como clima, solo, genética e manejo influenciem diretamente os resultados, a velocidade na identificação de problemas e a padronização das decisões contribuíram significativamente para o desempenho dessas propriedades.

Aplicativos inteligentes integram IA e conhecimento agronômico

Como aplicação prática da metodologia, foi desenvolvido o Manejo Pro, plataforma que reúne inteligência artificial, banco de conhecimento técnico, registros de campo e acompanhamento das operações agrícolas em um único ambiente.

A proposta do sistema não é fornecer respostas automáticas, mas organizar informações para apoiar decisões técnicas durante todas as etapas da produção.

A tendência é que soluções desse tipo se tornem cada vez mais presentes nas propriedades rurais à medida que tecnologias como inteligência artificial, sensores, visão computacional e análise preditiva avancem no agronegócio.

Tecnologia será diferencial competitivo do agro

Para especialistas, o futuro da agricultura digital dependerá menos da quantidade de informações geradas e mais da capacidade de transformar esses dados em decisões que aumentem a eficiência, a previsibilidade e a rentabilidade das propriedades.

Nesse cenário, a inteligência artificial desponta como uma aliada estratégica do produtor rural, fortalecendo a gestão da fazenda e contribuindo para um agronegócio cada vez mais tecnológico, sustentável e competitivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA