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Uma primeira análise sobre as eleições americanas

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Como se encontra a disputa presidencial? Embora ainda seja muito cedo para prever o eventual vencedor, uma revanche entre Trump e Biden provavelmente aumentará as incertezas geopolíticas e de mercado, já que o sentimento do público em relação a ambos os candidatos permanece morno, com pouco entusiasmo para a revanche.

As pesquisas indicam impopularidade generalizada para ambos, mas Trump está na frente na probabilidade de vitória de acordo com as pesquisas e mercados de apostas. Em última análise, as chances dos candidatos e o impacto sobre os mercados provavelmente serão guiados pelo fato de a economia dos EUA conseguir uma aterrissagem suave, com oscilações de volatilidade impulsionadas pela política. O histórico sugere que o Presidente Biden tem mais chances de vencer se os EUA evitarem uma recessão.

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Quais as principais políticas de cada candidato? A tabela 1 mostra como as prioridades políticas dos dois candidatos são diferentes. Basicamente, Biden sinaliza a continuidade da política e uma postura mais sutil em relação à política externa e comercial. Em contraste, uma presidência de Trump pode trazer mais atritos, tanto internamente (por meio de restrições à imigração em um momento em que o mercado de trabalho está apertado) quanto para o resto do mundo.

Uma de suas prioridades políticas é impor uma tarifa de 60% sobre as importações da China e uma tarifa de 10% sobre outros parceiros comerciais, incluindo a União Europeia. Por outro lado, Trump também planeja reduzir os impostos corporativos dos EUA, o que pode ser positivo para os ativos de risco em geral – mas principalmente para as ações americanas.

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O impacto nos mercados financeiros provavelmente será determinado pela sequência da implementação de sua política: os cortes propostos nos impostos corporativos virão antes da legislação sobre imigração e/ou tarifas de importação?

Impactos sobre o complexo energético

A eleição americana pode ter grandes impactos no setor de energia. Trump procuraria desfazer grande parte do trabalho do governo Biden no combate às mudanças climáticas se retornasse ao cargo após a eleição de novembro e lançaria novos esforços para expandir a produção de combustíveis fósseis.

Embora alguns programas de crédito fiscal para biocombustíveis sejam tradicionalmente bipartidários, o grande desafio SAF de Biden e outras políticas de biocombustíveis podem estar em risco em um cenário de vitória de Trump. Durante o primeiro mandato de Trump, isso foi ilustrado por uma série de isenções concedidas às refinarias, dispensando-as do cumprimento do padrão de combustível renovável (RFS).

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A história mostra que os presidentes dos EUA geralmente são reeleitos se a economia evita uma recessão. Os dados mais recentes foram mais brandos do que o esperado. Entretanto, o presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou nos últimos os planos de cortar as taxas ainda este ano se a atual tendência desinflacionária persistir, o que deve ajudar a apoiar o crescimento.

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Apesar da liderança de Trump nas pesquisas e demais indicadores, ainda estamos apenas no início da corrida eleitoral, e a impopularidade de ambos os candidatos enseja uma alta volatilidade durante o processo eleitoral. Contudo, os mercados americanos tendem a ser resistentes à volatilidade política.

Analisando o desempenho do S&P 500 de 1937 a 2022, por exemplo, observa-se que o retorno médio anual é de 9,9% nos anos de eleições presidenciais e de 12,5% nos anos não eleitorais. O S&P 500 não caiu durante um ano de reeleição presidencial desde 1952.

Um cenário favorável aos ativos de risco tende a ser positivo para as commodities em geral. O maior impacto específico deve ser sobre o complexo energético: as políticas de Trump parecem ser mais favoráveis aos combustíveis fósseis, enquanto os renováveis podem se beneficiar relativamente em um cenário de vitória de Biden.

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Por Alef Dias, analista de Macroeconomia e Grãos da hEDGEpoint Global Markets

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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