AGRONEGÓCIO

Trigo importado atinge menor preço em quatro anos e pressiona mercado nacional

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Preço do trigo importado é o menor desde 2020

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Esalq-USP), o preço médio do trigo importado pelo Brasil atingiu, em setembro, o menor nível desde novembro de 2020. A tonelada do cereal foi negociada a US$ 230,09, equivalente a R$ 1.235,12, considerando o câmbio médio de R$ 5,368 no período.

Enquanto isso, a média do trigo nacional no Rio Grande do Sul ficou em R$ 1.259,39/t, o que demonstra maior competitividade do produto importado em relação ao brasileiro.

Ainda segundo o Cepea, o Brasil importou 568,98 mil toneladas de trigo em setembro, acumulando 5,249 milhões de toneladas no ano — o maior volume para o período desde 2007. Com a forte concorrência externa, os pesquisadores apontam que as negociações domésticas seguem lentas e os preços permanecem pressionados.

Mercado interno inicia a semana em ritmo lento

O mercado nacional de trigo começou a semana sem grandes movimentações e com preços em queda, principalmente no Rio Grande do Sul e Paraná, conforme relatório da TF Agroeconômica. A desvalorização do dólar e as chuvas recentes contribuíram para a retração dos negócios, enquanto os moinhos mantêm postura cautelosa diante da retomada gradual da colheita.

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Rio Grande do Sul: colheita retomada, mas mercado travado

No Rio Grande do Sul, as precipitações do fim de semana variaram entre 3 mm e 60 mm, sem causar grandes danos às lavouras. Com o retorno do sol e dos ventos, a colheita foi retomada em algumas regiões. Ainda assim, o mercado permaneceu praticamente parado, influenciado pela queda do dólar.

As indicações de exportação estão em torno de R$ 1.180,00/t para entrega em novembro, enquanto vendedores pedem R$ 1.200,00/t com pagamento antecipado. Os moinhos seguem fora das compras, e os volumes destinados à exportação e moagem somam cerca de 220 mil toneladas, bem abaixo das 330 mil do mesmo período do ano anterior.

Nos preços internos, as cotações seguem em leve baixa, com a saca sendo negociada a R$ 60,00 nas Missões e R$ 62,00 em Panambi.

Santa Catarina: pouca oferta e negócios travados

Em Santa Catarina, a colheita avança nas lavouras mais precoces, mas ainda sem movimentação expressiva de vendas. Os produtores pedem cerca de R$ 1.250,00 FOB pelo trigo novo — valor próximo ao que os moinhos oferecem CIF, o que tem limitado os negócios.

O último registro foi um pequeno lote de trigo branqueador do Cerrado vendido a R$ 1.600 CIF. Nas praças catarinenses, os preços da saca recuaram para R$ 64,00 em Canoinhas e Xanxerê, mantiveram-se em R$ 62,00 em Chapecó e caíram para R$ 70,50 em Joaçaba.

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Paraná: colheita avança e pressiona preços ao produtor

No Paraná, o avanço da colheita tem ampliado o abastecimento dos moinhos, que encontram trigo novo a preços mais competitivos. As ofertas variam entre R$ 1.220 e R$ 1.280 por tonelada, dependendo da região.

Já o trigo importado, especialmente o paraguaio e o argentino, mantém valores entre US$ 230 e US$ 269/t, mas a valorização do real (+2,38%) encareceu as importações.

Os preços pagos aos produtores paranaenses recuaram 2,52% na semana, com média de R$ 64,94 por saca, o que amplia o prejuízo, considerando o custo de produção estimado pelo Deral em R$ 74,63.

Competitividade internacional desafia o produtor brasileiro

Com o baixo preço do trigo importado e a pressão sobre as cotações internas, o cenário é de cautela para os produtores brasileiros. A concorrência com o produto externo, somada à valorização cambial e ao avanço da colheita no Sul, tende a manter o mercado interno com pouca liquidez e margens estreitas nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agrishow começa hoje com crédito de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas

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Ribeirão Preto (315 km da capital São Paulo) recebe a partir desta segunda-feira (27.04) a Agrishow 2026, principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, em um momento em que a modernização da frota no campo volta ao centro do debate. A abertura do evento foi marcada pelo anúncio de uma nova linha de financiamento de R$ 10 bilhões para aquisição de máquinas e equipamentos, feito pelo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Os recursos serão destinados à compra de tratores, colheitadeiras e implementos, com foco na substituição de equipamentos antigos. A linha será operada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com repasse por meio de bancos, cooperativas e instituições financeiras. Os fundos fazem parte de uma nova categoria do programa MOVE Brasil, direcionada ao agronegócio.

Serão R$ 10 bilhões destinados ao financiamento de tratores, implementos, colheitadeiras e todas as máquinas agrícolas. Esses recursos serão disponibilizados pela Finep, diretamente, ou através de parceiros, como cooperativas, bancos privados e o Banco do Brasil”, afirmou Alckmin.

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O anúncio ocorre em um cenário em que parte relevante da frota agrícola brasileira opera com alto nível de desgaste. Máquinas mais antigas elevam custos de manutenção, reduzem eficiência operacional e limitam a adoção de tecnologias embarcadas, como agricultura de precisão e monitoramento digital.

Na prática, a renovação da frota é hoje um dos principais vetores de ganho de produtividade no campo. Equipamentos mais modernos permitem maior precisão na aplicação de insumos, redução de perdas e melhor gestão das operações, fatores que impactam diretamente o custo por hectare.

A nova linha segue a lógica do programa MOVE Brasil, inicialmente voltado à renovação da frota de caminhões, e deve oferecer condições mais atrativas de financiamento. A expectativa é que os recursos estejam disponíveis nas próximas semanas.

Outro ponto relevante é a inclusão das cooperativas como tomadoras diretas de crédito, o que pode ampliar o acesso à tecnologia, especialmente entre pequenos e médios produtores. A medida também abre espaço para investimentos coletivos em mecanização e digitalização.

A Agrishow ocorre em um momento de margens mais pressionadas no campo, com custo de produção elevado e crédito mais caro. Nesse ambiente, a decisão de investir em máquinas passa a depender cada vez mais de eficiência econômica e retorno operacional.

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Com mais de 800 marcas expositoras e expectativa de público superior a 190 mil visitantes, a feira deve concentrar as principais discussões sobre tecnologia, financiamento e estratégia produtiva para a próxima safra.

Serviço 

Evento: Agrishow 2026 — 31ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação
Data: 27 de abril a 1º de maio de 2026
Local: Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, km 321, em Ribeirão Preto (SP), no Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste

Fonte: Pensar Agro

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