AGRONEGÓCIO

Trigo ganha sustentação com oferta limitada enquanto vazio sanitário reforça planejamento da próxima safra de soja

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O agronegócio brasileiro atravessa um período de decisões estratégicas que impactam diretamente a rentabilidade das propriedades rurais. Enquanto o mercado de trigo registra valorização diante da oferta restrita e da necessidade crescente de importações, o vazio sanitário da soja avança em Mato Grosso, impulsionando ações de manejo e planejamento voltadas à próxima temporada.

A combinação desses fatores reforça a importância da gestão eficiente das lavouras e do monitoramento constante das condições de mercado, em um cenário marcado por custos elevados, desafios climáticos e busca por maior produtividade.

Oferta reduzida mantém mercado de trigo firme no Sul

O mercado de trigo apresentou fortalecimento nas principais regiões produtoras do Sul do Brasil, sustentado pela percepção de estoques reduzidos até a chegada da próxima safra e pelo encarecimento do cereal importado.

No Rio Grande do Sul, a menor disponibilidade do grão reduziu a pressão de venda por parte dos produtores, enquanto os moinhos ampliaram a procura por lotes de qualidade superior, especialmente aqueles com elevado índice de força de glúten (W).

Levantamentos do mercado apontam que restam entre 190 mil e 210 mil toneladas disponíveis no estado, volume considerado insuficiente para abastecer a demanda até novembro. Diante desse cenário, a necessidade de importação é estimada em aproximadamente 240 mil toneladas.

Com o trigo argentino chegando ao mercado brasileiro em torno de US$ 300 por tonelada em Canoas (RS), os preços internos seguem sustentados. As negociações para embarques de junho e julho alcançaram R$ 1.350 por tonelada FOB, avançando para R$ 1.370 em julho/agosto e R$ 1.400 para agosto.

No mercado CIF, o trigo de melhor qualidade oscila entre R$ 1.480 e R$ 1.500 por tonelada, enquanto lotes de padrão intermediário variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420.

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Próxima safra preocupa produtores

Apesar do momento positivo para os preços, a próxima safra de trigo gera preocupação entre produtores e cooperativas.

Custos elevados de produção, margens mais apertadas, riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño e o temor de incidência elevada de DON (Deoxinivalenol) têm levado algumas cooperativas do centro e noroeste gaúcho a avaliar uma possível redução de até 40% na área cultivada.

Em Santa Catarina, os preços também apresentaram leve valorização, com trigo-pão negociado em torno de R$ 1.360 por tonelada FOB e trigo melhorador próximo de R$ 1.400. Já no Paraná, os negócios seguem mais lentos, com referências de R$ 1.420 CIF nos Campos Gerais e R$ 1.480 no Norte do estado.

Vazio sanitário da soja mantém atividade intensa nas propriedades

Enquanto o mercado acompanha a evolução dos preços dos grãos, os produtores de Mato Grosso seguem em plena atividade durante o vazio sanitário da soja, período que teve início em 8 de junho e se estende até 6 de setembro.

A medida tem como principal objetivo interromper o ciclo da ferrugem asiática, considerada uma das doenças mais agressivas da cultura, por meio da proibição do cultivo e da eliminação de plantas vivas de soja em áreas agrícolas, margens de rodovias, pátios de armazenamento e locais com germinação espontânea.

Apesar da ausência da oleaginosa no campo, as propriedades permanecem movimentadas com o desenvolvimento de culturas como milho segunda safra, algodão, sorgo, gergelim e milheto.

Segundo especialistas do setor, essas lavouras desempenham papel fundamental tanto na geração de receita quanto na construção das condições agronômicas para a próxima safra de soja.

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Manejo atual influencia diretamente a safra 2026/27

O milho consorciado com braquiária tem se destacado como importante ferramenta para a formação de palhada, conservação da umidade e melhoria da qualidade física e biológica do solo.

Além disso, práticas como manejo fitossanitário, controle de plantas daninhas, escolha adequada de cultivares e manutenção da cobertura vegetal são consideradas decisivas para elevar o potencial produtivo da safra 2026/27.

De acordo com Talis Melo, gerente Técnico e de Serviços da Fiagril, o período é estratégico para o sucesso futuro das lavouras.

“Mesmo sem soja no campo durante o vazio sanitário, a atividade agrícola continua intensa. O milho segunda safra tem papel fundamental na rentabilidade do produtor, assim como algodão, sorgo, gergelim e milheto, que exigem manejo constante”, destaca.

O especialista ressalta que as decisões tomadas neste momento terão reflexos diretos nos resultados da próxima temporada.

“Os manejos realizados agora refletem diretamente na safra de soja 2026/27. Este é um período de planejamento, correção e construção dos resultados que o produtor pretende alcançar no próximo ciclo produtivo”, conclui.

Agronegócio entra em fase estratégica para a próxima temporada

Entre a valorização do trigo provocada pela escassez de oferta e o trabalho intensivo nas propriedades durante o vazio sanitário da soja, o setor agrícola vive um período decisivo para a formação das margens e da produtividade da próxima safra.

A combinação entre gestão eficiente das lavouras, monitoramento dos mercados e adoção de boas práticas agronômicas será determinante para que os produtores enfrentem um cenário ainda marcado por volatilidade climática e desafios econômicos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Coamo reúne mil produtores em Dourados e reforça difusão de tecnologia para culturas de inverno

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A Coamo Agroindustrial Cooperativa promoveu nos dias 9 e 10 de junho a terceira edição do Encontro de Inverno de Dourados, em Mato Grosso do Sul, reunindo cerca de mil cooperados em sua estação de pesquisa. O evento teve como foco a transferência de tecnologia, a apresentação de resultados de pesquisas e a discussão de estratégias para o manejo das culturas de inverno na região.

A programação contou com cinco estações técnicas voltadas aos principais desafios do sistema produtivo regional, além de uma palestra sobre climatologia, abordando os impactos das condições climáticas sobre a agricultura e as perspectivas para as próximas safras.

Fazenda Experimental fortalece pesquisa e assistência técnica

O encontro reforçou a importância da Fazenda Experimental da Coamo como centro de geração e disseminação de conhecimento para os produtores rurais. O espaço tem sido utilizado para o desenvolvimento de pesquisas aplicadas, validação de tecnologias e demonstração de práticas agronômicas adaptadas às condições da região.

Segundo o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, a estrutura representa um importante avanço para os cooperados do Mato Grosso do Sul.

“É uma satisfação realizar mais uma edição desse evento. A Fazenda Experimental nasceu de um projeto que era um sonho para a cooperativa e para os produtores da região, e hoje se consolida como uma ferramenta importante para a evolução da agricultura”, destacou.

Conhecimento aplicado ao dia a dia do produtor

Durante os dois dias de atividades, os participantes tiveram acesso a informações práticas desenvolvidas pela equipe técnica da cooperativa e por empresas parceiras, com foco em soluções que possam ser incorporadas diretamente ao sistema produtivo das propriedades.

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O produtor rural Tiago Dal Bosco, cooperado em Laguna Carapã (MS), acompanha o evento desde sua primeira edição e destaca a relevância do conteúdo apresentado.

Segundo ele, o encontro oferece informações técnicas de forma objetiva e aplicada, permitindo que os participantes levem para suas propriedades conhecimentos importantes para a tomada de decisão no campo.

Manejo, produtividade e clima no centro dos debates

De acordo com o gerente de Assistência Técnica da Coamo, Marcelo Sumiya, a proposta é transformar os encontros técnicos em uma atividade permanente dentro da rotina dos cooperados.

A programação é estruturada para abordar temas relacionados aos sistemas de produção predominantes na área de atuação da cooperativa, abrangendo Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Os conteúdos apresentados incluem manejo de culturas, tecnologias de produção, conservação de solo, nutrição de plantas, proteção de cultivos e estratégias para enfrentar os desafios climáticos que impactam a agricultura brasileira.

“O objetivo é que o cooperado enxergue o encontro como uma extensão da unidade de atendimento da cooperativa, incorporando essa agenda técnica ao seu planejamento anual”, explicou Sumiya.

Próximo encontro será em Campo Mourão

A Coamo já prepara a realização de mais uma edição dos tradicionais encontros técnicos, desta vez em Campo Mourão (PR), entre os dias 23 e 25 de junho.

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A expectativa é reunir cooperados do Paraná e de Santa Catarina para uma programação semelhante à realizada em Dourados, incluindo apresentações técnicas, resultados de pesquisas conduzidas pela cooperativa e palestras sobre tendências climáticas para o agronegócio.

A iniciativa faz parte da estratégia da Coamo de fortalecer a assistência técnica e ampliar o acesso dos produtores às inovações que contribuem para o aumento da produtividade, da sustentabilidade e da rentabilidade das propriedades rurais.

Transferência de tecnologia impulsiona competitividade no campo

Em um cenário cada vez mais desafiador para a produção agrícola, eventos técnicos como o Encontro de Inverno ganham relevância por aproximar pesquisa, inovação e prática de campo.

Ao promover a troca de experiências e a atualização tecnológica dos cooperados, a Coamo reforça seu papel no desenvolvimento da agricultura regional e na busca por sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e preparados para os desafios do mercado e do clima.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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