AGRONEGÓCIO
Sorgo: Uma Alternativa Estratégica no Campo Brasileiro
Publicado em
27 de março de 2025por
Da Redação
O sorgo, até então considerado uma opção secundária nas propriedades agrícolas brasileiras, tem mostrado um potencial crescente para se consolidar como uma alternativa vantajosa, especialmente diante das adversidades climáticas e da escassez de janelas para o cultivo de outras culturas. Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), a produção brasileira de sorgo dobrou nas últimas quatro safras, alcançando cerca de 5 milhões de toneladas e posicionando o Brasil como o terceiro maior produtor mundial do grão. A tendência de crescimento, segundo especialistas, deve se manter nos próximos anos.
Considerado uma opção versátil no campo, o sorgo tem se destacado como uma excelente alternativa para os produtores que enfrentam a dificuldade de conciliar o calendário de plantio com as mudanças climáticas, além de representar uma fonte adicional de renda. Wedersom Urzedo, engenheiro agrônomo e responsável pelo desenvolvimento de mercado da Advanta Seeds nas regiões de Minas Gerais e São Paulo, explica que, ao ser cultivado como segunda safra, o sorgo pode gerar uma rentabilidade superior a outros modelos tradicionais de cultivo.
“Hoje, o sorgo é uma cultura que, se bem manejada e com o avanço genético disponível, tem o potencial de produzir até 200 sacas por hectare”, destaca Urzedo. Entre os benefícios dessa cultura, destaca-se a sua tolerância a períodos de déficit hídrico, seu bom desempenho no sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e sua eficácia no processo de recuperação de pastagens degradadas. Além disso, o sorgo é uma alternativa econômica para a alimentação de suínos, aves e bovinos, sendo comercializado por um valor mais acessível quando comparado ao milho, tradicionalmente mais caro.
Desafios no manejo do sorgo
Embora o sorgo seja conhecido por sua resistência, muitos produtores cometem erros no manejo nutricional, o que pode comprometer seu potencial produtivo. Urzedo enfatiza: “Costumamos dizer que o sorgo enfrenta a seca, mas não é tolerante à fome. Por isso, é essencial que os produtores não descuidem das questões nutricionais durante o ciclo da cultura.”
O sucesso no cultivo do sorgo depende de um planejamento cuidadoso, incluindo a escolha do melhor momento para o plantio e a escolha de variedades adaptadas às condições locais. Além disso, o preparo adequado do solo e o monitoramento contínuo durante o ciclo são cruciais. Durante o início da safra, quando a cultura está mais vulnerável a pragas como percevejos e lagartas, é fundamental manter o controle sobre esses agentes para garantir uma boa uniformidade da lavoura.
Inovações tecnológicas no cultivo
A Advanta Seeds tem se dedicado ao desenvolvimento de tecnologias que visam melhorar a produtividade do sorgo. Entre as inovações, destaca-se o sorgo Igrowth, que oferece uma série de benefícios, incluindo tolerância aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas, o que garante uma lavoura mais limpa e facilita a colheita. Além disso, o sorgo Igrowth tem um excelente desempenho quando consorciado com braquiária, proporcionando maior cobertura do solo, mais formação de palhada e supressão de plantas daninhas.
De acordo com Urzedo, essa tecnologia é particularmente vantajosa para as culturas subsequentes. “No caso da soja, por exemplo, quando as condições climáticas não são favoráveis e a chuva é insuficiente, a boa cobertura deixada pelo sorgo ajuda a manter a umidade no solo. Além disso, o sorgo com essa tecnologia contribui para a supressão de plantas daninhas, resultando em economia de herbicidas e auxiliando no controle da cigarrinha, um dos maiores inimigos do milho”, conclui.
Com essas inovações e a crescente valorização do sorgo, a cultura se consolida como uma alternativa estratégica para o produtor brasileiro, capaz de enfrentar os desafios climáticos e ainda garantir boas perspectivas de rentabilidade e sustentabilidade no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
17 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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