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Reforma Tributária redefine crédito e incentivos no agronegócio brasileiro

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Mudanças no modelo de tributação impactam o agro

A recente Reforma Tributária aprovada pelo Congresso Nacional transforma a lógica de incentivos fiscais e o aproveitamento de créditos no agronegócio. Com a substituição gradual do ICMS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a disputa fiscal entre estados será encerrada, aumentando a previsibilidade do setor, que respondeu por 23,2% do PIB brasileiro em 2024, segundo dados do Cepea/Esalq em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Gestão tributária se torna crítica para produtores e exportadores

Para Altair Heitor, contador e CFO da consultoria Palin & Martins, a mudança exige atenção imediata: “A extinção do ICMS altera completamente a lógica do crédito. O que não for corretamente apurado agora corre risco de se perder durante a transição”, alerta.

Um levantamento da Confederação Nacional dos Contadores indica que 60% das empresas admitem ter erros em notas fiscais, enquanto outros 15% não sabem se houve falhas. Entre os problemas mais comuns estão erros de NCM, CFOP e ausência de destaque correto do imposto, que podem anular o direito ao crédito tributário.

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Erros fiscais podem comprometer toda a cadeia de produção

No agronegócio, com alto volume de operações e margens pressionadas por custos logísticos e volatilidade de mercado, inconsistências fiscais têm grande impacto. “Produzir bem é apenas o começo: registrar corretamente cada etapa é indispensável”, reforça Altair. Uma nota fiscal emitida incorretamente pode comprometer a utilização de créditos e afetar a competitividade da operação.

Fim da guerra fiscal altera incentivos regionais

Produtores que se beneficiavam de regimes especiais estaduais precisarão revisar contratos, projeções financeiras e estratégias de longo prazo. Incentivos locais tendem a desaparecer, tornando o planejamento tributário um componente central da gestão.

“O produtor que estruturou sua operação com base em incentivos estaduais precisa entender que esse cenário não se mantém no novo modelo”, afirma Altair.

Aproveitamento de créditos acumulados é prioridade

O crédito de ICMS, tradicionalmente um instrumento de liquidez, também será impactado. Em julho de 2025, o governo de São Paulo liberou R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados por meio do programa ProAtivo, mostrando a importância de organizar esses ativos antes da transição. “Quem não se preparar agora pode perder a oportunidade de transformar créditos em caixa”, alerta o especialista.

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Fiscalização eletrônica aumenta necessidade de conformidade

Com o avanço da fiscalização eletrônica e o cruzamento automático de dados, inconsistências formais podem levar à suspensão imediata de créditos tributários, sem tempo hábil para correção. Para Heitor, isso reforça a necessidade de sistemas de controle rigorosos e acompanhamento constante das operações fiscais.

Inteligência tributária como diferencial estratégico

A Reforma Tributária inaugura um novo ciclo no agronegócio, no qual competitividade não dependerá apenas de produtividade ou escala, mas também da capacidade de transformar tributos em estratégia. Produtores e empresas que adotarem inteligência fiscal estarão mais bem preparados para enfrentar riscos climáticos e de mercado, consolidando ganhos de eficiência e sustentabilidade financeira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026

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A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.

O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.

Produção recorde fortalece oferta brasileira

Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.

Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.

Exportações seguem em ritmo acelerado

As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.

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Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.

Mercado internacional influencia preços

Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.

A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.

Esmagamento cresce com margens mais atrativas

Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.

Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.

No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

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A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.

Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar

Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.

O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.

Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.

Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.

Perspectivas para o produtor

Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.

A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.

No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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