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Reforma Tributária: Governo Desativa Urgência na Regulamentação

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O governo federal optou por retirar a urgência do Projeto de Lei Complementar 68/2024, que aborda a regulamentação da reforma tributária, após o prazo para votação ter expirado. O projeto, que chegou ao Senado em 7 de agosto, deveria ter sido apreciado até 22 de setembro. Com a ultrapassagem desse prazo, o PLP passou a trancar a pauta do Senado a partir de 23 de setembro, impedindo a votação de outras propostas, exceto aquelas com prazos constitucionais fixados, até que o projeto de reforma seja analisado.

Principais Propostas da Reforma Tributária

A reforma propõe a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o ICMS e o ISS, visando unificar a tributação sobre bens e serviços em um único imposto, simplificando assim o sistema tributário. O IBS terá uma base de cálculo que inclui tanto a circulação de bens quanto a prestação de serviços, sendo cobrado de forma não cumulativa, ou seja, incidindo apenas sobre o valor agregado em cada etapa do processo produtivo. A proposta também prevê alíquotas variáveis, dependendo da categoria de bens e serviços, promovendo maior justiça fiscal e evitando cobranças divergentes entre estados e municípios.

Adicionalmente, a reforma sugere a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), um tributo federal que substituirá os atuais PIS, Cofins e IPI. Assim como o IBS, a CBS será cobrada de forma não cumulativa, incidindo sobre a receita das empresas, apenas sobre o valor agregado.

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Outro aspecto importante da reforma é a introdução do Imposto Seletivo, conhecido como “Imposto do Pecado”, que incidirá sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Atualmente, o projeto já conta com mais de 1,2 mil emendas no Senado e está sob a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Enquanto isso, diversas audiências públicas têm sido realizadas para debater o texto. Uma audiência, promovida pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em 25 de setembro, focou nos impactos da reforma tributária nos regimes diferenciados e específicos, em um ciclo de debates solicitado pelo presidente da comissão, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), para auxiliar o grupo de trabalho coordenado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF) na avaliação da regulamentação.

Impactos para as Empresas

Enquanto o projeto segue em tramitação no Senado, empresários, especialmente os optantes pelo Simples Nacional, expressam preocupações sobre como as mudanças podem afetar suas operações.

Rafael Caribé, CEO da Agilize Contabilidade Online, aponta que o Simples Nacional já é um regime simplificado, que consolida diversos impostos em um único pagamento. Ele destaca que algumas empresas poderão se beneficiar das novas regras de não cumulatividade e da segregação dos tributos.

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“O contribuinte optante pelo Simples poderá aproveitar a não cumulatividade. Atualmente, é viável compensar créditos de ICMS, PIS e Cofins (exceto o ISS) de etapas anteriores. Com a reforma, haverá um regime híbrido que permitirá compensar inclusive o ISS por meio do IBS. Embora isso possa resultar em um aumento da carga tributária, permitirá o uso integral de créditos e seu repasse para os clientes, o que será especialmente vantajoso para empresas B2B (business to business), com cadeias produtivas longas. Para empresas que atuam no B2C (business to consumer), não haverá mudança, pois os créditos não podem ser transferidos para o consumidor final”, explica Caribé.

Ele enfatiza que, durante o período de transição, o contador será um parceiro essencial para as empresas. “Essa transição será longa, mas necessária para simplificar o ambiente tributário brasileiro e garantir maior competitividade”, conclui.

A expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado ainda este ano, embora já se considere a possibilidade de que a votação seja adiada para o início de 2025.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações globais de café crescem em março e acumulam alta na safra 2025/26, aponta OIC

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As exportações globais de café registraram crescimento em março de 2026, consolidando um cenário de avanço no comércio internacional do grão na safra 2025/26. Dados da Organização Internacional do Café (OIC) indicam que os embarques somaram 13,59 milhões de sacas de 60 quilos no mês, alta de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho positivo ocorre em meio a ajustes na oferta global e mudanças no perfil de demanda, com destaque para o avanço do café robusta no mercado internacional.

Exportações acumuladas avançam mais de 3% na safra 2025/26

No acumulado dos seis primeiros meses da safra mundial 2025/26 — entre outubro de 2025 e março de 2026 —, as exportações globais totalizaram 70,91 milhões de sacas, crescimento de 3,3% frente às 68,67 milhões de sacas embarcadas no mesmo intervalo da temporada anterior.

O resultado reforça a recuperação gradual do fluxo comercial global, mesmo diante de desafios logísticos e oscilações climáticas que impactam a produção em importantes países exportadores.

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Robusta ganha espaço no mercado global

O desempenho das variedades de café segue distinto no mercado internacional. Nos últimos 12 meses (abril de 2025 a março de 2026), o café robusta apresentou forte crescimento nas exportações.

  • Robusta: 59,85 milhões de sacas (+15%)
  • Arábica: 82,70 milhões de sacas (-4,9%)

O avanço do robusta reflete a maior demanda por cafés com menor custo e maior competitividade, além de mudanças no consumo global, especialmente em mercados emergentes e na indústria de café solúvel.

Arábica recua com ajustes na oferta e preços

Por outro lado, o café arábica registrou retração nas exportações no comparativo anual. A queda de 4,9% está associada a fatores como redução de oferta em alguns países produtores e ajustes nos preços internacionais, que impactam a competitividade do produto.

Esse movimento reforça a tendência de maior equilíbrio entre as variedades no comércio global, com o robusta ganhando participação relevante.

Cenário global do café segue dinâmico

O mercado internacional do café continua marcado por volatilidade e mudanças estruturais, com influência de fatores como clima, custos de produção, logística e comportamento do consumo.

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Para o Brasil — maior produtor e exportador mundial —, o cenário exige atenção estratégica, especialmente diante da crescente demanda por robusta e da necessidade de manter competitividade no arábica.

Resumo do mercado de café (março e safra 2025/26)
  • Exportações em março: 13,59 milhões de sacas (+1,6%)
  • Acumulado (outubro a março): 70,91 milhões de sacas (+3,3%)
  • Arábica (12 meses): 82,70 milhões de sacas (-4,9%)
  • Robusta (12 meses): 59,85 milhões de sacas (+15%)

O avanço das exportações e a mudança no perfil de consumo indicam um mercado em transformação, com impactos diretos para produtores, exportadores e toda a cadeia do agronegócio cafeeiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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