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Queda nos preços globais do arroz após liberação de exportações pela Índia

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Os preços globais do arroz apresentaram queda na última segunda-feira, impulsionados pela decisão da Índia, a maior exportadora mundial do grão, de retomar as exportações. Essa medida ampliou a oferta global e proporcionou aos compradores de países em desenvolvimento da Ásia e da África a oportunidade de assegurar suprimentos a preços mais acessíveis, conforme informaram exportadores do setor.

No último sábado, o governo indiano autorizou as exportações de arroz branco não basmati, logo após a redução do imposto de exportação sobre o arroz parboilizado para 10%, motivada pela expectativa de uma nova safra e pela elevação dos estoques nos armazéns estatais. “Fornecedores da Tailândia, Vietnã e Paquistão estão reagindo a essa decisão, reduzindo seus preços de exportação”, afirmou Himanshu Agarwal, diretor executivo da Satyam Balajee, uma das principais exportadoras de arroz. “Todos estão buscando se manter competitivos no mercado.”

Os preços globais do arroz alcançaram patamares recordes nos últimos 15 anos após a proibição, imposta pela Índia no ano passado, de exportação de arroz branco e a implementação de uma taxa de 20% sobre as exportações de arroz parboilizado. Essa restrição permitiu que concorrentes como Vietnã, Tailândia, Paquistão e Mianmar aumentassem sua participação no mercado e elevassem os preços globalmente.

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Na segunda-feira, a variedade indiana de arroz parboilizado com 5% de grãos quebrados foi cotada entre US$ 500 e US$ 510 por tonelada métrica, uma queda em relação aos preços entre US$ 530 e US$ 536 da semana anterior. Já o arroz branco indiano, com 5% de grãos quebrados, foi oferecido em torno de US$ 490. Exportadores de países como Vietnã, Paquistão, Tailândia e Mianmar também reduziram os preços em pelo menos US$ 10 por tonelada.

Os principais importadores de arroz asiático incluem Filipinas, Nigéria, Iraque, Senegal, Indonésia e Malásia. De acordo com Nitin Gupta, vice-presidente sênior da Olam Agri India, compradores e vendedores estão avaliando o impacto potencial do aumento da oferta de arroz indiano, prevendo uma estabilização nos preços durante esta semana.

Em 2022, a Índia foi responsável por mais de 40% das exportações globais de arroz, totalizando um recorde de 22,2 milhões de toneladas métricas de um comércio mundial que atingiu 55,4 milhões de toneladas métricas. Na segunda-feira, os preços do arroz tailandês foram cotados entre US$ 540 e US$ 550, em comparação com os valores entre US$ 550 e US$ 560 da semana anterior.

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A expectativa é de que os preços de exportação do arroz da Tailândia possam sofrer redução devido ao aumento da oferta no mercado, embora a extensão dessa queda dependa de diversos fatores, como a valorização da moeda tailandesa, segundo Chukiat Opaswong, presidente honorário da Associação de Exportadores de Arroz da Tailândia.

Os preços do arroz também começaram a corrigir, inclusive no Vietnã, mas comerciantes alertam que o impacto total da oferta indiana ainda não foi plenamente observado. “Os exportadores vietnamitas devem agir com cautela e evitar cortes nos preços para garantir seus contratos”, destacou Truong Tan Tai, presidente-executivo da Vinarice Co., uma exportadora de arroz.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Embargo às carnes abre crise comercial e Brasil ameaça retaliar a UE

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A suspensão das compras europeias de produtos brasileiros de origem animal deixou de ser apenas uma divergência sanitária e abriu uma crise comercial entre o Brasil e a União Europeia. O governo brasileiro anunciou que poderá adotar medidas de reciprocidade caso o bloco não reveja o bloqueio, enquanto a Comissão Europeia sustenta que as regras são conhecidas, proporcionais e aplicadas igualmente aos produtores dos 27 países.

A restrição começou a valer na quinta-feira (3) e alcança carnes bovina, suína e de frango, além de ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos. O Brasil foi retirado da lista de fornecedores considerados em conformidade com as exigências europeias para o controle de antimicrobianos.

Não houve identificação de contaminação ou irregularidade generalizada nos produtos exportados. O impasse está na capacidade de o Brasil comprovar, por meio de fiscalização, registros e rastreabilidade, que substâncias proibidas pela legislação europeia não foram utilizadas durante a criação dos animais.

Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura manifestaram “profunda preocupação” com a medida. O governo afirma que adotou as providências necessárias, apresentou garantias às autoridades europeias e recebeu missões de auditoria para demonstrar a adequação das cadeias produtivas.

A União Europeia respondeu que as exportações serão normalizadas quando o Brasil comprovar integralmente o cumprimento das exigências. O porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, Olof Gill, disse que o bloco continuará trabalhando com as autoridades brasileiras para viabilizar a retomada.

A resposta europeia, porém, também transferiu ao Brasil a responsabilidade pelo impasse. Segundo Gill, as novas regras foram anunciadas em 2018, são seguidas pelos produtores europeus desde 2022 e foram comunicadas com antecedência aos países interessados em vender ao mercado comum.

Bruxelas rejeita a acusação de tratamento discriminatório. O argumento europeu é que qualquer produtor, independentemente do país de origem, precisa comprovar que não utiliza antimicrobianos proibidos como promotores de crescimento nem substâncias reservadas ao tratamento de seres humanos.

O Brasil contesta essa interpretação e avalia que as garantias apresentadas deveriam ser suficientes para evitar a interrupção do comércio. O governo também destaca que aceitou auditorias europeias nas cadeias de aves e mel e criou novos procedimentos para controlar e rastrear o uso de medicamentos veterinários.

Caso a negociação técnica fracasse, o governo poderá acionar a Lei de Reciprocidade Econômica. A legislação autoriza o Brasil a responder a medidas unilaterais adotadas por países ou blocos econômicos que prejudiquem a competitividade brasileira ou anulem benefícios previstos em acordos comerciais.

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As contramedidas podem incluir aumento de tarifas sobre produtos europeus, restrições à importação de bens e serviços e suspensão de concessões comerciais. Em casos excepcionais, a lei também permite respostas provisórias enquanto o processo de análise estiver em andamento.

Isso não significa que a retaliação possa ser aplicada automaticamente. A legislação prevê consultas diplomáticas, participação dos setores afetados e avaliação dos impactos econômicos. As medidas devem ser proporcionais ao prejuízo causado e buscar reduzir os custos para empresas e consumidores brasileiros.

Também não seria recomendável responder a uma exigência sanitária com a proibição de produtos europeus sem justificativa técnica. Uma restrição desse tipo poderia ser questionada na Organização Mundial do Comércio. A resposta brasileira tende, portanto, a ocorrer no campo tarifário ou em outras concessões comerciais, caso o governo decida avançar.

A escolha dos produtos atingidos exigiria cautela. Tarifas sobre vinhos, queijos, azeites ou outros alimentos europeus teriam efeito mais concentrado sobre importadores e consumidores. Já medidas contra máquinas, medicamentos, produtos químicos ou insumos poderiam elevar custos para a indústria e para o próprio agronegócio brasileiro.

Por isso, a ameaça de reciprocidade funciona inicialmente como instrumento de pressão. Antes de retaliar, o governo tentará demonstrar que o custo político e comercial da suspensão pode ser maior do que o de uma solução negociada.

A principal pressão está sobre o Acordo Mercosul–União Europeia. Carnes e outros produtos afetados pelo bloqueio fazem parte das cotas e reduções tarifárias negociadas entre os dois blocos. Sem autorização sanitária, o Brasil pode ter uma preferência comercial no papel, mas continuar impedido de utilizar esse acesso.

Para o governo brasileiro, a exclusão desses produtos reduz parte dos ganhos esperados pelo país e altera o equilíbrio das concessões que permitiu a conclusão das negociações. Na prática, o Brasil abriu setores de seu mercado contando com maior acesso do agro à Europa.

A Comissão Europeia procura separar os dois assuntos. Olof Gill afirmou que o acordo continua sendo extremamente importante para europeus e sul-americanos, mas sustentou que as negociações comerciais não afastam o cumprimento das regras de segurança alimentar.

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O impasse evidencia um dos principais desafios para o agro nos próximos anos. A abertura de cotas e a redução de tarifas não garantem a entrada de um produto quando o comprador exige protocolos de produção, rastreabilidade e fiscalização que o país exportador não consegue comprovar dentro do prazo.

Na carne bovina, a adequação é mais complexa porque o controle pode precisar acompanhar o animal durante toda a vida. Um bovino que entre agora em um novo protocolo levará de dois a três anos para chegar ao abate. No frango, cujo ciclo produtivo gira em torno de 45 dias, a regularização pode ocorrer mais rapidamente se a União Europeia aceitar os controles brasileiros.

O mercado europeu não é o maior comprador das carnes brasileiras em volume, mas paga mais por cortes de maior valor agregado. O redirecionamento para outros destinos é possível, porém não é automático: cada mercado procura produtos, cortes, embalagens e padrões diferentes.

Uma retaliação também não recuperaria imediatamente esse valor. Ela poderia compensar politicamente a pressão europeia ou criar poder de negociação, mas não substituiria os compradores perdidos nem resolveria a necessidade de rastreabilidade.

A saída economicamente menos custosa continua sendo o reconhecimento europeu dos protocolos adotados pelo Brasil. Para isso, o governo precisará transformar as medidas anunciadas em controles verificáveis nas fábricas de ração, propriedades, frigoríficos e empresas exportadoras.

Se as auditorias confirmarem a adequação, o Brasil poderá pedir a reinclusão das cadeias de forma gradual ou por produto. Caso a União Europeia mantenha o bloqueio mesmo diante das novas garantias, o argumento brasileiro de que existe uma barreira comercial disfarçada de exigência sanitária ganhará força.

Até lá, a ameaça de reciprocidade amplia a temperatura da negociação. O Brasil tenta mostrar que não aceitará perder parte das vantagens obtidas no acordo com o Mercosul. A União Europeia, por sua vez, indica que não flexibilizará suas regras apenas para preservar o relacionamento comercial. O resultado dependerá menos dos discursos e mais da capacidade de comprovar, tecnicamente, o que acontece dentro das cadeias brasileiras.

Fonte: Pensar Agro

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